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Síria/Petróleo

Ameaça de intervenção na Síria inflaciona mercado do petróleo

Plataforma de petróleo na Líbia: crise síria se junta a outras tensões regionais e apreensão do mercado inflaciona petróleo
Plataforma de petróleo na Líbia: crise síria se junta a outras tensões regionais e apreensão do mercado inflaciona petróleo REUTERS/Ismail Zitouny

A Síria não produz mais do que alguns milhares de barris de petróleo por dia, mas a perspectiva de uma intervenção militar internacional contra o regime de Bashar al-Assad afetou diretamente o preço do petróleo bruto, já que os investidores temem que a situação desestabilize todo o Oriente Médio.

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A Síria nunca foi um produtor importante - não extraía mais do que 380 mil barris diários antes da crise de 2011, volume que tombou para 39 mil, depois de dois anos de guerra civil -, mas alguns dos maiores atores do mercado energético estão envolvidos no conflito. De um lado, Rússia, China e Irã e do outro, Estados Unidos, Europa e Arábia Saudita.

Por isso, o barril do petróleo ultrapassou os US$ 3 na WTI, bolsa de Nova York, maior valor em 18 meses. Na Brent, de Londres, foi o maior preço desde fevereiro. De acordo com o analista da Price Futures Group Phil Flynn, "se a situação se degenerar e o conflito se expandir, não podemos descartar a possibilidade do barril atingir US$ 125 ou US$ 135".

Além disso, o contexto nos países vizinhos é tenso. Há a violência no Iraque, segundo maior produtor da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), que já fez retraírem as vendas de Bagdá, principalmente com os frequentes ataques contra o oleoduto que liga Kirkuk a Ceyhan, na Turquia. Ou as sanções contra o Irã, responsável por um terço da produção global, e as greves que derrubam as exportações líbias.

Mas o que os analistas podem prever a curto prazo é um aumento temporário do barril assim que acontecer a ofensiva. "Podemos ver o barril subir entre US$ 5 e US$ 10 de repente", estima Mike Wittner, da Société Générale. "Depois, o mercado esperará a reação do Irã para ter dimensão das perturbações sobre a produção na região".

Se a intevenção internacional se prolongar, há vários fatores que podem tensionar os investidores, afirma Wittner: "A Agência Internacional de Energia poderia, por exemplo, indicar que ela se prepara para usar suas reservas estratégicas e a Arábia Saudita poderia aumentar sua capacidade de produção".

Mas, Phil Flynn lembra que "historicamente, os preços do petróleo tendem a se normalizar quando o furor passa, já que os investidores obedecem à regra de comprar quando surge o rumor e vender quando o evento termina". Ele remonta à Guerra do Golfo, em 1990, quando os preços cresceram pouco antes do ataque e recuaram assim que caíram as primeiras bombas sobre o Iraque.
 

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