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Linha Direta

Igualdade de gênero na economia vai levar mais de 200 anos, diz relatório do Fórum Mundial

Manifestação contra as desigualdades salariais entre homens e mulheres, na praça da Republica em Paris. 07/11/16.
Manifestação contra as desigualdades salariais entre homens e mulheres, na praça da Republica em Paris. 07/11/16. RFI/Charlotte Herzog

As mulheres devem ter de esperar dois séculos para se verem em pé de igualdade com os homens no mercado de trabalho e na vida política. Esta é uma das conclusões de um estudo divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, que vê poucas oportunidades para elas sobretudo nas áreas ligadas à ciência e à tecnologia, consideradas as disciplinas do futuro.

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Vivian Oswald, correspondente da RFI em Londres

A igualdade de gênero deve ser um dos maiores desafios das economias mundiais para garantir o seu crescimento no futuro e estará na pauta das discussões em Davos, no próximo mês. A desigualdade não chega a ser novidade, mas o problema é que os avanços não estão acontecendo no ritmo necessário.

Esse ano, por exemplo, foi registrada uma pequena melhora no índice geral, mas que está longe de ser suficiente e capaz de reduzir certas diferenças. Somente 17 dos 149 países avaliados pelo relatório tinham uma mulher na posição de chefe de Estado. No mundo inteiro, elas não chegavam a 20% dos ministros e não passavam de 24% dos parlamentares.

Além disso, ocupavam apenas 34% das posições de gerência entre os países analisados. No Egito, Arábia Saudita, Iêmen e Paquistão, as quatro nações com as piores colocações no ranking, esse percentual era de 7% apenas. Os cinco países conseguiram a paridade total neste quesito em especial: Bahamas, Colômbia, Jamaica, Laos e Filipinas.

Diferenças no cotidiano

Os desníveis se dão em várias instâncias do dia a dia. As mulheres têm o mesmo acesso que os homens a serviços financeiros em 60% dos países investigados e são proprietárias de terras em apenas 42%. Além disso, elas gastam duas vezes mais tempo do que eles em afazeres domésticos. Um número é particularmente surpreendente: em 44 países, cerca de 20% das mulheres são analfabetas.

Reverter esse quadro é um dos grandes desafios para as economias do mundo afora. Só dá para crescer de verdade se a força de trabalho puder ser usada em todo o seu potencial. Os dados da pesquisa mostram que hoje há menos mulheres empregadas do que homens, mas a produtividade da economia aumentaria se elas tivessem mais oportunidade de se integrar no mercado de trabalho.

Mas é preciso também investir na educação e no acesso à saúde. Elas têm que estar em posição de competir, de produzir em setores com alto valor agregado. Há ainda uma outra questão importante, que também explica a distância entre elas e os homens na economia. A infraestrutura necessária para ajudar que elas entrem ou se recoloquem no mercado de trabalho – o que inclui creches para cuidar das crianças ou instituições para auxiliar os idosos- não é boa, e isso acaba fazendo com que este tipo de atividade, que não é paga, recaia sobre elas.

As mulheres também estão sub-representadas nos postos de trabalho que exigem qualificação e conhecimento relacionados às áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática. Mais grave do que isso. A força de trabalho feminina não passa de 20% do segmento de Inteligência Artificial, uma das áreas onde estariam as profissões do futuro. Os países onde as desigualdades são menores são a Islândia e os Nórdicos (Noruega, Suécia e Finlândia). Em quinto lugar está a Nicarágua.

Brasil cai cinco posições

O Brasil está em nonagésimo quinto lugar. Caiu cinco posições em relação ao ano passado e foi destacado negativamente pelo documento. O novo governo só anunciou 2 ministras e o Parlamento ainda deixa o Brasil lá atrás no ranking mundial. No legislativo, a presença feminina passou de 10% para 15% na Câmara. O Senado praticamente não mudou. Seguindo tendência atual, serão necessários 202 anos para atingir a igualdade entre os gêneros na economia, e 108 para o equilíbrio geral, o que inclui educação, saúde e outros.

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