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Petróleo americano abaixo de zero não reflete mercado, diz economista francês

O preço negativo do barril americano é atribuído a um mercado saturado, à falta de local para armazenamento e ao temor de uma recessão global prolongada.
O preço negativo do barril americano é atribuído a um mercado saturado, à falta de local para armazenamento e ao temor de uma recessão global prolongada. REUTERS - DADO RUVIC

A queda do preço do barril de West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, nessa segunda-feira (20) foi histórica. No encerramento da cotação, o produto para entrega em maio valia US$ -37,63, isto é, os negociadores pagavam para encontrar compradores. A queda é surpreendente, mas deve ser relativizada ressaltam especialistas.

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Nesta terça-feira (21), o preço do barril de Brent do mar do Norte, referência na Europa, também recuou, valendo menos de US$ 20.

“Esse preço do WTI não reflete a realidade do mercado”, afirmou o economista Philippe Chalmin, professor de Economia da Universidade Paris-Dauphine, em entrevista à rádio France Info. Os contratos futuros de WTI são apenas um elemento “da galáxia de preços do petróleo”, explica o especialista em matérias-primas.

Segundo Chalmin, os outros indices se mantêm a níveis razoaveis e coerentes com a cotação das últimas semanas, pressionada pela drástica redução do consumo do petróleo devido à crise do coronavírus.

Aliás, o preço do barril WTI para entrega em maio subiu na manhã desta terça-feira no mercado asiático, o produto para entrega em junho estava sendo cotado a US$ 20,43, e para julho a US$ 26,28.

O preço do barril de Brent também diminuiu em relação às cotações registradas antes da crise, mas não tanto quanto o WTI. Nesta manhã, o produto para entrega em junho chegou a valer US$ 18,10, seu nível mais baixo desde dezembro de 2001, mas depois se recuperou sendo contado a US$ 25,57.

Diferença artificial

A diferença entre os preços do WTI e do Brent é "artificial" afirma em entrevista ao jornal Le Figaro, Francis Perrin, diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (Iris). O porta-voz da ONG Attac, o economista Maxime Combe, concorda. Pelo Twitter, ele escreveu que “o preço negativo nos Estados Unidos não significa que o barril real de petróleo não tenha mais valor ».

Também pelo Twitter, o economista do Centro Nacional de Pesquisa Cientifica da França, Gael Giraud, avaliou que “os mercados entraram em pânico com o boato de que os supertanques americanos estavam saturados e não poderiam estocar mais petróleo”.

Na segunda-feira, com a notícia de que a capacidade de armazenamento atingia o limite nos Estados Unidos, os detentores de contratos para maio, que vencem nesta terça-feira, especularam para encontrar compradores do produto bruto o mais rápido possível.

O preço do barril de WTI, que valia US$ 60 no início de 2020 e US$ 18,27 na sexta-feira (17), despencou para US$ -37,63. O petróleo nunca havia caído abaixo de US$ 10 desde que os contratos futuros foram criados em 1983.

Futuro incerto

O economista da Attac relativiza a situação atual, mas alerta que o futuro é incerto e a pandemia do coronavírus pode levar a economia mundial para um terreno desconhecido. De acordo com Maxime Combe, ainda há muitas variáveis indefinidas para descartar uma crise ainda mais grave, principalmente porque “o futuro depende dos comportamentos especulativos no mercado financeiro”.

Com a queda da demanda e o aumento dos estoques, o preço de armazenamento do produto explodiu, provocando essa tensão no mercado de petróleo. O risco é que essa situação traga uma grande instabilidade financeira », alerta o jornal Libération.

O acordo fechado pela OPEP e outros países produtores, como a Rússia, para a redução da produção mundial de petróleo a partir de maio pode diminuir um pouco essa tensão. Mas analistas acreditam que a queda da produção, apesar de histórica, ainda é tímida diante das consequências da pandemia de coronavírus no consumo mundial.

 

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