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Movimento negro Tombamento é tema de exposição em Paris

A fotógrafa, Carolina Arantes
A fotógrafa, Carolina Arantes E. Ramalho

Fotógrafa mineira radicada na França, Carolina Arantes está com a exposição “Tombamento”, em cartaz até o dia 24 de novembro no Forum des Images, em Paris. Carolina conta que a exposição retrata o movimento negro de mesmo nome no Brasil. O termo vem do verbo “tombar”, uma gíria utilizada quando um jovem negro é assassinado por um policial.

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“O movimento utiliza esta palavra, muito baseado na música da Carol Conká, a musa da geração Tombamento, para reivindicar uma resistência. Eles dão uma conotação positiva à palavra, no sentido de resistir: se é para cair, eu vou me reerguer”, explica Carolina, que se define como fotógrafa documental.

O texto sobre a exposição explica: “A geração Tombamento é a nova geração de afrodescendentes - principalmente mulheres e LGBT - que reivindicam sua existência e emancipação através de uma forte presença visual em todo o Brasil”.

Universidade e visibilidade

“Tendo ingressado nas universidades pela primeira vez na história do país, enquanto o Brasil vivia um forte período de inclusão social, esses jovens defendem seu lugar e seus direitos, hoje severamente questionados pela chegada da extrema direita ao poder”, acrescenta o texto da exposição.

“A universidade é uma porta de saída muito importante das condições sociais das favelas. Para os jovens, a entrada na universidade permitiu uma auto-estima muito grande. Esta auto-estima trouxe também uma consciência da cultura africana e da presença negra no Brasil. E de chamar a atenção para esta invisibilidade que o negro sofre no Brasil”, celebra.

Ela começou o trabalho em Salvador e depois foi para São e outras capitais, mas diz que “o movimento está acontecendo no Brasil inteiro”.  “Então é um movimento, levado pelo afrofeminismo e pelos LGBTQI, que está reivindicando a visibilidade através de happenings, performances, festas. Eles dizem: ‘Nós não vamos tombar’”, conta.

Absurdo

“Para esta exposição, eu selecionei imagens que tivessem a ver com este absurdo da realidade, porque o que acontece no Brasil é um absurdo: são 46 mil jovens negros que morrem por ano. São 13 mulheres assassinadas por dia, uma pessoa assassinada por dia por homofobia. É um genocídio”, denuncia.

As questões sociais, assim como de identidade e de poder são o centro do interesse da fotógrafa, que mora há 11 anos em Paris.

“A minha busca é de entender a identidade contemporânea global. Não tem como fugir de uma estrutura colonial que aconteceu. A minha motivação é entender como funcionam estas relações sociais, de poder, de identidade, de mobilidade, de democracia e liberdade…”.

Ela conta que foi justamente por meio de um trabalho sobre identidade, realizado na França, que chegou ao movimento no Brasil.

“Eu cheguei a ‘Tombamento’ fazendo um trabalho na França sobre a primeira geração de mulheres negras, filhas de pais imigrantes, nascidas no território francês e a construção desta identidade entre a tradição histórica europeia e a sociedade mista atual. Esta busca aqui me levou ao movimento no Brasil.” diz.

“Eu fiquei muito curiosa e senti a urgência de trabalhar este assunto pelo fato da chegada ao poder da extrema direita no Brasil”, acrescenta.

“Existe uma necessidade de a gente pensar a nossa ‘branquitude’, a nossa condição inerente de poder e de privilégios”, afirma a fotógrafa, que faz uma extensa pesquisa jornalística antes de começar cada trabalho.

Outro trabalho recente de Carolina Arantes se chama Holy Cow, sobre os grandes criadores de gado no Brasil. “São eles que decidem a qualidade da carne que a gente come no mundo”, diz, sobre o poder inegável do agrobusiness brasileiro.

 

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