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Esportes

Olimpíadas serão momento de esperança para o Brasil, diz COI

Áudio 05:55
O ex-jogador de vôlei e duas vezes campeão olímpico, Giovane Gávio, foi o primeiro brasileiro a segurar a Tocha, em Olímpia.
O ex-jogador de vôlei e duas vezes campeão olímpico, Giovane Gávio, foi o primeiro brasileiro a segurar a Tocha, em Olímpia. REUTERS/Valerie Gache

Começou oficialmente a contagem regressiva para as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Na última quinta-feira (21), a tocha olímpica foi acesa na Grécia e marcou os cem dias que precedem o início dos Jogos.

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Sâmar Razzak, para RFI Brasil

A triste coincidência que liga a Grécia ao Brasil é que os dois países vivem crises na época da realização dos Jogos Olímpicos. Em 2004, antes de mergulhar numa grave crise econômica e na explosão da dívida que abalou o país nos últimos anos, a Grécia conseguiu realizar o evento com muito sucesso. Grande parte das obras foram custeadas com dinheiro público e o país paga a fatura dos jogos até agora. Resta ao Brasil mostrar se vai conseguir realizar com êxito as Olimpíadas do Rio, apesar da crise política e econômica que o país enfrenta.

Numa tradicional cerimônia cheia de símbolos, organizada na cidade de Olímpia, a mensagem de esperança de que os jogos do Brasil serão um sucesso foi amplamente repetida. No entanto, a situação política delicada que o país vive atualmente não teve como ficar de fora dos discursos. A presidente Dilma Rousseff, que deveria participar do ato, cancelou sua viagem à Grécia. A explicação do Palácio do Planalto foi de que o evento coincidia com reuniões que a chefe de Estado brasileira terá na ONU, em Nova York.

O presidente do Comitê Olímpico Internacional, Thomas Bach, falou sobre a crise que o Brasil vive, mas que, para ele, não vão tirar o brilho das competições no Brasil. “Os jogos olímpicos serão uma mensagem de esperança nestes tempos difíceis e a chama da Tocha Olímpica vai carregar esta mensagem para todo o Brasil e para o mundo. O momento difícil que o Brasil está passando vai lembrar que todos nós fazemos parte da mesma humanidade”, disse.

Crise dos refugiados

Considerando também o delicado momento que vive a Europa, principalmente a Grécia, no que se refere à crise dos refugiados, o presidente do Comitê Olímpico mais uma vez politizou o discurso e disse esperar que a pluralidade cultural brasileira sirva como exemplo para o mundo todo.
“A nação brasileira foi construída na ideia de que a força vem da união das riquezas culturais. É um país único em sua diversidade. Vamos fazer com que a celebração destes jogos mostrem ao mundo o verdadeiro significado de união e diversidade”, disse Bach.

Antes de chegar a Atenas, na terça-feira, a tocha olímpica passará por um campo de refugiados, que fica nas proximidades da capital grega. Um refugiado sírio, que está no campo de Eleonas e que perdeu uma perna na guerra que devastou seu país, foi o escolhido para carregar a tocha e, assim, alertar sobre a maior crise migratória vivida no mundo, desde a Segunda Guerra Mundial.

No dia 29, a tocha passa por Genebra, na Suíça, onde haverá uma cerimônia na sede da ONU. No domingo, dia 30, ela segue para o Museu Olímpico em Lausanne, onde fica a sede do Comitê Olímpico Internacional.

Pira Olímpica passará por todas as regiões do Brasil

A tocha chegará ao Brasil apenas no dia 3 de maio e vai iniciar o seu trajeto por Brasília. Ela passará por mais de 300 cidades nas cinco regiões dos país. Ao todo, serão 95 dias de percurso até chegar ao estádio do Maracanã, no dia 5 de agosto, onde ocorrerá a cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

De acordo com o diretor de cerimônia do Comitê Organizador dos Jogos Rio 2016, Leonardo Caetano, depois de passar por Brasília, a tocha vai visitar todas as regiões do Brasil e passará por todas as capitais do país.
“A gente chega por Brasília, sobe para o Nordeste fazendo as cidades todas com o revezamento comum. Depois, faremos voando todo o Norte, a região amazônica, e de lá voltamos à forma de comboio tradicional no Mato Grosso e vamos descendo em direção ao Sul, chegando finalmente no Sudeste”, explicou Caetano.

O objetivo do revezamento é passar a chama Olímpica de um condutor da tocha para outro, envolvendo todo o país no clima dos jogos. A organização do evento realizou um processo de seleção de todas as pessoas que carregarão a pira. No entanto, a lista com os nomes de quem terá o privilégio de levá-la a tocha ainda não foi divulgada.

Caetano explica que, para cada passagem pelas cidades brasileiras, está previsto um pequeno ritual. “Começa com uma pequena cerimônia de acendimento, vai passando por várias cidades por dia e na última, na cidade onde a chama dorme, a gente fará uma pequena celebração. E este processo recomeça no dia seguinte, em outra cidade.”.

Simbologia grega marca rituais olímpicos até hoje

A chama olímpica carrega uma série de simbologias. Os gregos antigos consideravam o fogo um elemento divino e mantinham fogos perpétuos na entrada dos seus principais templos. Este foi o caso do santuário de Olímpia, onde os Jogos Olímpicos da antiguidade aconteciam. A chama era acesa pelos raios do sol com o uso de uma espécie de espelho côncavo que converge os raios para um ponto específico, para assegurar sua pureza. Ela queimava permanentemente no altar da deusa Héstia, assim como nos de Zeus e Hera, em frente ao qual a chama olímpica é acesa hoje em dia.

A escolha de Olímpia como local de acendimento da chama e o uso dos raios de sol enfatizam a ligação entre os jogos da antiguidade e os da modernidade e reforçam a profunda conexão entre estes dois eventos.
Na era moderna, a cerimônia continuou sendo realizada para acender a chama em frente ao Templo de Hera, na mesma cidade de Olímpia, com mulheres caracterizadas como "sacerdotisas".

E ainda na antiguidade, as corridas de revezamento da tocha eram organizadas em Atenas como tributo aos deuses. A segunda tradição simbolizada pelo revezamento da tocha refere-se aos mensageiros da Grécia Antiga que viajavam pelas cidades anunciando a data dos jogos.

O revezamento da tocha olímpica da modernidade integrou as competições pela primeira vez em Berlim, em 1936, e faz parte de cada edição desde então.
 

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