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EUA/França

Trump pune vinho francês com sobretaxa de 25% a partir desta sexta nos EUA

François Labet, presidente de uma associação de produtores de vinho na região de Bourgogne.
François Labet, presidente de uma associação de produtores de vinho na região de Bourgogne. Captura de vídeo

A guerra comercial lançada pelo presidente americano, Donald Trump, alcança nova etapa nesta sexta-feira (18), com a entrada em vigor de sobretaxas nas importações de produtos europeus: mais 10% no comércio de aviões e 25% em outros produtos industriais e agrícolas, incluindo o vinho francês, o queijo italiano e o uísque escocês.

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A "punição" de Trump é um efeito colateral na batalha que opõe os EUA e a União Europeia num setor estratégico: o mercado da aviação comercial e os subsídios concedidos de ambos os lados às fabricantes Boeing e Airbus.

Os Estados Unidos representam o primeiro mercado de exportação para os vinhos franceses. Em entrevista à RFI, François Labet, presidente do Escritório Interprofissional de Vinhos de Bourgogne e maior proprietário do vinhedo Clos de Vougeot, onde produz o grand cru Château de la Tour, diz que o aumento das taxas alfandegárias é vivido pelos produtores franceses como uma grande injustiça. Atacar o vinho francês é simbólico pela excelência da produção, reconhecida internacionalmente. "É um conflito comercial que não nos diz respeito, e que está acima de nossa capacidade de solucionar", afirma o produtor.

Ele nota que Trump age de forma provocativa e seletiva, com objetivo exclusivamente político, uma vez que sobretaxa o queijo italiano, mas não o vinho produzido na Itália. Impõe um custo extra ao vinho francês, mas poupa os queijos franceses de um acréscimo nos preços. "Os dirigentes europeus pedem para sermos pacientes, dizendo que a Organização Mundial do Comércio irá, em breve, desmascarar as subvenções disfarçadas concedidas pelos EUA à Boeing", relata.

"O problema é não termos visibilidade a longo prazo", estima o viticultor. "Não sabemos por quanto tempo seremos taxados – três meses, seis meses ou um ano? Nossas exportações estão em constante alta para os Estados Unidos e representavam, até agora, € 230 milhões por ano, o equivalente a 25% das vendas de vinhos da região de Bourgogne", revela.

Labet considera que os consumidores americanos estão tão surpresos quanto os produtores franceses diante dessa política protecionista. Com a nova tarifa, a garrafa do vinho francês ficará um terço mais cara nos Estados Unidos, o que certamente levará uma parte dos consumidores americanos a procurar produtos alternativos. "Poderemos resistir por um tempo, mas esperamos que os ministros da Economia e da Agricultura ouçam as nossas preocupações", destaca. Ele recorda que as exportações de vinho contribuem anualmente com € 13 bilhões na balança comercial francesa, ajudando o país a reduzir o déficit no comércio exterior.

Diante do imprevisível Trump, o consolo para os produtores franceses é que o Brexit não deve causar um impacto maior nas vendas de vinho para o mercado britânico. O proprietário do prestigioso Château de la Tour prevê eventuais atrasos nas entregas no Reino Unido, devido à reintrodução dos controles na fronteira, mas nada que venha a abalar o hábito dos britânicos de saborear um bom rouge francês.

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