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Economia

Empresas francesas se abrem para turismo alimentar

Áudio 04:09
Visita da fábrica de chocolate de Beussent-Lachelle, no norte da França.
Visita da fábrica de chocolate de Beussent-Lachelle, no norte da França. Chocolat-de-Beussent-Lachelle

Depois do escândalo da carne de cavalo vendida como se fosse bovina, cada vez mais os produtores franceses abrem as portas para o turismo alimentar, em troca de mais transparência. Os consumidores ficam mais seguros e dispõem de uma nova alternativa de passeio em família, enquanto as empresas melhoram a imagem junto ao público e ampliam as vendas diretas para os clientes.

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As visitas podem ocorrer diariamente ou com hora marcada, ser gratuitas ou pagas. O importante é mostrar os bastidores da fabricação e, se possível, oferecer uma degustação dos produtos no final do trajeto. A cada ano, as 100 empresas de alimentos mais procuradas na França recebem 4,4 milhões de pessoas, de acordo com a Associação da Visita Empresarial (AVE), uma organização que reúne em um site as alternativas de passeios em cada região do país.

“Hoje temos muitos consumidores que têm vontade de visitar as empresas e, em especial, as de alimentos, um setor sobre o qual pesa muita desconfiança. Para os clientes, é uma maneira de ter certeza sobre forma como é fabricado o que eles comem”, observa Anne Aubineau, presidente da Agência de Desenvolvimento da Visita Empresarial (Adeve). “E as empresas sentem a necessidade de mostrar todo esse processo para os consumidores, mostrar como elas trabalham. Receber o público é cada vez mais importante para.”

Nem todos querem mostrar bastidores

Na França, as produtoras que mais atraem curiosos são as de queijos, vinhos, doces e chocolates. Nem todos os setores estão dispostos a se transformar em uma atração turística. Os fabricantes de salames, por exemplo, tem resistência, mas Anne garante que, para cada caso, há uma solução - basta fazer uma boa preparação sobre como mostrar cada etapa da produção. As vantagens para a imagem são inegáveis e as vendas também ganham um empurrão.

“Ao acabar a visita, em 99% dos casos tem uma loja onde os visitantes podem comprar diretamente os produtos. E eles compram mesmo, afinal viram com os próprios olhos como tudo foi fabricado”, afirma. “Essa nova frente, para as empresas, é extremamente lucrativa.”

Aqueles que abrem as portas gostam de colocar em evidência o processo artesanal da produção e a origem local das matérias-primas, valorizando o terroir. É o caso da Biscoiteria du Fort Bloqué, na Bretanha, conhecida pelo folheado kouign amann, tradicional da região. A gerente Delphine Vannoote começou as visitas neste verão e se surpreendeu com o resultado.

“Começou aos poucos, de leve, com duas ou três pessoas por dia. Depois explodiu, com 40 até 50 pessoas de uma só vez. E agora as pessoas, sejam da região ou turistas, já sabem que isso existe”, conta. “De boca em boca, a notícia se espalhou e sempre tem gente, todas as tardes, para assistir à fabricação do kouign amann.”

Investimentos em turismo

Há também quem tenha investido pesado para fazer do turismo uma atividade complementar da fábrica. No sul da França, Maurice Farine dirige a Doceria du Roy René, especializada em calissons d’Aix-en-Provence e torrones. Ele reformou a empresa, aliando a arquitetura tradicional ao que há de mais moderno em desenvolvimento sustentável, e agora espera receber 100 mil visitantes por ano a partir de 2019.

“A minha fábrica não tinha nada demais. Se eu quisesse atrair os turistas, seria preciso ter uma história para contar, então eu construí um prédio com uma história interessante”, comenta. “Existe um processo industrial relativamente complexo, realizado há 200 anos da mesma maneira. Por isso, eu pensei que, ao mostrar aos clientes como se fabrica o calisson, eles vão compreender por que o meu calisson não é um produto comum.”

Além do setor de alimentos, qualquer tipo de fábrica também pode aderir a essa iniciativa, desde as de calçados até usinas de energia. Por enquanto, a maioria das participantes são pequenas e médias empresas, mas a Avene espera atrair as grandes companhias francesas, como as usinas de energia, para esse filão.
 

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