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Economia

Preço baixo do petróleo não ameaça futuro do pré-sal, dizem analistas

Áudio 03:57
Campo de Libra, no Rio de Janeiro, é a joia do pré-sal.
Campo de Libra, no Rio de Janeiro, é a joia do pré-sal. Ministério do Planejamento/Creative Commons

O preço do petróleo no mercado internacional não para de cair: a semana começou com o barril negociado a US$ 47. O valor pouco rentável tem levado as companhias do mundo todo a rever os seus projetos. No Brasil, é o pré-sal que sofre os maiores impactos, por ter custos de produção mais elevados que os do petróleo convencional.

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O plano de negócios da Petrobras até 2019 prevê que um valor abaixo de US$ 45 colocaria a viabilidade do pré-sal em dificuldades. Mas para Ildo Sauer, ex-diretor de gás e energia da estatal, não há razão para temer pelo futuro do projeto mais ambicioso do país.

“Para a Petrobras, não há dúvida de que o melhor é que o barril volte a US$ 80. Mas US$ 45 não é um número mágico que inviabilize a produção. Pelo contrário: é uma referência para analisarmos os custos de quando o petróleo estava a US$ 100”, explica. “Agora, os custos também baixaram, porque as plataformas ficam mais baratas, assim como os equipamentos e materiais, porque os investidores que seguiam pela exuberância do preço saíram do mercado.”

Alguns fatores amenizam as perdas geradas pela queda do barril de petróleo. Na medida em que a Petrobras ganha experiência na extração do óleo do pré-sal, os valores envolvidos na produção ficam mais competitivos. A estatal anunciou que os custos têm caído 10% ao ano, e os de perfuração dos poços diminuíram pela metade desde 2010.

Mostrar que vale a pena

Na opinião de Jean-Paul Prates, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), a companhia deveria se esforçar mais para recuperar a confiança dos investidores, afetada pelos escândalos de corrupção. Ele destaca que, com o preço em queda ou em alta, o pré-sal vai permanecer atraente pelo seu potencial de ganhos futuros.

“Essas reservas não vão se esgotar, não vão explodir nem evaporar. Elas estão lá. O importante é não parar a produção que viabiliza ganhos em grande escala”, destaca Prates. “Parar totalmente significaria jogar fora todos os ganhos tecnológicos e de logística que houve até agora.”

Alguns especialistas, como Adilson de Oliveira, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), avaliam que o governo deveria rever as regras de participação de empresas estrangeiras nas licitações no setor. O objetivo seria aumentar a atratividade, em um momento em que a capacidade de investimentos da própria estatal está prejudicada.

“São dois os pontos que preocupam os investidores no pré-sal. O primeiro é o fato de a Petrobras ser a operadora única. As empresas de grande porte, como a Shell e a Total, consideram isso uma dificuldade porque elas têm muita experiência no assunto e têm todo um conjunto de fornecedores que são seus parceiros tradicionais, nos quais elas têm confiança”, afirma Oliveira. “A segunda questão é a política de conteúdo local que o governo adotou, que faz com que as empresas devam comprar boa parte dos seus equipamentos no mercado brasileiro.”

Disputa mundial por petróleo

Ildo Sauer, que dirige o Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP), ressalta que o Brasil está sofrendo as consequências de uma guerra geopolítica global em torno do preço do petróleo. De um lado, estão os países-membros da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) e a Rússia, e do outro, encontram-se os Estados Unidos e a China.

“Só que o comando dessa guerra está com a Opep e a Arábia Saudita, não com os outros. Me parece que eles estão fazendo um jogo de amedrontar as energias renováveis ou não-convencionais, especialmente o shale gas, e as novas fronteiras de petróleo, como o pré-sal”, ressalta o professor. “É um teste para saber quem resiste neste contexto de US$ 45 ou mesmo US$ 30 – o que não é inviável pensar que aconteça no futuro.”

Efeito do câmbio

Os especialistas avaliam que a desvalorização do real em relação ao dólar amortiza apenas parcialmente as perdas pela queda do barril de petróleo. Como a maior parte da dívida da Petrobras está na moeda americana, o valor explodiu junto com a alta do dólar.
 

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