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Economia

Feira Sial 2016 traz inovações na alimentação sadia em Paris

Áudio 08:36
"Bolhas de prazer" dão toque de chocolate ao champagne, no hall francês da Sial 2016.
"Bolhas de prazer" dão toque de chocolate ao champagne, no hall francês da Sial 2016. RFI

A Sial 2016, uma das maiores feiras internacionais de alimentação, ocorre nesta semana perto de Paris com uma equação complexa para resolver: como desenvolver produtos inovadores mas manter a essência “mais natural possível” dos alimentos? O mote da edição se inspira nas mudanças nos hábitos alimentares, principalmente nos países europeus, onde os clientes buscam mais clareza sobre os componentes dos produtos.

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Uma série de escândalos abalou a confiança dos consumidores no setor, em especial nos pratos prontos. Vaca louca, carne de cavalo no lugar da de gado, métodos cruéis de produção nos abatedouros e excesso de produtos químicos, inclusive nos alimentos que se dizem orgânicos, são alguns dos abusos que azedaram a relação fabricante-cliente.

Por isso, a palavra de ordem no Sial é transparência. A Ici & Lá, por exemplo, se especializou na pesquisa e desenvolvimento de leguminosas, o ingrediente vedete desta edição, que reflete o interesse crescente por produtos veganos.

“Para responder a essa tendência, nós propomos produtos ricos em leguminosas, para darmos uma alternativa à carne. Trazemos as mesmas riquezas nutricionais da carne, especialmente as proteínas, mas a base de cereais e leguminosas”, afirma Jean-Baptiste Perrier, ao mostrar a linha de pratos prontos congelados, que concorreu ao prêmio Sial Innovation 2016. “A ideia é ter uma qualidade de proteína comparável a de um bife de gado.”

Produtos substitutos da carne são tendência na alimentação.
Produtos substitutos da carne são tendência na alimentação. RFI

Destaques do Brasil

No hall do Brasil, que conta com mais de 100 marcas, a água de coco Obrigado é um dos destaques. A marca aposta na produção sustentável para se distinguir no mercado.

“Conseguimos fazer uma água 100% natural, sem conservantes e absolutamente nenhum outro produto. Na lista de ingredientes na embalagem, o consumidor só vai encontrar ‘água de coco’. Não tem nem água, nem água de coco reconstituída, como outras marcas”, explica o gerente de marketing Rodnei Guariza. “É o que mais se aproxima do fruto.”

O Brasil aproveita a sua fama internacional de país tropical com frutas exuberantes para capitalizar esse espírito de “quanto mais natural, melhor”. “O cupuaçu, o açaí e a graviola, que são frutas genuinamente brasileiras, têm propriedades de vitaminas e antioxidantes que não se encontram facilmente em outros países do mundo”, ressalta o coordenador de promoção de negócios da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Rafael Prado. “Desta forma, teremos um cereal matinal, como os que são vendidos no mundo inteiro, mas com açaí na sua fórmula. O açaí, considerado um super fruit, está se posicionando muito bem nos Estados Unidos, no Reino Unido, no Japão.”

Efeitos a longo prazo nos negócios brasileiros

Prado destaca que a Sial “tem um papel fundamental” para o agronegócio brasileiro, que responde por quase metade das exportações do país. Na esteira da última edição do evento, em 2014, o Brasil fechou US$ 1,1 bilhão em vendas. A expectativa é aumentar 10% neste ano.

A feira é também a oportunidade para marcas inovadoras se inserirem neste concorrido mercado, onde 50% dos novos nomes desaparecem das prateleiras em três anos. A Brasilidade, desenvolvida pelo francês Karl Strepkoff, tenta a sua chance – são coquetéis prontos à base de cerveja ou energético.

“O primeiro produto que vai entrar no mercado é o energético versão limão e menta, equivalente a um mojito. Já fizemos muitas degustações dos produtos com brasileiros e eles gostaram muito da cerveja com caipinha, que chamamos de cerpirinha”, comenta Strepkoff, um apaixonado pelo país.

O setor de bebidas costuma ser um dos mais inovadores da alimentação. Uma espiada no vasto hall dos franceses permite provar cerveja artesanal sem glúten e as pérolas de prazer, a serem depositadas no fundo de uma taça de champagne. Graças à delicadeza da gastronomia molecular, as bolinhas de chocolate fino sobem à superfície, como as bolhas da bebida.

“São pequenas pérolas, que se parecem com ovinhos como o caviar”, diz o vendedor Jean-Philippe Endelin, da Territoires Chocolats. “Podemos colocar dentro do champagne, por exemplo, nas versões chocolate branco, ao leite ou negro. As bolhas de champagne exaltam o gosto do chocolate e essas pérolas estouram na boca. É muito prazeroso.”

A feira tem mais de 2,2 mil expositores dos cinco continentes. O evento, que termina em 20 de outubro, se repete a cada dois anos.

 

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