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Esportes

Olimpíadas de Inverno da Juventude é investimento em atletas, diz COB

Áudio 06:59
O Brasil disputará os Jogos em cinco modalidades: esqui cross country, esqui alpino, skeleton, monobob e curling
O Brasil disputará os Jogos em cinco modalidades: esqui cross country, esqui alpino, skeleton, monobob e curling Ministério do Esporte

2016 é um ano de várias Olimpíadas. Antes mesmo do RIO, em agosto, cerca de 1.100 jovens entre 15 e 18 anos estão reunidos em Lillehammer, na Noruega, sede da 2ª edição dos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude, que começou na sexta-feira (12) e vai até dia 21.

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Os atletas representando 70 países competem em 15 modalidades esportivas de inverno. Entre elas, novidades no programa olímpico, como monobob, cross-country e biathlon super sprint. Esses nomes não são muito familiares para os brasileiros, mas o país enviou uma delegação de 10 atletas, cinco vezes mais do que nas primeiras Olimpíadas de Inverno da Juventude de 2010, em Innsbruck, na Áustria, quando foram apenas dois competidores. Esse aumento bastante significativo demonstra o interesse crescente não só de jovens, mas do próprio Comitê Olímpico do Brasil de investir nos esportes de neve e de gelo.

“Esse evento não busca a conquista de resultados em si, mas garantir a experiência que vai mudar muito a vida desses jovens atletas, no sentido de motivá-los, entenderem o movimento olímpico como um todo e servir como incentivo para eles continuarem na carreira esportiva”, diz Gustavo Harada, chefe da delegação.

“Os esportes olímpicos têm as dificuldades naturais, por não ter a neve em nosso país. Mas são atletas que se dedicam tanto quanto os outros e têm o sonho de seguir a carreira e têm apoio das confederações e do próprio Comitê Olímpico”, afirma Harada.

O Time Brasil na Noruega é composto por atletas que competem em quatro diferentes modalidades:
Entre os destaques da delegação estão Michel Macedo, que compete no esqui alpino e tem alguma experiência internacional, e Marley Linhares, no bobsled. “São os dois atletas que têm chances de um bom resultado e estamos de olho”, diz Harada. Segundo ele, a concorrência no esqui alpino é mais dura, por ter muitos atletas de alto nível no circuito, mas em relação a Marley, que tem conquistado medalhas em competições internacionais, a expectativa é de que possa ficar entre as cinco primeiras colocações em Lillehammer.

“Em muitos casos, os Jogos Olímpicos da Juventude servem como impulsionador da carreira. Vimos que muitos jovens que tiveram bom desempenho conseguiram seguir e se destacar nos Jogos Olímpicos adultos”, diz Harada.

Ele cita como exemplos Flávia Saraiva, medalha de ouro e prata nos Jogos Olímpicos da Juventude de Verão de Nanquim, em 2014, que pode participar das Olimpíadas do RIO 2016, Mateus Santana na natação, vencedor de três medalhas em Nanquim.

“No caso dos Jogos Olímpicos de Inverno a gente fica um pouco mais distante, mas servirá como um impulsionador na carreira desses jovens”, prevê.“É importante para os brasileiros virem que há jovens entrando e disputando esportes de inverno, sendo competitivos e representando o país da melhor maneira possível”, completa.

Sucesso do curling

Pela primeira vez o país vai competir no curling, esporte que durante as Olimpíadas de Inverno de Sotchi, na Rússia, despertou uma grande curiosidade do público brasileiro. De olho no potencial de crescimento da disciplina no país, a vaga continental para uma disputa em Lillehammer foi oferecida ao Brasil.

A equipe mista é composta de Elian Rocha, Giovanna Barros, Raíssa de Sousa Rodrigues e Victor Cesar da Cunha Santos. Esses brasileiros, residentes no Canadá, foram treinados por uma equipe composta especialmente para prepará-los para a competição. O país foi escolhido pela Federação Internacional de Curling para a vaga reservada a região da América do Sul. O convite foi interpretado como uma maneira de incentivar o esporte em um país com potencial para desenvolvê-lo.

“A própria Federação Internacional de Curling ficou supresa pelo interesse dos brasileiros na modalidade. Como é indoor, há possibilidade de desenvolvê-la no Brasil”, afirma Harada. “O porquê do brasileiro ter gostado das pedras e da vassourinha é curioso, não dá para explicar”, diz.

Trampolim para Olimpíadas.

A participação crescente de jovens atletas nas Olimpíadas de Inverno da Juventude é fruto de um investimento das Confederações dos esportes de neve e de gelo e também da percepção de muitos atletas de que essas modalidades ainda pouco conhecidas no Brasil podem ser um trampolim valioso para conseguir realizar o sonho de disputar os Jogos Olímpicos.

“O interesse aumenta na medida em que eles veem que aumentam as chances de participar de uma Olimpíadas. Não é o caminho mais fácil, seria errado dizer isso, mas é uma oportunidade a mais que eles têm de estar nas Olimpíadas, visto que não são muitos atletas que praticam”, afirma Maurício Martins, manager da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG). “Se eles forem tentar uma vaga nas Olimpíadas de Verão pelo esporte que a maioria tenta, como o pentatlo ou o levantamento de peso, por exemplo, eles teriam que ser melhores do que pelo menos 200, 300 atletas, ou mais. Aqui, como temos um número de atletas mais limitado competindo, eles têm uma oportunidade a mais de tentar uma vaga olímpica”, acrescenta.

O processo para identificar várias atletas com potencial de competição em algumas modalidades começou com o chamado “camping de treinamento”, realizado em abril do ano passado. A CBDG contratou uma das principais técnicas de esportes no gelo, a inglesa Joane Mennings, para comandar os treinamentos e preparar uma equipe e fez uma parceria com o Cefan, o Centro de Educação Física da Marinha, no Rio de Janeiro, para dar estrutura e preparar os atletas.

“ A gente detetou algumas potências em cada modalidade, fizemos treinamento e campings de seletivas, e convida para passar uma temporada para ver se eles se adaptam ao gelo”, conta Maurício. Nesse processo surgiram Robert Neves e Laura Amaro que passaram por treinamento e foram convocados para participar pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno da Juventude e irão competir no skeleton em Lillehammer.

Carreira promissora

Carioca, de 17 anos, Robert fazia levantamento de peso quando seu treinador sugeriu que investisse no skeleton. Tudo foi rápido, em outubro começou a praticar o esporte e no final de janeiro já desembarcava na Noruega para intensificar os treinamentos e melhorar suas marcas.

“É uma oportunidade e tanto para competir em uma Olimpíada”, diz Robert. “Estou melhorando a cada descida e espera estar ainda melhor na hora de competir”, diz, sem esconder a ansiedade de uma estreia olímpica prevista para o dia 19 de janeiro. “A minha meta é melhorar mais o meu tempo, a minha corrida, minha pilotagem”, afirma.

A confiança de Robert pode não ser traduzida em pódio. Nem o COB nem a a Confederação Brasileira de Desportos no Gelo esperam de Robert nem de nenhum outro atleta da delegação uma medalha no peito. “O resultado não é o mais importante para a gente. Esta é a primeira temporada deles e já nas Olimpíadas. Há muitos adolescentes aqui com mais de três temporadas no skeleton e no monobob. Não esperamos um resultado expressivo para dizer que vamos investir nestes jovens. A gente só espera que eles tenham uma iniciação no esporte”, explica Maurício, da CBDG.

“É claro que queremos um resultado expressivo para poder comemorar, já que o investimento é alto, mas vamos ver se no ano que vem eles continuam com bons resultados para continuar a investir. Mas é um pouco mais para frente”, afirma.

“Não temos estrutura para determinados esportes, mas para outros do gelo sim. Curling, patinação artística, o hóquei no gelo seriam viáveis, com investimentos público-privado ou só privados. Impossível não é, mas a realidade ainda não permite fazer em alto nível dentro do Brasil. Por isso, a CBDG investe em futuros potenciais porque daí a gente consegue trazer uma experiência melhor par ao exterior, fazemos temporadas nos Estados Unidos, Canadá, agora na Europa. Esta é a metodologia: identificar potências para poder investir”, diz.

Independentemente do resultado, Roberto, do skeleton, já sabe o rumo que pretende tomar na carreira de atleta olímpico de inverno. “Pretendo investir nessa carreira. Estou gostando bastante e quero seguir”, diz.

 

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