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Cultura

Pai da Nouvelle Vague, Godard é tema de retrospectiva na Cinemateca Francesa, em Paris

Áudio 07:06
Jean-Luc Godard (centro), Brigitte Bardot e Michel Piccoli durante as filmagens de "O Desprezo", em 1963.
Jean-Luc Godard (centro), Brigitte Bardot e Michel Piccoli durante as filmagens de "O Desprezo", em 1963. © Rome Paris Film - Films Concordia / DR

A Cinemateca Francesa, em Paris, realiza a Retrospectiva Jean-Luc Godard até o dia 1° de março. No total, cerca de 200 produções de um dos maiores cineastas contemporâneos são exibidos neste célebre espaço dedicado à Sétima Arte. O evento destaca obras de todas as fases do diretor franco-suíço – de seu primeiro longa-metragem "Acossado" (1960) até o premiado "Imagem e Palavra" (2018) – exibindo também curtas, documentários e publicidades dirigidas pelo gênio da Nouvelle Vague.

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Aos 89 anos, Godard ainda segue na ativa, o que motivou a Cinemateca Francesa a realizar essa homenagem. "Jean-Luc Godard é um dos últimos diretores da Nouvelle Vague que ainda está entre nós. Ele é um dos maiores diretores dos séculos 20 e 21. Também é importante que ele seja homenageado pela Cinemateca Francesa, que foi sua casa, sua escola", afirma a especialista em cinema de vanguarda Gabriela Trujillo, responsável pelo setor de Ação Cultural da instituição.

Trujillo destaca que o incansável diretor franco-suíço, responsável pelo surgimento de um dos principais movimentos culturais no pós-guerra, não parou de reinventar e revolucionar o cinema até hoje, influenciando gerações de cineastas de todo o mundo.

"Ele acompanhou todas as evoluções técnicas do cinema - desde a invenção da estética da Nouvelle Vague, mas também à passagem ao vídeo, à utilização de formatos de produção diferentes dos modelos tradicionais. Godard é um diretor que se tornou cada vez mais urgente para nós. Por isso a Cinemateca quis reprisá-lo a quem o conhece e apresentá-lo a quem não o conhece", reitera.

Homenagem à Anna Karina

Algumas das projeções da Retrospectiva Jean-Luc Godard são acompanhadas de encontros com personalidades do cinema francês - como Jean-Pierre Léaud, ator ícone da Nouvelle Vague, David Faroult, Jacques Aumont, entre outros. O evento também homenageia uma das maiores estrelas do cinema francês, Anna Karina, que faleceu em dezembro passado e seria uma das principais convidadas da retrospectiva.

"A Nouvelle Vague é a fase de Godard mais conhecida do grande público. Esse período se tornou um ícone e criou ícones, como Anna Karina, Jean-Paul Belmondo. E é justamente essa característica da criação de ídolos do pós-guerra, com toda essa energia de renovar o cinema, e toda essa dedicação à estética das imagens que influenciou cineastas do mundo todo", sublinha a responsável pelo setor de Ação Cultural da Cinemateca Francesa.

Segundo a especialista, as produções brasileiras tiveram forte influência de Godard, especialmente o Cinema Marginal, movimento entre o final dos anos 1960 e início dos anos 1970. "Todo o cinema latino-americano e dos países emergentes no final dos anos 1960 foram influenciados por Godard. Glauber Rocha chegou a atuar em um dos filmes de Godard, ‘O Vento do Leste’. O longa ‘O Bandido da Luz Vermelha’, de Rogério Sganzerla, faz claras referências a ‘O Demônio das Onze Horas’. E isso não se restringe às décadas passadas. Até hoje, vemos a influência do cineasta franco-suíço no cinema atual. A própria produtora de Tarantino foi batizada com o nome de um filme de Godard, ‘Bande à Part’ [Acossado]", enfatiza.

Entusiasmo dos espectadores

Trujillo reitera que, apesar do entusiasmo do público para assistir aos filmes da Nouvelle Vague, o objetivo da retrospectiva é ir além disso. "Sabemos que os filmes desta época são magníficos, mas os anos seguintes também são importantes - de 1970 até hoje".

De fato, o franco-suíço acumula mais de seis décadas de trabalho. Não é à toa que a Cinemateca Francesa fez a escolha de exibir trabalhos de todas as fases do cineasta, dos mais cults aos praticamente desconhecidos do grande público, abrindo espaço até mesmo às suas experiências com vídeo e produções de outros cineastas - como Win Wenders, Fabrice Aragno, Jean-Paul Fargier - centralizadas na vida e obra de Godard.

Gustavo Schettino, produtor cultural brasileiro radicado na França, assistiu à exibição de "A Gaia Ciência", no último fim de semana. Sócio da Cinemateca Francesa, ele fala sobre o sentimento de participar da Retrospectiva Godard.

“É um fenômeno. Um prato cheio não só para os profissionais e para o grande público: para quem não conhece e para quem já conhece poder rever os filmes de Godard. Sobretudo neste momento político que vivemos tanto na França quanto no Brasil”, avalia.

A estudante francesa Capucine, de 21 anos, realiza um mestrado em Indústrias Culturais e é uma grande fã de Godard. Após assistir à projeção de "A Chinesa", no último domingo, ela contou à RFI o que mais a atrai nas obras do cineasta franco-suíço.

"O que eu aprecio particularmente é sua construção de imagem. Quando Godard era jovem, ele estudou pintura e chegou a pintar várias telas. Por isso, a construção que ele faz de cada plano é como se fosse um quadro. É algo magnífico", observa.

Presença de Godard após projeção de "Imagem e Palavra"

A Retrospectiva Godard fica em cartaz na Cinemateca Francesa até o dia 1° de março, em Paris. O ciclo se encerra na presença do próprio cineasta, que conversará com o público após a exibição de "Imagem e Palavra", premiado com a Palma de Ouro Especial no Festival de Cannes de 2018.

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