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Frankfurt/Literatura brasileira

Escritores independentes divulgam obras alternativas brasileiras na Feira de Frankfurt

Os escritores brasileiros Alexandre Ribeiro e Fred Di Giacomo (ao centro) no estande da Rohkomm TV na Feira do Livro de Frankfurt.
Os escritores brasileiros Alexandre Ribeiro e Fred Di Giacomo (ao centro) no estande da Rohkomm TV na Feira do Livro de Frankfurt. RFI/A.Brandão

Uma dezena de escritores brasileiros participou este ano da Feira do Livro de Frankfurt, que termina neste domingo (20) após cinco dias intensos de palestras e encontros. Alguns desses autores, independentes, financiaram a participação com o dinheiro do próprio bolso para dar visibilidade a suas obras alternativas no maior evento literário do mundo.

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O jovem escritor paulista Alexandre Ribeiro ganhou uma bolsa de trabalho social voluntário do governo alemão e mora atualmente no norte da Alemanha. Ele é um escritor da periferia. É autor do livro independente “Reservado”, publicado pela editora Miudeza que ele mesmo criou.

Alexandre Ribeiro aproveitou a oportunidade de estar morando no país para divulgar seu trabalho na Feira de Frankfurt. Pagou do próprio bolso os € 400 cobrados pelo evento dos editores independentes.

O autor teve o direito de dar duas palestras que integraram a programação oficial. Ao lado do amigo e escritor Fred Di Giacomo, falou sobre “Arte nos tempos de Bolsonaro”. Além disso, acabou sendo convidado a participar de eventos em outros estandes como o do projeto da comunidade latino-americana na Alemanha, RohKohmm TV, onde abordou, também ao lado de Di Giacomo, a “A arte fora do centro”.

À RFI Alexandre Ribeiro diz que “nunca foi fácil fazer arte no Brasil sendo pobre, morador de favela e negro. Atualmente, nosso papel é ser contra a corrente, contra os privilégios estabelecidos, e, ao mesmo tempo, conscientizar o meu povo a tentar encontrar poesia da nossa sofrência”. Alexandre Ribeiro vendeu vários livros na Feira, inclusive da edição em inglês que publicou especialmente para o evento, e espera conseguir uma tradução de “Reservado” para o alemão.

“Desamparo”

O escritor e jornalista freelancer Fred Di Giacomo, que também mora atualmente na Alemanha e desembolsou € 400 para participar do evento, veio divulgar seu primeiro romance, “Desamparo”, publicado pela Reformatório. O livro, que fala sobre a história de Penápolis, sua cidade natal no interior paulista, é um dos finalistas do importante Prêmio São Paulo de Literatura deste ano.

Ao comentar a descentralização que começa no mercado editorial brasileiro, Di Giacomo afirma que ela é “pífia e feita principalmente pelas editoras independentes, como a Reformatório, a Patuá”. Antes de “Desamparo”, já publicou dois livros infantis, um de poemas e o de contros "Canções para ninar adultos". "Só agora consegui abrir uma brecha para publicar meu primeiro romance, e isso porque eu sou branco”, ironiza.

Na sua opinião, a literatura brasileira atual “é uma das melhores dos últimos 50 anos, a cara do Brasil, do interior, feita por uma nova geração”.

Blogueira, mulher e negra

A blogueira Waleska Barbosa veio a Frankfurt convidada pela Fundação Palmares, numa parceria de um projeto cultural do governo do Distrito Federal e recebeu apoio da CBL, a Câmara Brasileira do Livro que patrocina o estande do Brasil na Feira alemã. Em Frankfurt, Waleska falou, ao lado de Alexandre Ribeiro, sobre "Literatura de favela".

Ela conseguiu publicar seu primeiro livro, “Que o nosso olhar não se acostume às ausências” em apenas duas semanas, poucos dias antes de vir à Alemanha. O livro reúne algumas crônicas de seu blog www.umpordiawb.com.br e foi financiado por uma campanha de pré-venda lançada na internet. “Fiz o apelo e consegui em uma semana R$ 5 mil para a impressão de 200 exemplares”, conta à RFI.

Waleska Barbosa se transformou com a escrita: “ao começar o blog, percebi que uma transformação muito grande tinha acontecido em mim, de autoconhecimento, de falar, verbalizar algumas questões. Este processo me fortaleceu, fortaleceu minha identidade, meu lugar de me colocar no mundo como uma mulher, e como uma mulher negra. Hoje, eu não falo só por mim”.

A edição 2019 da Feira do Livro de Frankfurt aconteceu de 15 a 20 de outubro e homenageou a literatura da Noruega. O Brasil marcou presença. Além dos autores independentes e de convidados, como Luiz Ruffato, o estande brasileiro contou com a participação de 32 editoras. Em 2020, o Canadá será o país convidado do evento literário alemão.

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