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Economia

Apesar de recuo do Syriza, gregos comemoram negociações com zona do euro

Áudio 04:00
REUTERS/Yves Herman

O novo governo grego assumiu há menos de um mês e já se viu confrontado às saias-justas da real politik. Na campanha eleitoral, então candidato Alexis Tsipras prometia que iria livrar o país da troika de credores que concederam o resgate financeiro a Atenas, no auge da crise. Mas nesta semana, o primeiro-ministro se vê acertando os detalhes do prolongamento da ajuda com os parceiros da zona do euro, uma situação que causou desconforto a uma parcela da esquerda grega.

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Diante do recuo, Manolis Glezos, uma figura histórica dos socialistas no país, pediu “desculpas ao povo grego por ter participado da ilusão” do fim da austeridade, a principal promessa do partido de extrema-esquerda Syriza.

Nesta terça-feira, a zona do euro avalia o plano de reformas apresentado pelo governo grego, em troca de mais quatro meses de financiamento internacional. Sem o auxílio, Atenas não conseguiria honrar os compromissos financeiros, uma situação que reabriria o fantasma da saída da Grécia da lista de países que adotam a moeda única europeia.

Os eleitores que colocaram o Syriza no poder mantêm o apoio ao premiê, mas veem o recuo do governo com cautela. O biólogo Kostis Damianakis votou em Tsipras e avalia que, pela primeira vez, os gregos estão sendo ouvidos pelas lideranças europeias. “Uma negociação está acontecendo, algo que nunca houve no passado. Existe uma esperança de que esse esforço do governo grego para defender a dignidade do povo está dando algum resultado - não tão bom quanto o povo está exigindo e merece, mas pelo menos a equipe de negociação, liderada pelo ministro de Economia Yanis Varoufakis, está tentando ao máximo salvar o que ainda dá para ser salvo da economia e da sociedade gregas”, afirma.

Margem de manobra estreita

O plano de reformas insiste na luta contra a sonegação fiscal e a corrupção, de maneira a abrir mais flexibilidade para os gastos sociais. Mas a margem de manobra do governo grego é limitada – Atenas se comprometeu a não perder o controle das contas públicas e seguir em busca do equilíbrio orçamentário. A zona do euro impõe que o déficit público não ultrapasse 3% do PIB.

“Eu não diria que já existe uma decepção. O povo reconhece que há um grande esforço”, sublinha Damianakis. “O resultado das reuniões com o eurogrupo e o acordo não satisfazem todas as exigências do governo e do povo gregos. Isso é uma realidade. O que existe é uma certa ansiedade, porque a Grécia está sozinha nessa luta e talvez não consiga alcançar todos os objetivos que foram propostos na campanha.”

Limites da austeridade

Ao conceder a possibilidade de os gregos apresentarem o próprio plano de reformas, os europeus demonstram uma sensibilidade à degradação social na Grécia. Além da própria crise econômica e financeira, os cortes drásticos no orçamento e nas pensões aumentaram a pobreza no país, uma situação que se repete na Espanha e em Portugal. Para Damianakis, a austeridade atingiu os limites nestes países.

“Mesmo que isso não seja reconhecido pelos governos na União Europeia, temos a sensação de que os povos, principalmente dos países do sul da Europa, entendem muito bem que essa austeridade imposta à Grécia tem causado um estrago histórico nas nossas estruturas sociais e na nossa economia”, ressalta.

A aprovação do plano grego de reformas é o primeiro passo da mudança da condução da economia do país sob o resgate internacional. O projeto ainda precisa passar pelos Parlamentos dos membros da zona do euro.

A votação deve ocorrer sem percalços na maioria dos casos, à exceção da Alemanha, que se opõe à flexibilização das regras orçamentárias em vigor em Atenas.
 

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