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Elza Soares, 90 anos: “o melhor presente de aniversário seria ver esse país melhor”

Áudio 08:14
Saber lidar com os mais velhos. Saber lidar com o mundo. Acho que isso é importante.
Saber lidar com os mais velhos. Saber lidar com o mundo. Acho que isso é importante. © Pedro Loureiro

A cantora Elza Soares, que faz 90 anos nesta terça-feira, 23 de junho, continua ativa como sempre. Ela, que encarou a fome, a pobreza e tantas outras injustiças ao longo da vida, falou em entrevista exclusiva à RFI sobre temas como o racismo, o passar do tempo, o Brasil e sobre ser mulher num mundo machista. 

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Elza lança nos próximos dias nova versão de “Juízo final”, de Nelson Cavaquinho, e depois a inédita “Negão negra”.

Confira abaixo a entrevista na íntegra: 

Como é chegar aos 90 anos tão ativa e cantando?  

É chegar, né? A gente não sabe, a gente chega. 

Do que você tem saudade?

Saudade é uma palavra tão... Não sei se tenho saudade. Posso sentir falta, mas saudade, não. Posso morrer de tristeza, mas de saudade, jamais. Não sei, não sei. O resto, te juro, que não sei.

Qual seria o melhor presente de aniversário? 

É ver esse país melhor, é ver esse mundo melhor. Meu Deus do céu, tanta doença, tanta coisa ruim. Ver esse país limpo, livre, esse povo sem medo de tanta corrupção. Seria isso. 

Como lida com o passar do tempo?

Eu não sei. Vou vivendo, vou andando, né? Vou vivendo, vou andando, vou caminhando. O passar do tempo... Ele é que sabe como lidar comigo. 

O que aprendeu na vida que gostaria de dizer aos mais jovens – aos seus sobrinhos e netos?

Respeito, educação, ter dignidade, entendeu? Saber lidar com os mais velhos. Saber lidar com o mundo. Acho que isso é importante. 

Do que o Brasil precisa nesse momento?

O Brasil precisa disso que eu acabei de falar agora: dignidade, respeito, respeito, respeito. 

Qual música sua se aplica melhor ao momento atual vivido pelo Brasil?

São tantas... Mas acho que “A Carne” é a música que mais se aplica no momento. A carne mais barata do mercado, para mim, foi a carne negra. E complementando: “Juízo Final” (samba de Nelson Cavaquinho) diz assim (canta): “o sol ... há de brilhar mais uma vez”. Pronto. 

Foi a carne negra, não é mais? 

A carne mais barata do mercado foi a carne negra, porque a carne negra tomou consciência do quanto vale, do quanto é valorosa. Então, para mim, já foi, não é mais. Já foi.

O racismo está em evidência no Brasil e no mundo nesse momento. Você sempre lutou contra ele. O que mais precisa ser feito para combatê-lo?  Por que “a carne mais barata do mercado é a carne negra” continua tão atual?

Continuar lutando. A carne mais barata do mercado, para mim, foi a carne negra. Se assim não fosse, não estaríamos lutando contra isso, né? A gente está lutando para que isso melhore. Vamos ver como vai ficar, a coisa tem que melhorar. Tem que passar.  

Como a vida tratou Elza Soares - mulher e negra - nesses 90 anos?

Eu sempre usei luva de boxe. A gente vinha de lá... Eu com minhas luvas de boxe, entendeu? Golpeando, sendo golpeada, mas levando sempre a melhor. 

Como está sendo para você ficar em casa nessa quarentena? Como acha que vamos sair dessa experiência?

Gente, ficar em casa nessa quarentena é obrigação da gente, né? A gente sabe disso, que tem que ficar, e a gente fica numa boa. Como vamos sair, também não sei, temos que sair numa boa. Vou esperar.

Que mensagem você deixaria para os brasileiros, que vivem um momento tão difícil? 

Brasil, Brasil brasileiro. Minha gente, pelo amor de Deus, otimismo. Pra frente, acreditar, mais amor. É o que está faltando: muito amor. Vamos pra frente. Tudo passa. Tudo que é ruim passa. Tudo que é bom passa. Isso tudo vai passar e a gente vai viver num momento bem mais feliz. Vamos embora, minha gente.

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