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Fusão PSA-FCA: o novo desafio de Carlos Tavares

Carlos Tavares: executivo será o número dois da nova gigante do setor
Carlos Tavares: executivo será o número dois da nova gigante do setor ERIC PIERMONT / AFP

A confirmação, nesta quinta-feira (31), da fusão entre a fabricante francesa PSA e o grupo ítalo-americano Fiat Chrysler Automobiles (FCA) projeta o executivo português Carlos Tavares como o número dois desta que será a quarta maior montadora do mundo.

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Foram necessárias longas negociações para chegar lá, entre John Elkann, herdeiro da dinastia Agnelli, que será o futuro CEO da nova entidade, e Carlos Tavares, presidente do conselho da PSA, e que se tornará o diretor-geral do novo gigante do setor.

Ajustes espetaculares

Depois de uma longa carreira na Renault, onde acabou se sentindo sob as ordens de um "outro Carlos", o Carlos Ghosn, Carlos Tavares migrou para a chefia do grupo PSA, em 2014.

Na nova empresa, com o apoio dos acionistas - incluindo o Estado francês, ele contribuiu para evitar a falência, tarefa considerada quase impossível na época. O método dele? Estabelecer objetivos muito específicos para suas equipes, que ele não hesita em consultar todo o tempo.

Com isso, Tavares conseguiu convencer a maioria dos sindicatos a segui-lo em seus projetos, o que implicava, no entanto, em acordos de competitividade e redução de tamanho, mas impediria o fechamento de fábricas.

No comando da PSA, ele se impôs o desafio de restaurar o brilho da indústria automobilística francesa. Apenas isso. Meio às suas estratégias estaria o lançamento de novos modelos, a exemplo do DS, para renovar fábricas.

Engenheiro de treinamento, piloto apaixonado - ele tem uma equipe de corrida - Tavares confia na qualidade do produto. Mas, embora não economize em investimentos, fica de olho nas contas. Ele ajuda a aumentar os lucros e administra com sucesso a aquisição do grupo alemão Opel, adquirido em situação de grande dificuldade.

Um novo desafio nos Estados Unidos

Com a Fiat-Chrysler, o ambicioso Carlos Tavares quer dar a si mesmo os meios de outro desafio, de se instalar nos Estados Unidos, um mercado fechado até agora para a Peugeot, mas que ele conhece bem, depois de dez anos como chefe da Nissan North Americas.

Os sindicatos, por sua vez, permanecem cautelosos, enquanto esperam para saber mais sobre o momento e a extensão das sinergias entre os dois grupos. Mas mesmo assim dão as boas-vindas à manobra final de Carlos Tavares.

"Nós estávamos realmente em uma situação financeira muito difícil. Hoje é um sucesso podermos nos unir a um grupo quase tão grande quanto nós ", diz Olivier Lefebvre, do sindicato PSA FO.

Felizes para sempre?

A nova gigante automotiva terá sede na Holanda e será listada nas Bolsas de Paris, Milão e Nova York. Para evitar guerras entre os clãs, os acionistas históricos, incluindo as famílias Agnelli e Peugeot, prometem manter suas ações por sete anos. As sinergias geradas por esse casamento devem gerar economia de 3,7 bilhões de euros, sem fechamento de fábricas, prometem os dois fabricantes.

Eles terão muitos filhos e serão felizes para sempre? Não é óbvio. Com frequência, fusões acabam mal e, devido ao declínio nas vendas de automóveis, não há certeza se conseguirão crescer. Vale lembrar que o sindicato deles é defensivo: se eles se unem, é para resistir à concorrência no contexto de transição em meio à crise que enfrenta hoje a indústria automobilística.

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