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Economia

Sem mudança da Argentina, acordo com União Europeia não deve avançar

Áudio 04:21
Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, em foto de 2014.
Dilma Rousseff e Cristina Kirchner, em foto de 2014. REUTERS/Enrique Marcarian

As delicadas negociações de um acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul serão, mais uma vez, reabertas nesta semana, em uma reunião de alto nível em Bruxelas. Enquanto o Brasil e o Uruguai demonstram mais empenho em resolver o impasse, a Argentina segue inflexível na sua posição contrária à queda das barreiras comerciais com o bloco europeu. Em meio a uma crise política e econômica, Buenos Aires teme ser prejudicado pelo acerto.

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Nas últimas semanas, os países do Mercosul tentam chegar pelo menos a uma posição comum sobre o futuro das negociações. A definição de um calendário de ação já seria uma vitória da reunião prevista para ocorrer nesta quinta-feira, na Bélgica.

O encontro vai acontecer à margem da 2ª cúpula entre os líderes do bloco europeu e da Celac (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos). A presidente Dilma Rousseff confirmou presença no evento e declarou que o avanço sobre o acordo com os europeus é “uma prioridade” do governo. Antônio Alves dos Santos, coordenador de Comércio Internacional da PUC-SP, está pessimista sobre o avanço do diálogo até as eleições presidenciais na Argentina, previstas para outubro.

“Eu não espero grandes avanços porque o verdadeiro problema ainda se mantém: a oposição da Argentina. O governo Dilma tem demonstrado interesse em fazer avançar as negociações, mas sem mudança de opinião da presidente argentina, há muito pouco que possa ser feito”, afirma.

O economista observa que está caindo o tabu sobre um acordo que não envolva todos os países do Mercosul, em uma negociação que passaria a ser bilateral entre o bloco e Brasília. Mas para Alves, as chances de que esse passo seja dado são reduzidas, devido ao custo político na região. “Tanto o Uruguai quanto o Brasil sinalizaram estar dispostos a fazer acordos fora do Mercosul. Mas a gente não pode esquecer que, além de ser um acordo econômico, o Mercosul é um acordo político no qual se expressa a hegemonia do Brasil não apenas no Conesul como em toda a América Latina”, explica. “A Argentina sabe disso, e acaba pressionando o governo brasileiro.”

Acordo diferenciado

O professor da UNB Alcides Costa Vaz, especialista em comércio internacional e integração regional, concorda que, a curto prazo, não há perspectivas de evolução na proposta do Mercosul, aguardada pelos europeus. Bruxelas avalia que há falta vontade política dos latino-americanos para concluir o acerto.

Vaz considera que, passados 15 anos de negociações, a única saída seria um acordo com responsabilidades diferenciadas para a Argentina - com velocidades, compromissos e condições de implementação diferentes das do Brasil, Uruguai e Paraguai.

“Permitiria uma saída honrosa à negociação, mas do ponto de vista da qualidade de um acordo entre blocos, haveria um déficit. Seria quase como aceitar um fracionamento do Mercosul a esse respeito, por uma questão pragmática, de levar ao desfecho uma negociação que vem se arrastando”, analisa. “Você mantém a roupagem de um acordo inter-regional, mas com um bilateralismo incrustado.”

Vaz ressalta que, em um momento de crise econômica e popularidade em baixa, o governo brasileiro precisa dar sinais de que está empenhado em ampliar os mercados para os produtos manufaturados brasileiros, que hoje praticamente só são exportados para os vizinhos. A aproximação com os Estados Unidos está a pleno vapor.

“Seria importante para descaracterizar a ideia de que não conseguimos fechar nada com parceiros importantes porque o Mercosul é um escolho, um impedimento. O governo brasileiro está tentando construir uma lógica para poder reverter essa leitura de que o país está isolado, marginalizado, e que isso se deve ao Mercosul”, sublinha.

A reunião dos chanceleres do Mercosul com a comissária europeia de comércio, Cecilia Malmstrom, será o primeiro em nível ministerial desde janeiro de 2013.
 

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