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Mestre da Arte Óptica, Marcos Marin expõe em Paris obras de Neymar e Santos Dumont

Áudio 11:39
O artista plástico Marcos Marin no estúdio da RFI.
O artista plástico Marcos Marin no estúdio da RFI. Foto: RFI Brasil/ Elcio Ramalho

O brasileiro Marcos Marin integra o grupo de quatro artistas escolhidos para expor um conjunto de obras monumentais na famosa avenida George V, em Paris, um dos locais mais nobres e luxuosos da capital francesa.

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Conhecido por suas esculturas em bronze de retratos de celebridades, Marcos selecionou obras de dois conterrâneos, Santos Dumont e Neymar. “Esses personagens atravessaram meu caminho de pesquisa iconográfica. O retrato do Santos Dumont foi feito para uma grande pesquisa sobre a história da aviação. E o Neymar é o ídolo brasileiro atualmente mais comentado de Paris”, justifica.

“Sou um artista no caminho da iconografia. Meu trabalho é fazer retratos gigantescos de pessoas, de dois a quatro metros de altura”, explica Marcos, que fez a imagem do jogador do PSG com  três metros de altura. A obra é uma das principais atrações do percurso da exposição pública "George V Monumental", que começou no dia 15 de outubro e vai até o dia 14 de novembro. 

“A Arte Óptica é bacana porque ela vai para as ruas, não precisa entrar no museu, em uma galeria para ver. Minha escultura brinca muito com o entorno e o cenário circundante. Para mim é muito importante por as esculturas em jardins e praças públicas. Essa experiência para mim em Paris é única, é fantástica e incrível”, afirma.

Marcos ainda exibe na mostra pública, duas peças da ex-princesa de Mônaco, Grace Kelly, concebidas especialmente para a família real monegasca, de quem se tornou artista oficial há vários anos.

“Todo ano faço um retrato oficial da Grace Kelly para o príncipe Albert, sendo que uma das peças é um empréstimo pessoal da coleção do príncipe. É um grande privilégio para mim”, conta o paulista de 52 anos, que reencontra a cidade que o despertou para o mundo das artes plásticas.

A obra de Neymar é uma das atrações da exposição pública "George V Monumental", em Paris.
A obra de Neymar é uma das atrações da exposição pública "George V Monumental", em Paris. Foto: Divulgação/Marcos Marin

De São Paulo para o mundo

Filho de um produtor de cinema e de uma cantora lírica, Marcos Marin deixou São Paulo nos anos 1990 para apostar em uma carreira de pianista clássico na capital francesa. “Ser pianista clássico era uma forma muito interpretativa das coisas e não criativa. Eu queria criar”, lembrou na entrevista à RFI.

Apesar de flertar com a pintura, não tinha intenção de seguir essa carreira. Na busca por emprego, acabou contratado para fazer serigrafias para Victor Vasarely, húngaro naturalizado francês, considerado o “pai” da Op Art e um dos grandes nomes da arte contemporânea do século 20. “Foi aí que me contaminei completamente pela Arte Óptica”, diz.

“Tive na sequência o privilégio de conhecer galeristas importantes. Não tinha a intenção de ser pintor, mas fiz boas obras, ganhei bons prêmios para jovens talentos. Comecei a ganhar dinheiro com minha pintura e deixei o piano de lado, virou hobby”, lembra, sorrindo.

Marcos venceu o prêmio Fiat pela obra comemorativa de Cristóvão Colombo pelos 500 anos de descobrimento da América e depois o Prêmio Collection Philips.

Depois de viver 10 anos em Paris, mudou-se para Miami onde começou a fazer retratos de pessoas famosos com a técnica de “optical art”, e orientado pelas mãos da galerista Nina Oscar Huerta , que representava grandes mestres da arte óptica como os venezuelanos Jesús Rafael Soto e Cruz-Diez. A carreira deslanchou com entradas em exposições e museus pelo mundo até orientar seu trabalho para a escultura. “A escultura é uma derivação da minha pintura”, explica.

Sua trajetória também foi impulsionada depois de um encontro com o estilista francês e mecenas franco-italiano Pierre Cardin, que permitiu a ele realizar suas primeiras obras monumentais.

Em 2004, conheceu a galerista monegasca Delphine Pastore na Feira de Arte de Basel - Miami Beach, encontro que o levou a trilhar outros caminhos da arte.

Marcos aceitou o convite dela para uma exposição oficial em Mônaco, que aconteceu um mês depois da morte do príncipe Rainier III. Na ocasião, o ex-primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi comprou uma de suas obras de Grace Kelly e a ofereceu ao príncipe Albert II.  

Na volta a Miami, encontrou uma carta e um bilhete de avião para voltar a Mônaco, onde atendeu a um pedido do príncipe Albert e fez a escultura monumental do príncipe Rainier exposta na entrada do Principado. Desde então, se tornou o retratista oficial da família.  

Obras da ex-princesa de Mônaco, Grace Kelly, em exposição nas ruas de Paris.
Obras da ex-princesa de Mônaco, Grace Kelly, em exposição nas ruas de Paris. Foto: Divulgação/Marcos Marin

“Conto de fadas” artístico

Ele atribui sua entrada artística na vida do Principado às “boas vibrações” da ex-atriz americana que se tornou princesa de Mônaco ao se casar com o príncipe Rainier e teve uma morte trágica, em um acidente de carro, em 1982. “A Grace Kelly viveu seu conto de fadas e eu vivo meu conto de fadas à minha maneira, artisticamente, mas com muita responsabilidade e dedicação”, afirma.

O reconhecimento de seu trabalho o levou a fazer obrar para artistas, colecionadores de arte, celebridades e muitos políticos como o ex-chefe de Estado francês Nicolas Sarkozy. “O Sarkozy já deu muitos presentes (de obras) do Marcos Marin a outros presidentes. Isso acaba oficializando. É o artista brasileiro que vai”, conta. “Essa ponte cultural é muito presente na minha trajetória”, afirma

Marcos também fez trabalhos para a família real do Japão, onde foi o artista brasileiro homenageado nas celebrações dos 100 anos de amizade com o Brasil e há 10 anos foi eleito membro da Academia de Belas Artes de Portugal.  

Marcos Marin, que hoje tem obras ao lado de Andy Wharol no Museu de Mônaco, participa de inúmeros projetos como a exposição oficial da Copa do Mundo da Fifa, que começou na Rússia em 2018. Ele integra a lista de artistas que vai expor também no Mundial de 2022, no Catar.

Apesar da residência oficial de Mônaco e de exposições e trabalhos por todo o mundo, sua terra natal não sai de seu radar. “É muito gostoso ser brasileiro fora do Brasil. É muito simpático porque todo mundo gosta do Brasil. Isso ajuda muito. Tenho muitos bons clientes, pertenço a muito boas coleções de arte no país. Mas muitos grandes colecionadores, às vezes, me compram fora do Brasil porque estou presente nas galerias e feiras de arte fora do país. No ano passado, fui fazer um circuito cultural em Inhotim (MG), no Recife, em outras cidades do Nordeste para ver cultura, (ver) o que o Brasil produz e também para marcar na minha agenda algo para fazer no meu país”, diz.

Veja a íntegra da entrevista em vídeo

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