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Teatro/Marionetes

Festival Mundial de Teatros de Marionetes celebra 20ᵃ edição com mais de 100 atrações na França

O Festival Mundial de Teatro de Marionetes de Charleville-Mézières traz em 2019 um total de 45 estreias mundiais e francesas, incluindo 19 coproduções internacionais.
O Festival Mundial de Teatro de Marionetes de Charleville-Mézières traz em 2019 um total de 45 estreias mundiais e francesas, incluindo 19 coproduções internacionais. JOE 5 ©Studio Matusiak

Cerca de 30 espaços especialmente retrabalhados para receber espetáculos transformaram a cidade de Charleville-Mézières, no nordeste da França, em um enorme teatro de bonecos, pronto para receber mais de 100 atrações com marionetistas vindos dos cinco continentes. Entre os 112 espetáculos e exposições, o tradicional Festival Mundial de Teatro de Marionetes traz em 2019 um total de 45 estreias mundiais e francesas, incluindo 19 coproduções internacionais. Macunaïma Gourmet, espetáculo do grupo mineiro Pigmalião Escultura que Mexe, realiza sua estreia mundial no festival francês nesta segunda-feira (23), representando o Brasil.

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Enviada especial a Charleville-Mézières

Cidade natal do poeta Arthur Rimbaud, Charleville-Mézières, encravada na bela região de Ardennes, quase na divisa com a Bélgica, recebe há décadas um dos mais tradicionais festivais de marionetes do mundo. Capital internacional do teatro de bonecos, a cidadezinha de origem medieval abriga, além do festival, uma escola e um centro de documentação que são referências internacionais no gênero.

A herança poética de Rimbaud se encontra presente nas velhas alamedas de Charleville-Mézières durante os dez dias desta edição 2019 do Festival Mundial de Marionetes, que começou na última sexta-feira (20). Ela é lembrada por marionetistas e poetas que se apresentam na Maison d'Arthur Rimbaud [casa onde nasceu o famoso autor de Uma temporada no inferno]. Os artistas exploram e refinam com técnica, precisão e inventividade as inúmeras pontes entre poesia e a misteriosa arte da manipulação de bonecos.

Gigantesca ou minúscula, movida por uma mecânica complexa ou respondendo a pequenos gestos dos dedos das mãos, em papel artesanal ou magnificada em hologramas digitais, a marionete, é, acima de tudo, universal.

Toda civilização teve os seus bonecos e, através dos milênios, eles nos fascinam, intrigam ou divertem, às vezes nos servindo de verdadeira resistência e de ironia aos poderosos e à ordem estabelecida, como é o caso da tradição dos guignols na França, considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Basil Twist

O norte-americano Basil Twist (foto) é o artista homenageado nos 20 anos do Festival Mundial de Marionetes de  Charleville-Mézières, na França.
O norte-americano Basil Twist (foto) é o artista homenageado nos 20 anos do Festival Mundial de Marionetes de Charleville-Mézières, na França. BASIL TWIST © Christophe Loiseau

A 20ª edição do festival, que é bienal, traz como fio condutor e principal homenageado o trabalho do artista norte-americano Basil Twist, referência no gênero, que possui uma pesquisa que funde tradição e técnica contemporânea.

Após uma temporada de quatro meses no Japão, Twist estreia em Charleville-Mézières o espetáculo Dogugaeshi, um show visual e musical em que o cenário animado se torna um personagem, e retraça uma jornada íntima, abstrata e espetacular, entre "fantasia e pesadelo".

"Macunïma Gourmet"

O Brasil, que já teve a obra de Álvaro Apocalypse e do Giramundo homenageada no Festival Mundial de Teatros de Marionetes de Charleville-Mézières, é representado este ano pelo também mineiro Pigmalião Escultura que Mexe, criado em 2007. O grupo apresenta na mostra francesa o espetáculo Macunaïma Gourmet, dirigido por Eduardo Félix.

Trupe brasileira "Por um Triz", de São Paulo
Trupe brasileira "Por um Triz", de São Paulo RFI

Macunaïma Gourmet explora o romance que é pedra angular do Modernismo brasileiro, trazendoum espetáculo inspirado no "herói sem caráter" do romance de Mário de Andrade. O grupo de Belo Horizonte procura desenvolver espetáculos com "profundidade conceitual e filosófica". A marionete de fios, a relação do ator com o boneco e o Teatro Visual são seus principais focos criativos, de acordo com os diretores.

Cena de "Macunaïma Gourmet", do grupo mineiro Pigmalião Escultura que Mexe, realiza sua estreia mundial no festival francês nesta segunda-feira (23).
Cena de "Macunaïma Gourmet", do grupo mineiro Pigmalião Escultura que Mexe, realiza sua estreia mundial no festival francês nesta segunda-feira (23). MACUNAÏMA GOURMET ©Hugo Honorato

Assistido por Marina Viana, Eduardo Félix constroi em Macunaïma Gourmet, espetáculo que realiza sua estreia mundial no festival francês nesta segunda-feira (23), um universo plástico singular, impressionante e colorido, com máscaras e bonecos de tamanho humano. O canibalismo desempenha um papel importante na história recriada pela trupe mineira. A ideia é sublinhada no título da obra, uma co-produção realizada com o Festival de Charleville-Mézières.

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Em 2019, o festival é dedicado a Jean-Luc Félix, presidente do evento durante suas últimas seis edições, e lança um novo desafio: a construção de uma Cité des Arts de la Marionnette, ou uma Cidadela de Artes da Marionete, para celebrar a memória desta que é uma das mais antigas manifestações artísticas do planeta.

O Festival Mundial de Marionetes fica em cartaz até o dia 29 de setembro.

Confira o teaser do Festival Mundial de Marionetes de Charleville-Mézières, edição 2019:

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