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Imprensa

Escândalo Ghosn completa um ano com poucas chances de final feliz para executivo

A edição do Le Figaro desta segunda-feira (18) destaca o caso Carlos Ghosn, que será julgado em 2020 no Japão.
A edição do Le Figaro desta segunda-feira (18) destaca o caso Carlos Ghosn, que será julgado em 2020 no Japão. Reprodução

Amanhã completa um ano que Carlos Ghosn, ex-presidente da aliança Renault Nissan Mitsubishi, foi preso ao desembarcar em Tóquio, no Japão, acusado de fraude fiscal e irregularidades na gestão do grupo automobilístico, então número 1 do mundo. A imprensa francesa informa que Ghosn prepara sua defesa para o julgamento previsto no primeiro semestre do ano que vem, mas ele corre o risco de ser condenado a 15 anos de prisão.

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O combate judiciário do executivo de tripla nacionalidade – franco-líbano-brasileira – é manchete nos jornais Les Echos e Le Figaro nesta segunda-feira (18). Após passar 130 dias na prisão, Ghosn cumpre regime de liberdade vigiada em Tóquio, depois de pagar € 12,5 milhões de caução à Justiça japonesa. Das quatro acusações contra ele, duas estão relacionadas com esquemas de fraude fiscal e duas ocorrem por suspeita de abuso de confiança com agravante, explica o diário econômico Les Echos.

A rotina enfadonha de Ghosn é descrita em detalhes pelo Le Figaro. O ex-dirigente é vigiado 24h, seja dentro de sua casa, em Tóquio, ou quando sai na rua. Ghosn está proibido de ter contato com a mulher, Carole, porque a Procuradoria teme que ela venha a influenciar as testemunhas do processo. O executivo, que antes só viajava de jatinho, hoje usa um celular antigo e não tem acesso à internet em casa. Ele só tem autorização para navegar na rede de segunda a sexta-feira, das 9h às 17h, quando tem permissão para usar os computadores do escritório de seus advogados. Tudo o que ele fala e faz é monitorado pelas autoridades judiciárias.

Segundo Le Figaro, a queda de Ghosn foi orquestrada pela colaboração da Nissan com a Justiça japonesa, com o objetivo de impedir que ele concretizasse o projeto de incorporação da montadora japonesa numa única holding controlada pela francesa Renault.

A família do executivo critica a fraca mobilização do governo francês em defesa do ex-patrão, mas o presidente Emmanuel Macron conversou sobre o caso com o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, recorda o Le Figaro. Em um artigo publicado neste domingo, 30 parlamentares franceses defendem que Ghosn seja repatriado à França para ter um julgamento justo e equilibrado. Esse apoio é considerado importante para manter a pressão sobre a Justiça no Japão, mas o fato é que Ghosn cai cada vez mais no esquecimento.

Defesa frágil

Les Echos diz que o ex-presidente da aliança de montadoras nega categoricamente as acusações que são feitas contra ele, mas não tem respondido com precisão às questões levantadas nos vários países onde é investigado: Japão, Ilhas Virgens Britânicas, Líbano, Holanda e França. Ele insiste no argumento de que foi vítima de uma conspiração industrial montada pelos ex-colaboradores da Nissan e altos funcionários do governo japonês que não queriam ver a integração das marcas japonesas sob comando exclusivo da Renault.

Um ano depois de o escândalo vir à tona, a o grupo tenta se organizar sob novas bases. Os diretores da Nissan e da Renault foram afastados recentemente. No caso da montadora francesa, quatro nomes serão submetidos para pilotar a empresa na próxima reunião do conselho de administração, ainda sem data prevista. O italiano Luca de Meo, CEO da Seat, e Patrick Koller, diretor da francesa de autopeças Faurecia, estão entre os favoritos.

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