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RFI Convida

A carne é um objeto de sedução e excitação, diz Júlio Bressane em Locarno

Áudio 06:10
O cineasta Júlio Bressane apresentou seu filme "Sedução da Carne" no Festival de Locarno.
O cineasta Júlio Bressane apresentou seu filme "Sedução da Carne" no Festival de Locarno. Divulgação

O RFI convida traz nesta quinta-feira (9) o cineasta brasileiro Júlio Bressane, cujo filme "Sedução da Carne" está sendo exibido na mostra paralela Sinais de Vida, no Festival Internacional de Cinema de Locarno, onde o diretor tem apresentado muitos de seus filmes.

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Rui Martins, do Festival de Locarno, especial para a RFI Brasil

A sedução da carne pode ser um complemento à alimentação, mas também à destruição, como enfatizou Bressane, em conversa com os espectadores durante o Festival de Locarno, pois no Brasil para se chegar aos rebanhos bovinos se destroem florestas, pratica-se a monocultura da soja e se interrompem os ciclos das águas.

A personagem do filme é Siloé, nome inspirado de uma antiga nascente de água em Jerusalém, conhecida nos Evangelhos por ter lavado nela seus olhos, retirando o barro com saliva, um cego curado por Jesus.

Siloé costuma falar com seu papagaio e conta ser viúva há três anos. Antes, havia viajado muito com seu marido e as paisagens e imagens mostradas no filme "Sedução da Carne" são dos lugares por onde ela viajou.

Ao lado dela, há sempre um prato com filés de carne crua. O filme se torna surrealista como os do espanhol Luiz Buñuel, quando pedaços de carne passam a se mover como se fossem vivos.

A relação de Siloé com os pedaços de carne é erótica, ela lambe um pedaço no qual há uma orifício, enquanto outro pedaço vivo de carne crua desliza pelas suas pernas em direção à entre coxa, sobre seu sexo, coberto pela saia, permitindo-lhe se masturbar.

Na cena final, Siloé está deitada nua sobre as costas com largos bifes sobre seus seios, coxas e púbis.

Vegetariano, mas não propagandista dessa opção alimentar, Bressane mostra algumas curtas cenas de abate de animais e sangria, que lembram as dos movimento antiespecista veganista.

Logo depois da exibição do seu filme, Bressane aproveitou para denunciar a destruição que se continua fazendo no Brasil das florestas para o plantio da soja, isso se refletindo no escasseamento da água e das chuvas, além do envenenamento alimentar provocado pelo excesso de agrotóxicos nas plantações.

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