Acessar o conteúdo principal
Economia

Convergência entre Aécio e Marina em política econômica é “completa”

Áudio 04:09
Aécio Neves deve investir críticas à gestão de Dilma no combate à alta da inflação.
Aécio Neves deve investir críticas à gestão de Dilma no combate à alta da inflação. Flickr/ Creative Commons

O segundo turno das eleições presidenciais vai apresentar aos eleitores do Brasil duas visões de política econômica, em que a balança é o peso do Estado na economia, e não a importância das políticas sociais, na opinião de especialistas ouvidos pela RFI Brasil. Neste contexto, o apoio de Marina Silva deve ir para Aécio Neves, do PSDB, embora a candidata que ficou em terceiro lugar na disputa tenha feito carreira no Partido dos Trabalhadores, de Dilma Rousseff.

Publicidade

Não apenas a mágoa pessoal de Marina com lideranças do PT, incluindo a presidente, deve empurrar a pessebista para o lado dos tucanos no segundo turno. O economista Marcos Fernandes, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), avalia que, ao longo da campanha, os dois candidatos apresentaram propostas semelhantes, que devem se cristalizar em um eventual governo Aécio com o apoio de Marina.

“No campo econômico e no campo das políticas sociais, a convergência é absoluta. Nesse sentido, e também no de políticas ambientais, a aproximação entre os dois é natural”, observa.

O consultor Marcelo Allain, que também é professor de Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da USP (Fipe), afirma que existem “pequenas diferenças” entre os dois opositores a Dilma - mas são pontos de fácil negociação em vistas a um acordo.

“A visão de política econômica que a Marina apresentou no programa é bem próxima a do PSDB. Há pequenas diferenças, como por exemplo a Marina apoiar um Banco Central independente, e Aécio fala mais em autonomia operacional. Na política fiscal, a ideia dos dois é ajustar as contas públicas”, comenta. “Também vejo convergências nos planos deles de estímulos aos investimentos em infraestruturas através de concessões de parceria público-privadas. E na parte de combate à inflação, há uma preocupação de ambos com o fato de que as expectativas de inflação estão se consolidando em um patamar alto demais”, diz Allain, lembrando que ambos defendiam uma meta da inflação de 4,5%, que poderia ser reduzida ainda mais até o fim do mandato.

Estratégias

Os dois economistas apostam que, como estratégia de campanha, a atual presidente vai tentar convencer os eleitores de que o tucano pretende acabar com os programas sociais. Já Aécio deve se focar nas críticas à gestão econômica de Dilma, em especial no aumento da inflação e no baixo crescimento, temas de difícil compreensão pelo eleitorado.

“A população em geral não entende o que é política fiscal, monetária ou tripé macroeconômico. Mas ela entende o que é inflação, porque pega no bolso das pessoas. Ela também entende o que é crescimento baixo, porque já começa a perceber que existe perda de empregos em alguns setores da economia brasileira, ou pelo menos os riscos”, destaca Marcos Fernandes. “A percepção dos eleitores é muito mais empírica e prática, diferente do que dizem os analistas. Mas ela existe.”

Como Fernandes, Marcelo Allain discorda que o embate do segundo turno seja entre uma candidata mais apegada aos programas sociais do que o outro. Para ele, o verdadeiro diferencial entre Dilma e Aécio é o peso dado ao Estado na economia.

“Eu acho que o confronto não é entre uma visão social versus a liberal. O confronto é entre uma visão intervencionista, que acha que o Estado tem condições de controlar o processo econômico, e uma visão mais liberal”, disse. Para o analista, Aécio trabalharia tanto quanto Dilma para manter e melhorar os indicadores sociais.

Mercados animados

Nesta segunda-feira, o mercado financeiro se mostrou animado com os resultados do primeiro turno. Os investidores não escondem o descontentamento com o governo atual e têm esperanças de mudanças.

“A notícia do segundo turno com uma diferença de apenas oito pontos está tendo um reflexo positivo no mercado, seja no dólar, na taxa de juros. A volatilidade tende a ser forte nos próximos dias, dependendo de cada número que for divulgado”, Márcio Cardoso, sócio-diretor da corretora Easynvest. “Na medida em que há uma possibilidade de mudanças, os agentes econômicos e, de uma maneira geral, os participantes do mercado, vão expressar esse sentimento através dos preços.”

Ontem, a Bovespa chegou a ter alta de 7,8%.

 

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.