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FMI/Posse

Especialista em emergentes, búlgara Kristalina Georgieva assume FMI com foco na crise argentina

A nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) é a economista búlgara Kristalina Georgieva.
A nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI) é a economista búlgara Kristalina Georgieva. REUTERS/Arnd Wiegmann/File Photo

Aos 66 anos, a economista búlgara, que cresceu sob o comunismo, é a primeira pessoa originária de um país emergente a assumir a direção do Fundo Monetário Internacional (FMI). Kristalina Georgieva assume nesta terça-feira (1°) por um mandato de 5 anos, substituindo a francesa Christine Lagarde. Especialista do desenvolvimento e de questões ambientais, a crise argentina será sua prioridade n° 1 à frente do FMI.

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Kristalina Georgieva era a única candidata ao cargo de diretora-gerente do Fundo Monetário e sua nomeação foi formalmente validada pelo conselho de administração na quarta-feira (25) da semana passada. Após a indicação, ela reconheceu o período difícil que atravessa a economia global. "É uma enorme responsabilidade estar à frente do FMI em um momento em que o crescimento econômico global continua a desapontar, as tensões comerciais persistem e a dívida está em níveis historicamente altos", afirmou em comunicado.

Nesse contexto, ela acredita que a instituição que vai dirigir também deve “lidar com questões como desigualdades, riscos climáticos e rápidas mudanças tecnológicas". Georgieva herda o comando de uma instituição afetada pelo aumento do populismo nas economias avançadas e pelos crescentes conflitos comerciais - o maior deles impulsionado pelos Estados Unidos, principal acionista do FMI.

Crise argentina

O dossiê mais urgente da nova diretora-geral é crise argentina. O país latino-americano negocia com o FMI o reescalonamento de sua dívida de US$ 57 bilhões com o FMI, para evitar uma moratória. Antes mesmo de assumir, Georgieva deu um sinal de que essas negociações são prioritárias. Ele encontrou no dia 25 de setembro o ministro argentino das Finanças, Hernán Lacunza.

O nova diretora-gerente deve negociar com a Argentina, ameaçada pelo aumento da pobreza, um plano de redução da dívida e dos gastos públicos. Especialistas acreditam que seu conhecimento de países emergentes deve ser muito útil neste e em outros dossiês importantes.

Kristalina Georgieva nasceu em um país comunista e teve sua primeira conta em um banco aos 34 anos, em Londres, onde ganhou uma bolsa para estudar economia. Em seguida, ocupou vários cargos no Banco Mundial. Ela trabalhou na Rússia, como diretora de operações, e em vários países que saiam de conflitos, como especialista de desenvolvimento sustentável. De 2017 a 2019, foi diretora-executiva do Banco Mundial.

Como lembra o jornal Le Monde, foi provavelmente trabalhando em países em dificuldade que ela começou a desconfiar das médias estatísticas. Em um discurso, em 2017, ela explicou que “se você colocar a cabeça numa geladeira e os pés num forno, você terá uma temperatura corporal média, mas estará morto”. A mesma anedota vale para o aquecimento global, que atinge particularmente os países mais vulneráveis e em desenvolvimento.

A nova diretora-gerente do FMI começou a se interessar cedo pela questão ambiental. Sua tese de doutorado foi sobre a “política de proteção do Meio Ambiente e o crescimento econômico nos Estados Unidos”. Em novembro de 2018, Georgieva preconizou no Banco Mundial a criação de fundos multilaterais contra os riscos climáticos, destinados a ajudar os países atingidos por catástrofes naturais.

Candidata europeia

A nomeação da economista búlgara, que irá ocupar o cargo de diretora-gerente no lugar de Christine Lagarde, escolhida para comandar o Banco Central Europeu (BCE) no fim deste ano, foi defendida por Paris. Seu nome superou as divisões na União Europeia, já que a Alemanha apoiava o ex-ministro holandês das Finanças, Jeroen Dijsselbloem.

Mas sua carreira em Washington e no Banco Mundial gera algumas críticas e suspeitas. “Ela é muito mais americana do que europeia e muito mais à vontade em Washington do que em Bruxelas”, afirma ao Le Monde o economista Bruno Alomar, ex-funcionário da Comissão Europeia. Para ele, a nomeação de Georgieva é “essencialmente política. Um presente feito aos países do leste europeu”.

Em uma norma tácita, um europeu lidera o FMI desde a sua criação, após a Segunda Guerra Mundial, enquanto o líder do Banco Mundial é designado por Washington.

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