Acessar o conteúdo principal
Cultura

Festival Internacional de Filmes de Música reverencia o punk em Paris

Áudio 05:23
Cena do filme "Jimmy is Punk", que faz sua estreia mundial no Fame 2020, o Festival Internacional de Filmes de Música de Paris.
Cena do filme "Jimmy is Punk", que faz sua estreia mundial no Fame 2020, o Festival Internacional de Filmes de Música de Paris. Divulgação

A 6ª edição do Festival Internacional de Filmes de Música, o Fame 2020, acontece a partir desta semana na Gaité Lyrique, no coração de Paris, um complexo de salas de concerto, cinemas e galpões dedicados à arte contemporânea, à música eletrônica, às comundades nômades digitais e a mostras fora do circuito tradicional. Este ano, o Fame presta homenagem a um movimento que transformou não apenas a música, mas toda a cultura de uma geração, o punk.

Publicidade

Depois de homenagear as artistas mulheres em 2019, o Fame reverencia o movimento punk com um panorama heterogêno, que conta com diversas estreias mundiais, e assina irreverência até na programação, da papisa do new wave, Lydia Lunch, ao genial mestre do afrobeats, Fela Kuti, passando pelo lendário voguing novaiorquino dos circuitos gays dos anos 1980 e o electro underground de John Carpenter, como conta um de seus programadores, Olivier Forest.

"Todos os anos há uma temática que atravessa o festival. Não a preparamos antecipadamente", conta. "Assistimos muitos filmes, e, nessa pré-seleção, vemos algumas linhas se desenhando. No ano passado, homenageamos as mulheres artistas e este ano focamos num aspecto do punk, com grandes figuras como Lydia Lunch, grande figura da new wave nova-iorquina, música, poeta e performer, que virá apresentar a première francesa de seu filme The War is Never Over", antecipa.

O festival traz também, pela primeira vez ao público parisiense, o filme Jimmy is Punk, película do diretor Duco Donk, sobre o concerto do grupo holandês Panic. "Se você só tivesse que escolher apenas um filme sobre o punk para assistir, enquanto movimento de libertação para a juventude, em termos de explosão, de alegria, de cólera e de exultação, escolha Jimmy is Punk. A gente entende tudo sobre a energia do movimento neste filme", aponta Forest.

Pluralidade

Lydia Lunch, papisa do No Wave, é uma das presenças confirmadas nesta 6ª edição do Festival Internacional de Filmes de Música de Paris, o Fame 2020.
Lydia Lunch, papisa do No Wave, é uma das presenças confirmadas nesta 6ª edição do Festival Internacional de Filmes de Música de Paris, o Fame 2020. Anders Thessing / RGB

Apesar da homenagem ao punk, a polifonia estética e o pluralismo dos filmes de música são uma característica importante do Fame, como conta o também programador Benoît Hické. "Começamos devagar, como a maioria dos festivais, mas, ao longo dos anos, vemos um público fiel que volta a cada nova edição. Sabendo também, é claro, que como são filmes sobre música, isso acaba também reunindo e gerando uma série de comunidades", diz o curador.

"Se projetarmos um filme sobre heavy metal sueco, teremos uma sala lotada de fãs desse registro, a mesma coisa se passarmos uma película sobre Fela Kuti, teremos outra sala cheia. Nosso objetivo também é criar um elo entre diferentes públicos, estéticas, ao mesmo tempo musicais e cinematográficas", diz Hické. "Queremos que não existam apenas nichos, mas grupos de fãs que se completem e sejam curiosos em relação aos outros, criando um percurso intrassonoro. Esperamos que essa nossa aposta para esse festival seja incorporada pelo público", torce o programador.

Do cinema para a pista de dança

Noite de abertura do Fame 2020, o Festival Internacional de Filmes de Música de Paris.
Noite de abertura do Fame 2020, o Festival Internacional de Filmes de Música de Paris. © Teddy Morellec

Para além dos telões, o Festival Fame 2020 deja levar seu público das salas de cinema direto para a pista de dança da Gaité Lyrique, no centro de Paris. "Somos um festival de cinema, de filmes sobre a música. Amamos buscar a energia da música no festival além das sessões nas salas de projeção. Às vezes amamos tirar o cinema da tela e, para isso, temos toda uma programação que se chama Fame Live, que chamamos de sessões performativas, onde músicos e diretores se apresentam com imagens projetadas, às vezes de modo imersivo, criadas exclusivamente para o Fame", detalha Olivier Forest.

"Este ano trazemos Epsilove, ex-grupo Syracuse, com uma performance hipnotizante digital; College, que vai prolongar a sessão do filme The Rise of The Synths com um DJ set e o Cosmic Neman, baterista do Zombie Zombie, que criou para o festival uma performance com vídeos inspirados na natureza, acho que será muito bonito", diz o programador.

O Festival Internacional de Filmes de Música de Paris, Fame 2020, fica em cartaz na Gaité Lyrique até o dia 16 de fevereiro.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.