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Cultura

Mostra no Grand Palais de Paris recupera modernidade revolucionária de Toulouse-Lautrec

Áudio 04:58
Vista da exposição Toulouse-Lautrec
Vista da exposição Toulouse-Lautrec © Rmn-Grand Palais / Photo Didier Plowy

“Pintor da vida moderna”, como o classificava Baudelaire, o francês Henri de Toulouse-Lautrec revoluciona o vetor espaço-tempo da pintura, na segunda metade do século XIX, com suas formas condensadas e dinâmicas, uma vocação apaixonada pelo movimento e pela escolha de personagens que desafiavam o rígido código de costumes de sua época.

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Grande admirador de Manet, Lautrec, o mais teatral dos pós-impressionistas, retratou e participou ativamente de seu tempo. Mas, para se compreender o ímpeto desse artista, é necessário deixar os velhos e empoeirados clichês de lado. A exposição Toulouse-Lautrec, Definitivamente Moderno, em cartaz no Grand Palais, em Paris, se presta ao desafio de retratar a complexidade deste personagem, entre dândi e erudito, que buscava, seja em cenas de cabaré ou em gestos voluptuosos da vida cotidiana, o animal escondido sob o humano.

Longe dos lugares comuns sobre o artista, o curador Stéphane Guégan analisa o homem por trás de Toulouse-Lautrec. “Era um aristocrata de uma antiquíssima família francesa do Sudoeste, do conde de Toulouse, a serviço do Estado francês desde a Idade Média, uma família que chegou a participar das Cruzadas. Ele era muito orgulhoso de suas origens e continuou fiel às excentricidades de seu pai, um intelectual independente apesar de politicamente, ser um conservador”, lembra.

"Impressionista de petit boulevard"

Considerado pela crítica como um “impressionista de petit boulevard”, ao lado de Van Gogh, ele desponta no grande mundo das artes através da vitrine proporcionada pela mostra anual dos “20 de Bruxelas”, como era conhecido o círculo mais revolucionário de artistas da vanguarda europeia moderna. “Essa classificação os opunha à pintura dos primeiros impressionistas, com temas ancorados nos prazeres pequeno-burgueses, e de uma forma radical, sobretudo em termos formais, esses jovens propõem uma pintura muito mais brutal do que aqueles que os antecederam”, conta o curador.

Toulouse-Lautrec escolhe então pintar em O Circo Fernando uma cena pouco comum nos quadros da época. “Até então, antes dele, muito pouco ou nada foi pintado, em grande formato, sobre a cena de um circo explícita, com uma cavaleira, e um cavalo que chocou os críticos de Lautrec até o século 20, pela vista do sexo do cavalo e de seu ânus em primeiro plano”.

Artista da "sugestão"

“É uma estética da perspectiva acelerada, da concisão, alguns traços, algumas cores, para relatar os personagens e a situação. É também uma estética da sugestão. Esquecemos desde aspecto de Lautrec porque nos referimos a ele como um pintor realista radical implacável”, analisa Guégan. “É um artista que deixa as situações que ele pinta numa espécie de incerteza poética”, diz.

Para Stéphane Guégan, a poesia prima sobre a objetividade na obra do pintor. “Este artista que classificamos erroneamente como o cronista da Belle Époque, não possui nada de um cronista. Ele não se interessa à piada, ele não categoriza os indivíduos, ao contrário dos cronistas da imprensa ilustrada que nos deixam compreender rapidamente a psicologia da vida social. Ele não: trata-se de um grande pintor, não um poeta. As mulheres que ele retrata têm uma identidade nebulosa, assim como as situações, vistas a partir de uma certa distância, e com um certo humor. Não se trata de uma oposição à busca da verdade, mas ele mantém seus quadros numa espécie de mistério”, analisa Guégan.

Dândi

Boêmio, dândi, intelectual, aristocrata, Toulouse-Lautrec foi um homem de seu tempo. Marcado por uma limitação física, causada por uma fratura no fêmur ainda criança, ele amava retratar as prostitutas. “Essas mulheres anônimas, que, assim como as dançarinas de Montmartre, usavam às vezes pseudônimos para excitarem seus clientes, recebem um nome e um rosto próprios em seus quadros. Lautrec vê sempre além das categorias”, diz o curador.

O curador considera Toulouse-Lautrec um pintor engajado, mal visto pela crítica de sua época. “Um grande número de críticos em 1890 o viam como um pintor do vício, do feio, como Courbet, 50 anos antes dele, porque ele não idealiza. Ele mostra os seres e as coisas de um jeito implacável e incapaz de introduzir em suas pinturas o tipo de poesia vulgar esperada dos artistas quando retratavam esse mundo. Foi também engajado quando deu apoio a Oscar Wilde, no momento em que a justiça britânica o condenou a trabalhos forçados por homossexualidade”, lembra.

A exposição Toulouse-Lautrec, Definitivamente Moderno fica em cartaz no Grand Palais de Paris até o dia 27 de janeiro de 2020.

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