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Brasil/ economia

BNDES espera “competição acirrada” de estrangeiros por concessões no Brasil

Diretor de Comércio Exterior do BNDES, Luiz Eduardo Melin, esteve em Paris nesta terça.
Diretor de Comércio Exterior do BNDES, Luiz Eduardo Melin, esteve em Paris nesta terça. Flickr/Agência Senado

O diretor de Comércio Exterior do BNDES, Luiz Eduardo Melin, afirmou nesta terça-feira (17) em Paris esperar que a consolidação do modelo de concessões de obras de infraestrutura no Brasil atraia os investidores internacionais. “Minha expectativa pessoal é de que vamos ter uma competição cada vez mais acirrada dos investidores estrangeiros pelas concessões no Brasil”, destacou.

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Paris foi a parada mais recente de um giro mundial que o diretor de Comércio Exterior do BNDES, Luiz Eduardo Melin, está fazendo para atrair capital do exterior. Depois de passar por Inglaterra, Senegal e Turquia, e antes de seguir para Hong Kong e Nova York, o diretor veio explicar aos franceses os detalhes da conjuntura econômica brasileira atual e os potenciais de negócios no país.

A palestra, organizada pela Câmara de Comércio França-Brasil, aconteceu na embaixada brasileira em Paris. Melin destacou que o país precisa de mais investimentos para sustentar o crescimento econômico, e uma das portas abertas é o aumento da inovação. Em sua palestra, ele explicou que os leilões de concessão para grandes obras de infraestrutura, como as rodovias, amadureceram no Brasil, depois que “o governo entendeu” que sem um modelo vantajoso para as empresas, “o país não vai atrair capital”.

“Todo o processo de implementação de uma nova política passa por uma fase de construção inicial em que precisam ser feitos ajustes. O governo brasileiro escolheu um modelo próprio de concessão, que tem como principal ponto de apoio a noção de modicidade tarifária”, explicou, em entrevista à RFI. “Hoje, o Brasil está bastante experiente na construção dos modelos de concessão para os diversos setores. Atualmente, o BNDES tem recebido um interesse muito intenso de empresas estrangeiras em participar dos leilões de concessões no setor de energia”, sublinhou.

O diretor de Comércio Exterior lembra que os investidores estrangeiros também poderão ajudar a capitalizar o próprio Banco Nacional de Desenvolvimento. “Acreditamos que, de maneira bastante gradual, nos próximos anos será mais comum do que foi no passado de o BNDES levantar fundos junto aos mercados internacionais. Através disso, poderemos diversificar a nossa base de capital”, explicou.

Real apreciado

Melin defendeu ainda uma queda mais acentuada do real em relação ao dólar. “Eu diria, em uma opinião pessoal, que o real poderia depreciar mais. Em termos históricos, ainda está apreciado”, declarou.

Diante de uma plateia formada por representantes de grandes empresas francesas, como Casino e GDF-Suez, o diretor se esforçou para dissipar a nuvem de notícias negativas que paira sobre a economia brasileira nos últimos meses, puxada pela queda do crescimento. Ele observou que apesar de a alta da inflação preocupar, o índice permanece dentro da meta estabelecida pelo governo.

Melin destacou que “ninguém está desistindo de investir no Brasil por causa de rumores ou de notícias exageradas” sobre a economia brasileira. “Isso não está ocorrendo, pela razão muito simples de que as empresas do setor de petróleo e gás, por exemplo, sabem que o Brasil está indo bem neste setor, assim como as de rodovias ou indústrias.”

Interesse francês

O presidente da Câmara de Comércio França-Brasil, Philippe Lecourtier, também acredita no potencial do Brasil. Lecourtier constata que as empresas francesas permanecem interessadas em investir no país.

“O Brasil está sofrendo os efeitos de uma conjuntura, que certamente não vão afetar os fundamentos dessa economia que está em mutação, em progressão. O crescimento não é sempre linear”, disse. “O que é importante é que existe uma vontade política muito clara de todos os últimos governos brasileiros de aumentar a taxa de poupança e de investimentos”, lembrou Lecourtier.
 

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