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Cultura

Mostra em Paris revela fascínio da pintura ocidental pelo Oriente

Áudio 06:23
A exposição "O Oriente e os pintores" fica em cartaz até 21 de julho de 2019, no museu Marmottan-Monet de Paris.
A exposição "O Oriente e os pintores" fica em cartaz até 21 de julho de 2019, no museu Marmottan-Monet de Paris. RFI

Uma viagem ao Oriente, fonte de inspiração real e imaginária de pintores: essa é a proposta da exposição “O Oriente dos Pintores, do sonho à luz” em cartaz no belo museu Marmottan-Monet de Paris.

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Os cerca de 60 quadros expostos, assinados por grandes mestres da pintura, do século 19 ao início do século 20, como Ingres, Delacroix, Matisse, Renoir, Paul Klee e Kandisky, mostram que o Oriente, e as mulheres orientais, fascinaram os artistas e influenciaram a arte ocidental.

A primeira sala da exposição condensa a proposta da mostra: à direita, o quadro “La Petite Baigneuse”, ou “O interior de um harém”, do francês Jean-Auguste-Dominique Ingres, realizado em 1828; à esquerda, o abstrato “A arquitetura de interior”, de Paul Klee, de 1914. Entre os dois, um século de intervalo e a passagem entre um oriente sonhado e a viagem real, entre a representação de uma imagem idealizada a de uma experiência intensa, do realismo ao abstrato, onde o oriente desaparece, mas permanece presente pela luz e pelas cores.

Protótipo da odalisca

O quadro de Ingres criou o protótipo da odalisca que irá ser replicado e marcar toda a história da pintura ocidental. Mas o francês, nunca entrou em um harém em sua vida, nunca foi ao Oriente. Ele pintou sua “Odalisca” baseado em relatos de viajantes do século 18, e usando como modelos mulheres parisienses. Com o tema do harém ou da sauna, Ingres renovou o nu feminino, representando corpos mais realistas, sem correr o risco de ser censurado e criou adeptos.

A figura da Odalisca na arte ocidental “é uma visão que é ao mesmo tempo idealizada, sonhada, muito sensual e que não corresponde em nada a visão da mulher real oriental, do ponto de vista oriental. Mas a representação feminina desses pintores mostra uma mulher de verdade, que não é nem uma deusa, nem uma Vênus. Não há mais a distância que havia na Antiguidade ou na mitologia e claro, ela é muito mais sensual”, explica a curadora da exposição e historiadora de arte, Emmanuelle Amiot-Saulnier.

Luminosidade e sensualidade

A exposição faz sucesso. Entre os visitantes, o crítico de cinema suíço Patrick Straumann, destaca a luminosidade das obras: ”A exposição revela o sonho dos pintores sobre o Oriente, mas também a experiência deles com a luminosidade dessa região. Dá para ver que alguns pintores, eu penso sobretudo no Paul Klee, foram realmente influenciados pela luminosidade do Oriente, que na verdade não é realmente o Oriente, mas a margem sul do mar Mediterrâneo. Quando a gente fala aqui de Oriente, é muito mais o Magreb, os países e as ex-colônias francesas do norte da África.”

Patrick Straumann também ressalta a sensualidade das mulheres: “Evidentemente os pintores, homens, ficaram muito fascinados por essa imagem da mulher branca, na sauna. E essa sensualidade, ela sobrevive aos anos, aos séculos.”

Pintura&literatura

A professora de literatura da Universidade Mackenzie, Gloria do Carneiro do Amaral, fez, ao visitar a exposição, um paralelo entre a influência do oriente na pintura e na literatura: “Há vários livros no começo do século 19 com o título de “viagem ao oriente”. O Lamartine tem um, o Flaubert foi ao Oriente com o Maxime Du Camp, o Nerval tem outro. É interessante ver esse voltar-se para uma outra cultura e para uma outra paisagem que no fim das contas não me parece um registro (fiel), na nossa concepção moderna atual, contemporânea, de etnias, de culturas. É uma coisa mais de um exotismo, que difere muito do que eles estavam habituados a ver, em termos de roupas, de cores, de sons, de cheiros. Os literatos registram esses outros sentidos. Eu acho que é uma percepção da época de outro horizonte.”

Gloria Carneiro do Amaral também cita o segundo livro de poemas de Victor Hugo “Les Orientales”, que não tem nada a ver com o Oriente, mas que “concidentemente em termos de experimentação rítmica, é a obra mais rica dele”, explica.

A exposição “O Oriente dos Pintores: do sonho à luz” fica em cartaz no museu Marmottan de Paris até 21 de julho

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