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Guerra comercial

Desvalorização do yuan pode gerar círculo vicioso, alerta imprensa francesa

Notas de dólar americano e yuan chinês, moedas das duas principais potências econômicas mundiais, em plena guerra comercial.
Notas de dólar americano e yuan chinês, moedas das duas principais potências econômicas mundiais, em plena guerra comercial. REUTERS/Jason Lee/File Photo

O destaque da imprensa francesa nesta terça-feira (06) é mais um desdobramento da guerra comercial travada entre a China e os EUA. Os jornais Le Monde, Le Figaro, e Les Echos trazem em suas páginas a queda da moeda chinesa frente ao dólar, um recorde não estabelecido desde 2008.  A cotação chegou a 7 yuans por dólar na segunda-feira (05).

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Les Echos noticia a manobra como uma resposta chinesa frente à imposição de taxas alfandegárias dos EUA de 10 % sobre a importação dos produtos chineses, em uma nova rodada lançada por Donald Trump no último fim de semana e que começará a valer a partir de primeiro de setembro.

Com a decisão do presidente americano, e a reação de Pequim, as bolsas de Wall Street fecharam ontem com o pior recuo do ano: Dow Jones com queda de 2,90%, SEP, 2,98%, e Nasdaq, recuo de 3,47%. A mesma tendência foi verificada na Europa, nas bolsas de Paris, Londres e Frankfurt; uma “onda de choque” no mercado, como ressaltou a reportagem.

Essa reação, segundo o jornal, é mais um sintoma do embate entre as economias das duas superpotências. As empresas públicas chinesas interromperão importações de produtos agrícolas de procedência americana.  Além disso, ao supostamente permitir a depreciação de suas divisas, as autoridades de Pequim promoveram “manipulação cambial”, na avaliação de Trump. O governador do Banco da China, Yi Gang, disse em um comunicado que as quedas divisas foram "determinadas pelo mercado".

Riscos a curto prazo

Segundo o analista Kit Juckes, da “Société Générale”, ao jornal Les Echos, a decisão do Banco Chinês pode fazer com que este choque permaneça durante todo o mês de agosto. Especialistas do banco americano Morgan Stanley indicam que a economia global pode entrar em recessão nos próximos meses.

O jornal Le Figaro alerta para um círculo vicioso. A medida tomada pela China visa proteger suas exportações e mantê-las a um preço comercial favorável mesmo com as tarifas impostas por Trump. Contudo, isso pode provocar uma fuga de capital do país asiático, além de uma depreciação das moedas locais.

Em entrevista ao Figaro, Eric Dor, diretor de estudos econômicos da Escola de Comércio de Paris e Lille, disse que ao fazer esta manobra, a China mostra que tem meios de reagir à guerra comercial declarada por Donal Trump. O professor explica que o Banco Chinês consegue interferir no valor da moeda em detrimento de suas altas reservas em dólar, e ao diminuir o yuan, neutraliza as altas taxas alfandegárias. Uma contraofensiva de Trump pode ser forçar também uma depreciação do dólar junto aos grandes produtores do seu país, indica.  

Valorização do euro ameaça produtos europeus

Dor ressaltou ao Figaro que se permanecer esta guerra entre as duas moedas, com depreciações sucessivas, o euro será valorizado e esta alta será uma “má notícia” para o Banco Central Europeu, ao provocar uma queda no preço das importações, deixando os produtos europeus menos competitivos. Segundo o professor, uma solução para a Europa seria tomar o rumo de uma política monetária que possa controlar o aumento excessivo da moeda.

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