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O Mundo Agora

Ambiente de "fim de festa" toma conta do G20

Áudio 04:48
O presidente chinês, Xi Jinping(direita) discursa na cerimônia de abertura da Cúpula do G20, em Hangzhou ao seu lado o presidente dos EUA, Barack Obama e a chanceler alemã Angela Merkel. 04/09/16.
O presidente chinês, Xi Jinping(direita) discursa na cerimônia de abertura da Cúpula do G20, em Hangzhou ao seu lado o presidente dos EUA, Barack Obama e a chanceler alemã Angela Merkel. 04/09/16. REUTERS/Nicolas Asfonri/Pool

Em 2008, logo depois que a economia global quase parou, o G20 apareceu como o novo centro de decisão global, congregando 85% do PIB do planeta. Até então, a agenda dos grandes debates estratégicos e a coordenação das decisões essenciais era um monopólio do G8, o clube dos principais países industrializados.

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Os novos membros, orgulhosos de entrarem na praça das máquinas, não cansaram de proclamar que, finalmente, o mundo estava se democratizando. Uma ideia na qual os outros 160 países não achavam nenhuma graça. Só que as ditas "potências emergentes" descobriram rapidamente que o G20 não tinha praticamente nenhum poder decisório. Desde o início, essas cúpulas tinham mais a ver com uma manobra das potências tradicionais para disciplinar os emergentes e impedir que eles tomassem medidas estapafúrdias – comerciais ou financeiras – que poderiam piorar a gestão da crise global.

Hoje, quando o perigo é bem menor, o G20 acabou perdendo relevância. Os comunicados finais são listas de conselhos óbvios visando somente a garantir os grandes equilíbrios internacionais. E as reuniões só servem mesmo para os encontros bilaterais dos que realmente tem poder de decisão: os dirigentes dos quatro ou cinco grandes motores econômicos do planeta – Estados Unidos, China, Alemanha, Grã-Bretanha...Os outros só interessam quando representam um problema chato, e estão aí só para mostrar consenso.

Obama e Merkel de saída e freada chinesa

É num ambiente meio melancólico que os chefes de Estado e de governo se reúnem em Hangzhou na China. Obama está de saída e ninguém sabe quem vai estar no leme da maior potência mundial no ano que vem. O governo britânico ainda não sabe como negociar a saída da União Europeia. Angela Merkel está sendo contestada na Alemanha. E todo mundo está preocupado com a freada chinesa.

Os outros membros têm tantos problemas internos que preferem ir pela na sombra. Mas pela primeira vez, é a China, o elefante dos “emergentes”, que convida. E quando os chineses decidem ser anfitriões de grandes eventos internacionais, o primeiro objetivo não é resolver os problemas do mundo. É mostrar poder e arrancar alguma concessão dos outros

Na cúpula de Hangzhou, a preocupação geral é sobretudo com o fraco desempenho da economia global, mas também com o dumping do aço praticado pela China e a insistência de Pequim em desafiar militarmente o direito internacional no mar da China meridional. Claro, a direção chinesa vai fazer tudo para que esses dois últimos itens acabem em pizza.

A agenda apresentada pela direção chinesa vai sobretudo pressionar, com a ajuda do FMI, para que os velhos países ricos metam a mão no bolso e adotem uma política de estímulo econômico para voltarem a ser os grandes motores do PIB global e os principais consumidores do planeta. Aqueles que, justamente nos últimos vinte anos, mais compraram os produtos industriais chineses e permitiram o “milagre” econômico chinês.

Só que o apetite para continuar enfurnando o “made in China” esfriou. E não é só a crise, é também porque a economia das grandes potências ocidentais está se transformando rapidamente, produzindo de maneira mais competitiva e consumindo mais serviços e produtos de alto valor agregado.

A China gostaria que tudo voltasse como dantes, quando o Ocidente garantia o modelo industrial chinês com investimentos e mercados de consumo para as suas exportações. Se isso não acontecer, os dirigentes chineses vão ter que fazer – a sério – a revolução econômica que vêm anunciando há vários anos, mas com resultados pífios. Normal: essa revolução ameaça destruir o poder do Partido Comunista Chinês.

Claro, toda essa pressão chinesa vai dar com os burros n’água. As potências ocidentais querem mais PIB, mas não um modelo de crescimento em que é a China, cada dia mais protecionista, que fica com a parte do leão. Portanto esse G-20 vai de novo produzir água morna. E o resto do mundo vai continuar pendurado na brocha das decisões que serão tomadas, sem alarde, no velho G-8.

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