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Economia

Economia revigorada dos EUA facilitará início do governo Trump

Áudio 06:19
Donald Trump assume a presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro.
Donald Trump assume a presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro. REUTERS/Jonathan Ernst

Contagem regressiva para a posse de Donald Trump, que assume a presidência dos Estados Unidos no dia 20 de janeiro. Muitos temem as consequências das decisões políticas e econômicas que o bilionário prometeu tomar. Mas, a boa fase que vive a economia americana deve facilitar o início do governo do republicano, apostam economistas entrevistados pela RFI.

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Donald Trump herdará das mãos do presidente Barack Obama um país em pleno crescimento, com uma progressão de 3,5% de seu Produto Interno Bruto no penúltimo trimestre de 2016, uma baixa taxa de desemprego - de menos de 5% - bolsas atuando a toda potência e uma população com o poder aquisitivo em alta. A administração democrata que deixa o poder em 2017 trabalhou duro nos últimos anos para recuperar a economia americana, o que deve facilitar a vida do líder republicano em seu primeiro ano de governo.

"Trump estará recém chegando e a única coisa que ele não gostaria neste momento é causar ainda mais incertezas. Além disso, a economia americana já está em um processo de aceleração", o que descarta a necessidade de medidas drásticas, diz o economista Claudio Frischtak, presidente da Inter.B Consultoria Internacional de Negócios. Além disso, ele ressalta que uma parte da agenda protecionista do republicano já vinha sendo praticada por Obama, "que, nos últimos dois, três anos, vinha tentando defender a indústria do país".

Mercados estão otimistas com a chegada de Trump ao poder

Ao contrário do colapso das bolsas em todo o mundo em 9 de novembro de 2015, dia em que Trump bateu Hillary Clinton nas urnas, os mercados começaram a se recuperar já no dia seguinte à vitória do bilionário. Os mercados agora aguardam, otimistas, a posse do novo presidente dos Estados Unidos. As bolsas e bancos parecem atraídos pela previsão de reforma fiscal - com importantes cortes nos impostos -, um grande programa de infraestrutura e a promessa de desregulamentação financeira feita pelo magnata.

Mas, para Frischtak, há muitas incertezas sobre o cumprimento de todas as promessas do republicano que, segundo ele, tem duas faces. "Tem um Trump que agrada às comunidades porque ele pretende expandir a economia dos Estados Unidos - o que vai ter um impacto positivo no mundo inteiro. Mas há também um outro Trump - protecionista, chauvinista, neonacionalista -, que ameaça as empresas americanas que produzem fora do país com tarifas de 35%, certamente não agrada a comunidade de negócios interna e externa", aponta.

Pontos contraditórios no programa de Trump

O economista Marcos Troyjo, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, aponta pontos contraditórios na política econômica que o republicano afirma que pretende colocar em prática. Como o programa de fortalecimento da infraestrutura do país, que pode impulsionar a economia americana, mas desagradar aos mercados internacionais. "A grande preocupação é com o abandono de uma das grandes prioridades do governo Obama, o Acordo de Parceria Transatlântica para o Comércio e os Investimentos [TTIP, na sigla em inglês], em prol dessa retomada ambiciosa da modernização da infraestrutura dos Estados Unidos - o que não deixa de ser uma boa notícia para o setor de construção civil do país", analisa.

Por enquanto, Troyjo destaca que tudo está em suspenso e as previsões são arriscadas. "As pessoas estarão de olho no que Trump vai dizer em seu discurso de posse, nas primeiras interações da Casa Branca com o Congresso americano, na relação de Washington com a China e com a Rússia. Tudo isso pode deixar a grande maioria dos investidores e dos agentes econômicos com o 'freio de mão puxado'", prevê.

Ao que tudo indica, a primeira medida que o bilionário deve tomar não será econômica, mas em relação à imigração ilegal. Muita tensão paira em torno do projeto do muro na fronteira entre os Estados Unidos e o México, uma das principais promessas de campanha do líder republicano.

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