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Economia

Olimpíadas não levantam a economia, mas favorecem o Rio

Áudio 05:46
Ampliação da rede de transportes é o principal legado dos Jogos do Rio de Janeiro.
Ampliação da rede de transportes é o principal legado dos Jogos do Rio de Janeiro. JP Engelbrecht/ PCRJ

Por mais atrapalhada que seja a reta final para a realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, os benefícios do evento para a cidade são visíveis. Nem todas as promessas saíram do papel, mas o evento em si anima a economia local e deixa um legado importante para os moradores. Os efeitos para o Brasil, porém, são mais limitados – as Olimpíadas são insuficientes para ajudar o país a sair do marasmo instalado pela recessão.

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Hotéis e restaurantes estão entusiasmados para receber os 500 mil visitantes esperados durante as Olimpíadas e Paralimpíadas, a partir de 5 de agosto. O número de quartos na cidade dobrou, suprindo uma carência antiga do Rio. Já o comércio conta com um aumento de 5% das vendas na véspera e durante o evento, incluindo a saída do material esportivo e de torcida que havia ficado “encalhado” na Copa do Mundo.

Para os cariocas em geral, o legado mais relevante terá sido o aprimoramento do sistema de transportes da cidade, com a ampliação da linha 4 do metrô, dos BRTs (ônibus rápidos) e dos meios de acesso ao aeroporto Santos Dumont, pelos VLT (veículos leves sobre trilhos). As obras ainda não estão concluídas – o que deve ocorrer até quatro dias antes da cerimônia da abertura, segundo previsão da prefeitura.

O presidente da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), Eduardo Eugenio Gouvêa Vieira, está convencido de que o evento terá trazido avanços marcantes para a cidade. “O novo redesenho do centro da cidade do Rio de Janeiro está uma maravilha, não apenas de infraestrutura, mas de espaços para a sociedade e a população, com museus contemporâneos. É outra fotografia do Rio, que nós não conhecíamos e estamos começando a conhecer”, constata. “O transporte de massas talvez seja a coisa mais importante, para que as pessoas tenham um nível de vida um pouco mais adequado.”

Impacto nas contas do Rio

O pesquisador do Comitê Olímpico Internacional (COI) Lamartine Pereira da Costa, um dos mais respeitados especialistas em Jogos Olímpicos do Brasil, observa que fazia 30 anos que o Rio de Janeiro não tinha obras de infraestrutura de grande porte. Ele afirma que o impacto nas contas públicas foi limitado porque, pela primeira vez, o Parque Olímpico foi quase inteiramente financiado pela iniciativa privada. Costa rejeita a afirmação de que os Jogos ajudaram a arruinar os cofres do governo do Estado.

“A participação do governo estadual foi muito reduzida e não foram os Jogos que causaram problemas para eles, porque eles nem gastaram dinheiro com isso. Eles não têm a mesma participação da prefeitura e do governo federal”, indica. “Pelo projeto, eles estavam encarregados da limpeza da Baía de Guanabara e mais duas ou três incumbências. Mas eles não se deram bem em nenhuma delas. A baía não foi limpa”, diz o pesquisador, que leciona na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Em relatório recente sobre o assunto, a agência de classificação de riscos Moody’s lembrou que foram investidos cerca de R$ 25 bilhões na preparação da cidade e região para as Olimpíadas, com os projetos de infraestrutura de rodovias, portos e outros. O valor não inclui os investimentos nas instalações esportivas – as que correm o sério risco de se tornaram "elefantes brancos", na opinião de Costa.

“A grande pergunta a ser feita é como administrar o legado esportivo dos Jogos Olímpicos de 2016. A capacidade gerencial de grandes instalações esportivas é falha no Brasil. Em Atenas, por exemplo, houve um abandono, uma situação que pode se repetir no Brasil”, adverte o professor.

Oportunidades de negócios futuros

Já os benefícios para o Brasil são mais limitados. A Moody’s considera que os Jogos terão efeito “neutro” na avaliação do crédito do Brasil, uma vez que a recessão que atinge o país não deve nem piorar, nem melhorar em função da realização do megaevento esportivo.

Vieira está confiante que, se o Rio conseguir fazer uma boa realização das Olimpíadas, será uma vitrine para atrair novos investimentos para o Brasil nos próximos anos. “Bilhões de pessoas vão estar olhando o Rio e vão se interessar por aquela natureza exuberante e pelo povo carioca e brasileiro”, afirma. “Certamente, vão acontecer outros negócios que não estavam no radar, como os hotéis novos que estão sendo construídos nas favelas. É uma coisa inusitada e que traz, para os habitantes, um bem-estar muito grande, porque mostram que eles fazem parte também da sociedade brasileira.”

Lamartine da Costa avalia que o período dos Jogos será rico para a realização de negócios – ele destaca que centenas de multinacionais estarão na cidade em busca de novas oportunidades e contatos comerciais – uma tendência dos últimos grandes eventos. “O Rio de Janeiro vai bater todos os recordes de pessoas que vêm para negociações. O recorde anterior era de Sydney, em 2000, mas o Rio de Janeiro terá o dobro das de Sydney”, nota.
 

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