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Selfies ajudarão a contar a história da fotografia, diz Joaquim Paiva

Áudio 06:55
O fotógrafo, Joaquim Paiva
O fotógrafo, Joaquim Paiva RFI

Joaquim Paiva lançou em Paris o livro 1927-1970. Mas esse projeto editorial é apenas uma das facetas do fotógrafo. Dono de uma das principais coleções fotográficas privadas do Brasil e autor de imagens que fazem parte da coleção da Biblioteca Nacional da França, ele expõe atualmente na capital francesa e defende, sempre que pode, a fotografia como uma ferramenta de resistência.

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Paiva visita Paris há anos, sempre em novembro, mês da fotografia na capital francesa, quando a cidade acolhe inúmeros eventos, entre eles Paris Photo, um dos salões mais importantes do mundo. Mas dessa vez ele não vem apenas para conhecer talentos que poderão eventualmente enriquecer sua famosa coleção fotográfica, que já conta com obras de nomes consagrados vindos do mundo todo, como Diane Arbus, Pierre Verger ou Ansel Adams.

Colecionador, mas em primeiro lugar fotógrafo, Paiva, que já expôs na Maison Européenne de la Photographie, tem seu trabalho exposto agora na Galerie Delphine, em Saint Ouen, no norte de Paris. Ele faz parte dos artistas apresentados na mostra Terra Brasilis, que faz a promoção dos brasileiros que entraram recentemente para a coleção de fotografia contemporânea da Biblioteca Nacional do país.  

Mas a principal razão da viagem é o lançamento em Paris do livro 1927-1970. As datas correspondem aos dias de nascimento e morte de sua mãe.

“Um livro é algo muito importante na carreira de um fotógrafo e de um artista. É a forma mais perene de se preservar o trabalho para a posteridade”, avalia. “Hoje, a plataforma do livro toma uma dimensão muito grande no mundo da fotografia por causa das facilidades do aperfeiçoamento enorme da produção”, comenta. No caso de 1927-1970, o projeto se inspira nos livros com capa de madeira nos quais o pai de Paiva escrevia, nos anos 1950, mensagens de amor para a mãe do colecionador.

Excesso de imagens

“O fotógrafo comprometido com seu trabalho profissional, artístico, ou os dois ao mesmo tempo, é aquele que faz a fotografia como um objeto formal, um objeto que inclui a beleza, mas talvez, sobretudo, um objeto de diálogo com o mundo em que vive, com a sua contemporaneidade”, afirma. Inclusive levando em conta as mudanças tecnológicas em um contexto em que “há um excesso, exagerado, de imagens”.

“A maioria delas são selfies”, pontua o fotógrafo, que registrou como poucos o dinamismo em torno da construção de Brasília, imortalizando momentos simples da vida da população, bem distante dos clichês arquitetônicos da capital. Ele, que capturou uma parte da história do Brasil com suas lentes, diz que “talvez um dia a história da fotografia será contada a partir dos selfies. Mas o grande problema vai ser processar uma quantidade de imagens absolutamente fora da capacidade humana de entender. São trilhões de fotografias. É uma coisa terrível, que nos assusta enormemente. Mas o trabalho continua”, defende.

Para ele, o mais importante para um fotógrafo é estabelecer um diálogo crítico com seu tema. “ É preciso levar em consideração a política do seu tempo, a luta eterna contra a intolerância, em favor dos direitos humanos e de uma menor desigualdade entre os países ricos e pobres. Nesse contexto todo, a arte e a fotografia são plataformas de resistência muito grandes”, finaliza.  

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