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França e UE ameaçam retaliar EUA por sanções autorizadas pela OMC

A OMC autorizou na quarta-feira (2) os Estados Unidos a impor sanções históricas à União Europeia em compensação aos subsídios de Bruxelas à Airbus, em detrimento da Boeing.
A OMC autorizou na quarta-feira (2) os Estados Unidos a impor sanções históricas à União Europeia em compensação aos subsídios de Bruxelas à Airbus, em detrimento da Boeing. REUTERS/Regis Duvignau/File Photo

O governo da França afirmou nesta quinta-feira (3) que tomará medidas de retaliação contra os Estados Unidos, ao lado da União Europeia (UE), se Washington aplicar as sanções contra produtos europeus. As punições tarifárias foram autorizadas na quarta-feira (2) pela Organização Mundial do Comércio em compensação aos subsídios de Bruxelas à Airbus. O presidente Trump fala em “grande vitória”.

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Bruxelas e Washington se enfrentam há 15 anos na OMC por suas ajudas à Airbus e à Boeing. Com a autorização de sanções americanas contra a União Europeia, o conflito comercial entra em uma uma nova etapa.

"Sempre afirmamos na OMC que consideramos melhor encontrar soluções amigáveis do que entrar em conflitos comerciais", afirmou a porta-voz do governo francês, Sibeth Ndiaye, nesta quinta-feira à imprensa. O ministro da Economia, Bruno Le Maire, alertou que os Estados Unidos cometeriam "um erro econômico e político" se decidirem impor sanções tarifárias", especialmente agora "quando a China reforça sua indústria aeronáutica".

O CEO da Airbus, Guillaume Faury, assim como a União europeia, também pediram uma "solução negociada" para o conflito.

A organização permitiu que os EUA tarifem durante um ano a importação de bens e serviços europeus equivalentes a US$ 7,5 bilhões. Washington anunciou que aplicará a medida a partir de 18 de outubro. Os Estados Unidos cobrarão tarifas adicionais de 10% aos aviões europeus e de 25% aos demais produtos, afirmou uma fonte do Departamento do Comércio dos Estados Unidos.

“Grande vitória”

"Esta foi uma grande vitória dos Estados Unidos", tuitou o presidente Donald Trump.

No entanto, Robert Lightizer, representante do Comércio dos Estados Unidos, declarou que Washington está aberto a negociações com Bruxelas. "Esperamos iniciar as negociações com a UE para resolver o conflito em benefício dos trabalhadores americanos", disse Lighthizer.

"A maior parte (das tarifas) serão sobre as importações provenientes de França, Alemanha, Espanha e Reino Unido, que são os quatro países que estão na origem dos subsídios ilegais" à Airbus, detalhou.

A decisão da OMC é a mais forte sanção já imposta pela entidade. Os Estados Unidos tinham pedido a possibilidade de chegar a US$ 10,56 bilhões ao ano. Os Estados Unidos podem recuperar total ou parcialmente o montante, sob a forma de sobretaxas para uma vasta gama de produtos europeus, entre eles, o vinho francês, o azeite espanhol, o whisky escocês, as máquinas alemãs e o queijo de vários países do bloco.

Quinze anos de conflito

A batalha jurídica entre a Airbus e a Boeing na OMC teve início em 2004, quando os EUA decretaram o fim do acordo americano-europeu de 1992 que regulava os subsídios no setor da aeronáutica. Washington acusou Reino Unido, França, Alemanha e Espanha de oferecer subsídios ilegais para estimular a produção da Airbus.

Um ano depois, a UE afirmou que a Boeing também recebeu bilhões de dólares em subsídios proibidos do governo americano. Cada lado obteve vitórias parciais, adiadas até agora por vários recursos.

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