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Economia

Escândalos na Petrobras amplificam demissões por queda do preço do petróleo

Áudio 04:33
Extração de petróleo na plataforma Sevan Piranema, na Bacia Sergipe-Alagoas.
Extração de petróleo na plataforma Sevan Piranema, na Bacia Sergipe-Alagoas. Foto: Geraldo Falcão / Banco de Imagens Petrobras

O preço do barril de petróleo caiu pela metade nos últimos 12 meses, e a tendência não é de voltar a subir até o final do ano. A despencada gera uma onda global de demissões no setor: mais de 150 mil empregos já foram cortados. No Brasil, as investigações de corrupção na Petrobras fazem com que o impacto seja maior, devido à suspensão de contratos com empreiteiras suspeitas de participarem do esquema de desvios na estatal.

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A diminuição da atividade petrolífera se repete na maioria dos grandes países produtores: Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretanha, Austrália, Índia e Nigéria, para citar apenas alguns. A gigante ExxonMobil, por exemplo, acaba de assinalar os piores resultados em seis anos. Com o adiamento dos grandes projetos, os empregos são sacrificados.

No Brasil, no entanto, está difícil separar o contexto internacional da limpeza feita na maior companhia de exploração de petróleo do país, a Petrobras. A operação Lava Jato é ainda mais danosa no cenário nacional do que a diminuição no valor do óleo negro, na avaliação do coordenador do Grupo de Estudos sobre o Setor Elétrico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Nivalde de Castro.

“O setor de petróleo e gás no Brasil está em uma situação muito pior do que a média mundial. Estavam previstos investimentos bilionários no pré-sal, de quase US$ 300 bilhões nos próximos cinco anos”, avalia. “A queda do preço do petróleo diminuiu a receita esperada e, consequentemente, induz a uma necessidade de revisão dos investimentos.”

Rio de Janeiro sofre as consequências da dependência

O Estado do Rio de Janeiro é o que mais tem sofrido as consequências da baixa da atividade ligada ao petróleo. A capital fluminense liderou o ranking das cidades que mais fecharam postos de trabalho no primeiro semestre, num total de 36,6 mil demissões.

O economista Jean-Paul Prates, diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne), lembra que, além de concentrar a maioria das plataformas de exploração brasileiras, é no Rio de Janeiro que ficam as sedes das empresas investigadas no escândalo. “É uma cidade que se tornou altamente dependente do petróleo, tanto quanto Huston, nos Estados Unidos”, afirma.

Por enquanto, é delicado avaliar se o impacto será passageiro ou permanente. Prates considera que, quando o furacão Lava Jato passar, a Petrobras poderá se beneficiar com um novo sistema de contratações de empregados.

“Há uma certa paralisação do processo de contratação e revisão de contratos – o que, na minha opinião, é bom, porque é uma limpeza das relações contratuais, que andavam muito concentradas em quatro ou cinco contratadores guarda-chuva, a quem todos tinham de recorrer para ser contratados pela Petrobras”, explica o diretor do Cerne.

Metas caíram pela metade

A meta de produção de petróleo pela Petrobras já caiu quase pela metade, em relação aos 4 milhões de barris projetados até 2020. Atualmente, o barril é cotado a US$ 47,5. Castro observa que os investimentos no pré-sal também foram duramente afetados.

“Tem um efeito quase destruidor em toda a cadeia produtiva. Você tem uma paralisação dos investimentos em curso porque todos estão sob suspeita de corrupção”, lamenta o professor da UFRJ. “O preço do petróleo em queda pode até ser precificado, mas o da operação Lava Jato, por ter um impacto político muito grande, não. Isso faz com que não se tenha mais previsão de nada, o que coloca uma variável de incertezas muito grande.”

Otimismo

Prates ressalta que a tendência do setor de petróleo e gás é de expansão no Brasil, e aposta em uma melhora do cenário a partir de 2016 - à condição que o valor do óleo negro volte a subir. “Eu confio que o impacto será temporário. Mas se em 2016 ou 2017 os indícios forem de que os preços internacionais de petróleo vão se manter a um nível abaixo de US$ 70, haverá uma nova revisão de planos brasileiros que poderá prever plano de demissões por causa do petróleo baixo”, destaca.

Na semana passada, a Shell anunciou a demissão de 6,5 mil funcionários. A britânica Centrica vai cortar 4 mil postos e a italiana Saipem vai demitir 8 mil pessoas.

 

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