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Suíça/Fórum

Emergentes continuarão estratégicos após a crise, diz Dilma em Davos

A presidente Dilma Rousseff discursa no Fórum Econômico Mundial de Davos.
A presidente Dilma Rousseff discursa no Fórum Econômico Mundial de Davos. REUTERS/Denis Balibouse

Em sua primeira participação no Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, a presidente Dilma Rousseff disse nesta sexta-feira (24) que os países emergentes continuarão a ter um papel estratégico na economia global. Empresários brasileiros e executivos estrangeiros presentes na conferência reagiram de forma positiva ao discurso da chefe de Estado.

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Dilma iniciou seu discurso destacando que a crise mundial iniciada há cinco anos impôs a todas as economias a recuperação da confiança nos negócios. A saída da crise, a mais profunda e complexa desde 1929, requer um enfoque que privilegie não apenas o curto prazo, mas ações de médio e longo prazo, ressaltou a presidente. Segundo Dilma, "é apressada a tese de que, depois da crise, as economias emergentes serão menos dinâmicas", como defendem alguns especialistas.

"Estamos falando de países com as maiores oportunidades de investimento e consumo do mundo. Somos países que demandam infraestrutura logística diversificada, infraestrutura social, urbana, energia, petróleo, gás, minério, investimentos industriais e agrícolas. O horizonte dos emergentes aponta na direção das oportunidades. É imprescindível resgatar horizonte de médio e longo prazo para garantir crescimento das diferentes economias", enfatizou.

Deborah Berlinck, correspondente do jornal O Globo, especial para a RFI

Dilma chamou a atenção para a alta mobilidade social nos emergentes. Ela citou o crescimento da classe média no Brasil, de 37% em 2003, para 55% atualmente. "A renda per capita mediana das famílias brasileiras cresceu 78% no mesmo período", acrescentou, para reafirmar que as economias emergentes são mercados de consumo de massas que guardam grandes oportunidades de negócios.

A presidente afirmou que o Brasil não está descuidando dos fundamentos macroeconômicos. "A inflação permanece sob controle desde 89 e segue o regime de metas. Os resultados estão dentro do limite do regime monetário", disse.

Ela lembrou que "as elevadíssimas taxas de inflação dos anos 80 e 90 nos ensinou o poder destrutivo do descontrole de preços". E acrescentou: "a estabilidade da moeda é hoje um valor central da nação".

Dilma garantiu que as despesas do governo federal em seu mandato estão sob controle, com "melhora qualitativa" das contas nos últimos anos, o que implicou uma diminuição da dívida do setor público, que caiu para 34% do PIB no ano passado.

"Creio que temos um dos menores índices de endividamento do mundo. Olhando para o futuro, vamos aprimorar o controle das contas estaduais e municipais e fortalecer o preceito da responsabilidade fiscal", prometeu.

Reações

Executivos de empresas brasileiras, como Bradesco, Embraer e Itaú, saíram da sala dizendo-se convencidos de que a direção do governo é correta. Do lado dos estrangeiros, a reação, em geral, foi positiva, mas com algumas ressalvas. Gerard Hartsink, por exemplo, presidente do banco CLS International, afirmou que continua muito positivo em relação ao Brasil, mas disse que a economia ainda não esta aberta e há barreiras para investidores estrangeiros.

Antes de fazer seu pronunciamento, Dilma se reuniu com o presidente da Saab, Hakan Buskhe. Eles discutiram detalhes do contrato de fornecimento dos 36 caças comprados pelo Brasil da empresa sueca para renovar a frota da FAB.

Depois de seu discurso, Dilma participa de um encontro com o Conselho Internacional de Mídia do Fórum Econômico Mundial e mantém audiências com vários executivos − Carlos Brito, CEO da AB InBev; Thomas Montag, CEO do Bank of America Merrill Lynch; Paul Polman, diretor-executivo da Unilever; e Joseph Jimenez, diretor-executivo da Novartis. A presidente retorna a Zurique às 21h30 (18h30 em Brasília).

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