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Rio 2016

Rafaela Silva: da favela Cidade de Deus ao ouro olímpico

Rafaela Silva com sua medalha de ouro.
Rafaela Silva com sua medalha de ouro. REUTERS/Kai Pfaffenbach

Muita raça, concentração, determinação e o apoio incondicional da torcida. Assim a judoca Rafaela Silva conquistou nesta terça-feira (8) a primeira medalha de ouro para o Brasil nas Olimpíadas do Rio ao derrotar na final a mongol Sumiya Dorjsuren e levar ao delírio a torcida verde-amarela que lotou a Arena Carioca 2.

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Do enviado especial ao Rio de Janeiro,

Emocionada com a conquista, ela dedicou sua medalha “ao povo brasileiro, à família e aos amigos que convivem comigo diariamente”. “A torcida me ajudou bastante. O ginásio chegava a tremer, eu via que as minhas adversárias sentiam a pressão eu não poderia decepcionar todas essas pessoas que vieram aqui torcer por mim, aqui em casa também”, disse.

As 24 anos, a menina nascida na favela Cidade de Deus e encaminhada ao judô junto com a irmã pelo pai para não se envolver com a criminalidade do local, se consagrou na Arena Carioca 2, não muito distante de suas origens.

Na comemoração, ela lembrou das agressões racistas que sofreu na carreira por ser negra, e sua volta por cima depois do fracasso das Olimpíadas de Londres (2012) quando foi eliminada pela húngara Hedvig Karakas, a mesma que enfrentou e venceu na semifinal.

Na época, abatida com a derrota, ela chegou a pensar em desistir do judô, mas deu a volta por cima. “Depois da minha derrota em Londres, eu iria abandonar o judô, mas comecei a fazer um trabalho psicológico com o coach da seleção, e meu técnico me incentivava a cada dia. Em 2014 e 2015, não tive muitos bons resultados, fui eliminada no campeonato mundial na primeira rodada. Eu estava desacreditada. Falaram que eu era uma incógnita porque perdia para atletas que nunca tinha perdido antes. Agora eu vim, treinei o máximo possível nos dois últimos anos e o resultado veio por causa dos meus treinamentos”, afirmou.

Rafaela Silva, que se tornou campeã mundial em 2013, quer que sua trajetória e conquista olímpica sirvam de exemplo para todas as crianças do país. “É bom para as crianças que estiveram agora assistindo ao judô. Se eu pude ajudar elas com esse resultado, de mostrar que uma criança que saiu da Cidade de Deus com cinco anos, começou o judô como uma brincadeira e hoje é campeã mundial e olímpica é inexplicável. Se elas tiverem um sonho, ele pode se realizar”, disse.

A brasileira Rafaela Silva comemora sua passagem à final da categoria peso-leve.
A brasileira Rafaela Silva comemora sua passagem à final da categoria peso-leve. REUTERS/Kai Pfaffenbach

Trajetória na Rio 2016

Lutando na categoria peso-leve (até 57 kg), Rafaela Silva teve um percurso exemplar no tatame e mostrou desde o primeiro combate estar com o foco no pódio.

A carioca começou com vitória rápida por ippon, em apenas 46 segundos, sobre a alemã Myriam Roper. Na sequência, eliminou nada menos que a número dois mundial, a sul-coreana Jandi Kim.

Nas quartas, ela se vingou da húngara Hedvig Karakas, sua algoz nas Olimpíadas de Londres e responsável por uma derrota que a fez chorar no tatame inglês. No Rio, veio a vingança em uma luta em que aplicou um wazari e soube controlar a vantagem até o final.

Na semifinal, Rafaela teve uma luta duríssima contra a romena Corina Caprioriu, com quem tinha um retrospecto de três derrotas e três vitórias. Conhecida adversária da brasileira, Caprioriu não se intimidou com as vaias da torcida brasileira ao entrar no tatame nem durante a luta, com as arquibancadas gritando “Brasil” e “Rafa”. Sem definição no tempo normal, a luta foi para o golden score e Rafaela aplicou um contra golpe certeiro, que liquidou a luta.

Na final contra a mongol, Rafaela Silva conseguiu manter sua disciplina e aproveitou um contra-ataque para sair em vantagem. O combate foi interrompido até que o árbitro validasse o ponto. Na sequência, Rafaela usou de sua inteligência para conter a ofensiva da adversária até o final, quando ergueu os braços para celebrar a conquista inédita e histórica.
 

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