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Um pulo em Paris

Festival de Cannes questiona limites da arte com filme que beira pornografia

Áudio 09:34
Equipe do filme "Mektoub My Love: Intermezzo" acompanha diretor Abdellatif Kechiche (no centro, de preto) em apresentação em Cannes
Equipe do filme "Mektoub My Love: Intermezzo" acompanha diretor Abdellatif Kechiche (no centro, de preto) em apresentação em Cannes REUTERS/Stephane Mahe

O filme “Mektoub My Love: Intermezzo” do diretor franco-tunisiano Abdellatif Kechiche, desencadeou a principal polêmica dessa reta final do 72° Festival de Cinema de Cannes. Com quase quatro horas de duração e cenas acusadas de pornografia gratuita, a trama dividiu o público na Riviera Francesa.

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Enviado especial a Cannes

O filme foi projetado pela primeira vez às 22h nessa quinta-feira (23), o que fez com que os mais resistentes saíssem da sala quase 2h da madrugada. No entanto, muitos abandonaram a experiência visual proposta pelo cineasta, bem antes do final da exibição.

O diretor, que ganhou a Palma de Ouro há seis anos por com "Azul é a cor mais quente", é conhecido por um estilo provocador. Mas com Mektoub, que traz às telas um grupo de amigos que já havia protagonizado seu filme anterior, ele não foi nada unânime. Nos corredores de Cannes nessa sexta-feira, ele foi um dos principais assuntos e muitos dizem claramente ter detestado a experiência.

Mais de 80% da história acontece em uma casa noturna, onde os personagens têm diálogos banais enquanto o diretor se concentra filmando poses lascivas e as nádegas das atrizes. Nada original, se Kechiche não tivesse inserido uma cena de 13 minutos de sexo oral.

Outro aspecto que chamou a atenção foi o fato de o diretor não ter colocado os créditos no final do filme. Alguns dizem que ele se inspirou do pornô, enquanto outro preferem pensar que Kechiche simplesmente não teve tempo de terminar o filme antes do Festival de Cannes e enviou o projeto ainda inacabado.

Atriz abandona projeção

No final da projeção de gala o diretor evitou os comentários e saiu correndo da sala. A própria atriz que protagoniza a cena, Ophélie Bau, deixou o cinema no meio da projeção de gala e não compareceu à entrevista coletiva dada pelo elenco na manhã dessa sexta-feira.

Essa não é a primeira polêmica envolvendo o diretor, que já foi acusado de maltratar suas atrizes ou filmá-las sem que elas fossem prevenidas. Seu filme anterior, “Mektoub My Love: canto uno”, foi apresentado na Mostra de Veneza em 2017. Na ocasião, também dividiu o público, sendo vaiado e elogiado ao mesmo tempo.

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