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Cultura

Street artist brasileira pinta obra em homenagem a Marielle Franco em Amsterdã

A street artist carioca Panmela Castro, diante de sua obra no Museu Stedelijk, em Amsterdã.
A street artist carioca Panmela Castro, diante de sua obra no Museu Stedelijk, em Amsterdã. Daniella Franco/RFI

“Um ano sem respostas” é a mensagem que a street artist carioca Panmela Castro gravou na fachada do Museu Stedelijk, em Amsterdã, na Holanda. A obra, realizada durante o Dia Internacional da Mulher, lembra o aniversário de um ano do assassinato da vereadora Marielle Franco, em 14 de março de 2018.

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Daniella Franco, enviada especial à Amsterdã

“Meu objetivo com essa obra era falar das investigações sobre a morte de Marielle Franco. Estamos comemorando o 8 de Março, mas também pedindo respostas sobre uma mulher que é muito importante no Brasil, que defendeu nossos direitos e lutou pela nossa liberdade”, afirma Panmela Castro.

O graffiti, realizado sobre a fachada de vidro do Museu Stedelijk, exibe duas personagens femininas, unidas pelos olhos e pelos cabelos, dentro do conceito de “sororidade”, criado pela professora e feminista brasileira Vilma Piedade, que significa a união das mulheres, através da dor e do sofrimento mútuo com o machismo e o racismo.

“Quando eu desenho essas duas mulheres eu também estou falando de Marielle. Ela dava voz a todas essas brasileiras que estão em suas comunidades, nos seus bairros e que, muitas vezes, não podem ocupar espaços de decisão e de poder. Mas Marielle estava lá nos defendendo. Hoje a gente sente falta dessa pessoa que vivia, até então, lutando por nós”, salienta.

A arte como combate à violência

A street artist carioca é a fundadora da Rede Nami, uma ONG que milita pelo fim da violência contra a mulher e fomenta o protagonismo feminino nas artes. “Quem não quer apertar uma lata de spray? Então eu uso essa ferramenta e essa metodologia para atrair as mulheres. Quando elas chegam, a gente pinta e faz grafitti sim. Porém, antes, a gente fala sobre os nossos direitos.”

Lutar pelos direitos faz parte do cotidiano de Panmela Castro não apenas como mulher, mas como artista. “Nascer mulher nesse mundo é um ato político. São tantas barreiras a serem enfrentadas que muitas de nós não conseguimos identificar sempre que somos vítimas de machismo e preconceito. Por exemplo, no grafitti, quando eu comecei, muitas pessoas achavam que mulher só era capaz de pintar florzinhas ou eram as namoradas dos grafiteiros.”

Intervenção da artista carioca Panmela Castro no museu Stedelijk, em Amsterdã.
Intervenção da artista carioca Panmela Castro no museu Stedelijk, em Amsterdã. Daniella Franco/RFI

Para a street artista carioca, as mulheres merecem “os melhores muros” do mundo. “Eu sempre gritei bem alto e falei que queria o melhor muro para mim. E hoje estou aqui na Europa, pintando no Museu Stedelijk, mostrando para todos que nós, mulheres, merecemos sim ocupar os melhores espaços e os espaços de poder”, salienta.

A intervenção de Panmela Castro no Museu Stedelijk faz parte da programação do festival feminista holandês Mama Cash. A obra pode ser visitada até o dia 18 de março.

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