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Esportes

Programa na França estimula mulheres a criarem start-ups para o esporte

Áudio 05:58
Gaëlle de Lamotte (à esq.), Sarah Ourahmoune (centro) e Linda AÏt Bouzid (à dir.) foram selecionados no programa de incubadores de start-ups de mulheres no esporte.
Gaëlle de Lamotte (à esq.), Sarah Ourahmoune (centro) e Linda AÏt Bouzid (à dir.) foram selecionados no programa de incubadores de start-ups de mulheres no esporte. Foto: RFI Brasil

Entre treinos e competições que garantiram sua vaga para as Olimpíadas do Rio de Janeiro, a boxeadora francesa Sarah Ourahmoune se dedicou a um outro desafio: desenvolver uma carreira paralela, de empresária, mas não muito longe dos ringues. Ela criou uma pequena empresa para atender os praticantes amadores do esporte. Assim surgiu Boxer Inside, um programa que conecta sensores nas luvas a um aplicativo.

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É realmente para todo mundo que quiser praticar boxe como lazer ou para descontrair e aprender a técnica. Temos sensores debaixo das luvas que permitem medir as atividades, o número de golpes, a velocidade e a força. Vamos criar programas de treinamento. Em um primeiro momento vamos propor um pacote para as academias de ginástica que será usado em cursos coletivos. As pessoas também vão poder usá-los em casa, em cursos particulares”, explica.

Por enquanto, ela está focada na medalha olímpica dos Jogos no Rio, mas já pensa no futuro e em uma carreira que está apenas no começo, a de micro-empresária: “Sim, foi uma mudança que eu desejei. Existe muita relação entre o esporte de alto nível e a criação de empresas, como o desafio, a concorrência, a competição… e eu gosto disso”.

A boxadora Sarah Ourahmoune vai participar das Olimpíadas do Rio de Janeiro.
A boxadora Sarah Ourahmoune vai participar das Olimpíadas do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

Sarah Ourahmoune foi uma das três mulheres selecionadas em um programa lançado por duas incubadoras francesas que investem em start-ups, as pequenas empresas que estão ingressando no mercado e precisam de ajuda e investimento.

A ideia do programa “Sprinteuses” é de atrair mais mulheres empreendedoras no setor de esportes, segundo Caroline Ramade, responsável pela incubadora Paris Pionnières. “A ideia surgiu para atrair mais mulheres para o ecossistema esportivo; estimular mais a presença das mulheres neste segmento. Partimos de uma constatação de um dos incubadores: em uma primeira convocação para a criação de start-ups, não havia nenhuma mulher inscrita. E não poderíamos continuar assim”, afirma.

“Nossa incubadora acompanhou mais de 200 start-ups em 10 anos. Nós tivemos algumas candidatas mulheres e acompanhamos algumas delas. Aí pensamos se não haveria uma possibilidade de fazer algo mais concreto. Assim decidimos unir as incubadoras para escolher três mulheres, acompanhá-las durante seis meses e, quem sabem no final, continuar desenvolvendo os projetos”.

Além da boxeadora Sarah, outras duas mulheres tiveram seus projetos contemplados e vão receber ajuda e acompanhamento durante seis meses para desenvolver suas ideias e projetos.

Yoga em casa ou no trabalho

Gaëlle Frizon de Lamotte usou a própria experiência para criar uma plataforma para unir praticantes de yoga para cursos a domicílio. “Criei uma plataforma que coloca em relação os alunos que quiserem praticar yoga, os professores e alunos anfitriões, que acolhem as aulas em suas casas. A ideai é dividir um professor de yoga entre amigos ou vizinhos para dividir uma aula a domicílio. Alguém, por exemplo pode informar: quero um curso às 7 da noite, posso colocar quatro tapetes no salão e vou achar um professor e outros três alunos”.

A intenção de Gaëlle e facilitar a vida das pessoas que pretendem fazer yoga perto de casa ou durante o trabalho.
“As pessoas buscam esta facilidade para fazer yoga, porque pode ser ao lado de casa, em pequenos grupos. Então pode ser mais personalizado. Há um lado mais humano e convivial pelo fato de se praticar na casa de alguém. E também vai permitir aos anfitriões pagar mais barato, porque quando eles trazem alunos em casa eles têm uma redução. E para os alunos, a vantagem é de ter uma aula praticamente particular mais barata que um curso em uma academia porque o pagamento do professor é dividido entre eles.”

Gaëlle de Lamotte criou uma plataforma para praticantes de yoga a domicílio.
Gaëlle de Lamotte criou uma plataforma para praticantes de yoga a domicílio. Foto: RFI Brasil

A plataforma já está criada na internet e Gaëlle pretende desenvolvê-la e para isso, vai contar com o know how de quem vai ajudar a encontrar o melhor plano de negócios para conquistar o mercado: “Eu tenho muitas ideias e vontades. Poderia ir para muitas direções diferentes. Os incubadores vão me ajudar a ter um foco para avançar mais rápido, e contribuir com mais ideias. Uma só pessoa com uma start-up não tem todas as competências. Também tenho muita vontade de formar uma equipe e encontrar um associado. Espero conseguir realizar isso”.

Outro projeto selecionado foi de Linda Ait Bouzid, que criou a start-up Meet X Sweat que pretende fazer do esporte uma alavanca para melhor a atividade e os contatos profissionais. “O objetivo é conciliar sua vida profissional com sua vida esportiva. Muitos estudos mostram o impacto positivo do esporte nas empresas: um aumento na taxa de produtividade, de presença no trabalho e também da saúde. Ou seja, o esporte é também uma ferramenta que deve ser usada na vida profissional, seja para ampliar seu projeto profissional, sua rede de contatos ou para introduzi-lo no mundo das empresas”.

Na primera etapa foram organizados eventos para particulares, mas a intenção é convencer as empresas das diversas aplicações do esporte até em tomadas de decisão. “Vamos propor às empresas diferentes serviços, para inserir o esporte nas empresas. Por exemplo, para introduzir uma sessão de brainstorm. Praticar esporte fazendo brainstorming permite oxigenar o cérebro e liberar ideias. Pode servir também para criar o espírito de equipe e fortalecer os laços entre os colaboradores.

Para Caroline Ramade, a primeira edição do Programa Sprinteuses já pode ser considerada um sucesso. “Estamos muito felizes porque tivemos 26 candidatas em menos de um mês de lançamento do programa. São bons projetos, de grandes personalidades empreendedoras. Não temos dúvidas que temos muitas mulheres no ecossistema do esporte, da tecnologia e da inovação. É apenas um começo e esperamos que tenhamos cada vez mais mulheres nesse ecossistema. E é uma maneira de, ao mesmo tempo, dar visibilidade a essas empreendedoras do esporte e condições para que elas tenham um bom plano de negócios e que partam à conquista do mercado e que façam parte de uma equipe de vencedoras no campo da inovação”, afirma.

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