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RFI Convida

Museu Internacional da Mulher será inaugurado em Portugal com curadora brasileira

Áudio 06:53
Katia Canton, professora, curadora e escritora, é diretora artística do Mima.
Katia Canton, professora, curadora e escritora, é diretora artística do Mima. RFI/ Paloma Varón

Katia Canton é professora de estética na USP, curadora e escritora. Ela é também diretora artística do Mima, o Museu Internacional da Mulher, que vai ser inaugurado em Lisboa, no próximo dia 22 de novembro. O museu vai mesclar arte contemporânea, artesanato e movimentos sociais de mulheres.

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Katia explica de onde surgiu a ideia do museu. “O Mima foi criado pela jornalista portuguesa Paula Castelar, que conhecia o meu trabalho como artista e como pesquisadora do papel da mulher nos contos de fadas lá em Lisboa e me convidou para assumir este cargo. Eu já tinha sido vice-diretora do MAC (Museu de Arte Contemporânea de São Paulo) e aceitei o desafio para construirmos este projeto de artes juntas”, explica Canton.

A diretora artística conta que o Mima é um museu internacional, mas focado na lusofonia. “A gente basicamente vai trabalhar com questões artísticas e estéticas de países de língua portuguesa.”

Além disso, Katia diz que o novo museu vai representar as mulheres lusófonas em todas as suas esferas. No caso da representação do Brasil, ela conta com mulheres indígenas e cineastas, designers e bordadeiras, entre outras.

“A gente está priorizando uma representatividade que não se restringe às belas artes ou à arte contemporânea e pega manifestações de artesanato, design. Então temos desde artistas contemporâneas consagradas até movimentos de povos originários, mulheres de movimentos indígenas, bordadeiras do Movimento de Atingidos por Barragens, em Minas Gerais, que fazem um trabalho lindíssimo com bordado, que é uma técnica de bordar as próprias histórias, as próprias narrativas”.

"Narrativas sobre o feminino"

A diretora artística conta que a maioria das obras expostas é de mulheres e todas elas são focadas no feminino e seus diversos subtemas. “As obras que a gente escolhe são prioritariamente focadas em narrativas sobre o feminino, mas não necessariamente só de artistas mulheres”.

O novo museu já tem três mostras programadas. A exposição inaugural – “Violência contra a Mulher” – coincide com o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres, celebrado em 25 de novembro. Em seguida virão “Virtude e Vulnerabilidade” e uma exposição sobre o mercado da moda.

“Sobre a segunda exposição, ela está focada na questão de que a mulher tem a virtude de ser a grande cuidadora do meio ambiente, mas tem a vulnerabilidade de ser a mais pobre entre a população pobre. Setenta por cento dos pobres são mulheres”, lamenta.

Segundo Katia, cada exposição será seguida de lançamentos de livros, debates e outros eventos. “No dia 25 de novembro, a gente vai ter a presença da Amália Fischer, que é uma mexicana que mora no Rio de Janeiro, criadora do Fundo Elas e uma das pessoas que cunhou essa data como um marco de combate à violência", conta.

Museu no Brasil?

O museu de Lisboa faz parte de uma rede internacional de museus, a International Association of Womens’s Museums, que conta com 74 instituições em diferentes países. A boa novidade é de que há planos de implantação de uma instituição no Brasil. “A gente está buscando financiamento para ter uma sede no Brasil também”, afirma.

Para ela, é fundamental que a inovadora experiência lisboeta ecoe no Brasil. “No Brasil, a gente tem muitas questões que nos determinam como um grande centro de debate e pensamento em relação à proteção da mulher e do meio ambiente”, analisa.

A diretora artística do Mima está convicta de que a arte serve para conscientizar e provocar a ação sobre questões sociais:

“A arte é um meio importante de difusão, de conscientização e é um veículo de produção de criatividade e de invenção de si e do outro. Uma ideia de que a arte possa não só mostrar e conscientizar, mas provocar alguma coisa nas pessoas para que elas repensem a própria vida e a própria ação no contexto do mundo contemporâneo", destaca.

 

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