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RFI Convida

Palcos europeus recebem pela primeira vez a música-poesia de Arthur Nogueira

Áudio 10:57
O cantor e compositor Anthur Nogueira e seu novo disco "Coragem do Poeta".
O cantor e compositor Anthur Nogueira e seu novo disco "Coragem do Poeta". RFI

Arthur Nogueira inaugura uma nova geração de músicos poetas. Ou seriam poetas músicos? Herdeiro do legado brasileiro edificado por nomes como Vinícius de Moraes e Tom Jobim, o paraense de Belém, que já levou suas composições ao Rio de Janeiro e a São Paulo, ganha agora os palcos europeus em sua primeira turnê pelo velho continente.

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Andréia Durão, colaboração para a RFI Brasil

Os públicos de Paris, Londres e Berlim são convidados a conhecer seu mais recente lançamento, “Coragem do Poeta”, quinto disco de sua carreira.

No novo disco, um EP de voz e violão, o artista exalta em suas interpretações aqueles compositores que, em sua opinião, o formaram, e que são uma representação da grandiosidade da música brasileira. Ao mesmo tempo, “Coragem do Poeta” é uma seleção pessoal e despretensiosa da “memória afetiva” de Arthur Nogueira.

“É curioso, pois foi um projeto que eu pensei para mim mesmo, a princípio. Fui sozinho para o estúdio com meu violão. E o trabalho está tendo uma repercussão inesperada. Nunca imaginei que eu estaria um dia aqui em Paris, sozinho, com meu violão, minhas canções e as canções de quem eu gosto”, admite ele.

Ainda que seja uma primeira turnê internacional, o público europeu não intimida o cantor, que conta que as apresentações recentes no Brasil, em Belém e no Rio de Janeiro, foram uma boa prévia da ótima receptividade do seu projeto. “Eu estou feliz. Para mim é uma celebração, uma celebração da minha carreira e das coisas que eu já tive o prazer de realizar”.

Referência culturais

Em uma vasta e sofisticada seleção de referências culturais para sua obra, em que figuram grandes nomes da música e da poesia brasileiras e estrangeiras, tem peculiar lugar de destaque o poeta Antonio Cícero, por quem Arthur sempre nutriu grande admiração e quem viria se tornar, mais do que um parceiro, um grande amigo do cantor.

“Com 13 ou 14 anos eu ouvi Inverno, que eu acabei gravando depois, que é uma música dele (Antonio Cícero) com a Adriana Calcanhoto. Em seguida descobri a obra dele com a Marina Lima, e também como poeta e filósofo. Quando eu tinha uns 15 anos, ele foi a Belém para o lançamento de um livro, e eu pedi que o meu pai me levasse no evento. Antonio Cícero foi super receptivo, trocamos e-mails, passamos a nos corresponder. Quando enfim eu me mudei para o Rio de Janeiro, isso se tornou uma parceria de fato”, lembra. “O Cicero para mim se tornou um amigo, e eu tenho orgulho de dizer isso”.

A mesma obra de Arthur, que reforça e amplifica a diversidade e a intensidade da música brasileira para o mundo, faz também o caminho inverso, acolhendo artistas estrangeiros. Ele musicou inclusive poemas de autores internacionais pouco conhecidos no Brasil como a ucraniana Rose Ausländer e do sírio Adonis.

“É uma resistência. A poesia é um gênero muito difícil de ser reconhecido. E eu acredito na poesia como algo que pode mudar o mundo. Quando a gente lê um poema, a gente acessa um outro tempo, um tempo da sensibilidade e da beleza que eu julgo necessário”, acredita o compositor.

Abaixo, a íntegra da entrevista em vídeo

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