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Esportes

Olimpíada do Rio é vitrine para esportes pouco conhecidos no Brasil

Áudio 05:53
Fernando Scavasin (à dir.) em uma partida de esgrima contra um esgrimista do Egito.
Fernando Scavasin (à dir.) em uma partida de esgrima contra um esgrimista do Egito. REUTERS/Issei Kato

Muita torcida e empolgação da torcida verde-amarela nos estádios, arenas e outros palcos dos esportes mais populares no Brasil: futebol, vôlei, vôlei de praia, basquete, handebol. Em outros, a agitação não é comparável, mas também houve torcida para as modalidades muito pouco conhecidas no país, que ganharam visibilidade importante com as Olimpíadas do Rio.

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Como país-sede, o Brasil teve direito a participar de muitas modalidades com nenhuma ou pouca tradição como hóquei sobre grama, rugby e salto de trampolim. E em muitas outras, os Jogos foram uma grande vitrine para muitos jovens atletas.

Na competição de equipe de florete, na esgrima, o Brasil ficou em oitavo e último na fase final. Um desempenho honroso e resultado de investimentos que começaram em 2009. "Pela primeira vez a equipe conseguiu se classificar pelo ranking mundial, que foi o nosso caso, a equipe de florete. A gente vem em um avanço, hoje estamos entre as oito melhores equipes do mundo", ressalta Fernando Scavasin.

“Ainda tem alguns passos para caminhar até chegar ao ouro olímpico, que pode chegar em uma ou duas olimpíadas, se a gente continuar com os investimentos como tivemos nesse período”.

O atleta de 31 anos, destaca ainda os resultados vindos de investimentos feitos pela Confederação Brasileira e o apoio do Comitê Olímpico. “Eu vejo que se continuarem os investimentos, continuarem os investimentos nesse esporte, que é uma preocupação, a gente pode, dentro de quatro, cinco anos, estar brigando por medalhas mundiais e medalhas olímpicas”, garante.

Fernando Scavasin, esgrimista brasileiro do Time Brasil.
Fernando Scavasin, esgrimista brasileiro do Time Brasil. Foto: RFI Brasil

“A gente começou os investimentos em 2009 e em todo os exemplos mundiais que a gente tem, os resultados aparecem depois de 10 anos. Estamos em 2016, ou seja, ainda temos três ou quatro anos para alcançarmos essa maturidade. Com a Coreia e os Estados Unidos foi assim. Com a gente, não tem porque ser diferente”, aposta.

 “Já é um momento histórico pelo avanço que a gente teve. Nos últimos anos tivemos a primeira medalha nos Jogos Pan Americanos, primeira nos Jogos Mundiais Militares, e agora entre os oito melhores nas Olimpíadas. Espero que a gente continue nesse processo evolutivo”, afirma.

O esgrimista Guilherme Toldo, de 23 anos, também se sente orgulhoso de fazer parte do que ele chama de “geração da mudança”, que deu à esgrima brasileira um novo horizonte.

“O fato de a gente ter jogado aqui no Rio de Janeiro mostrou que a gente vem crescendo, tanto em Jogos Pan Americanos e no circuito mundial, mostrar para todo mundo que a gente tem esse crescimento dentro da esgrima”, diz

“Fico contente em fazer parte desta ‘geração da mudança’. Agora é concentrar e continuar lutando. ‘Geração de mudança’ porque está fazendo diferença, sim. Eu vejo que tem um grupo forte nesses últimos anos, que tem aumentado o nível da esgrima brasileira em geral, melhorado os resultados, isso é estatístico e eu fico contente de fazer parte deste grupo.

Toldo, no entanto, ressalta a dificuldade de visibilidade da modalidade e os problemas de concorrência com os esportes mais populares que ocupam a programação da grande imprensa. “Todo esporte olímpico tem essa dificuldade. A mídia deixa de valorizar muito os atletas olímpicos. Não falo apenas pela esgrima, vejo em outros esportes. O tiro, por exemplo. O pessoal ficou conhecendo o Felipe Wu depois da medalha de prata, mas ele já vinha fazendo excelentes resultados há algum tempo. Mas agora ele está aparecendo porque conquistou a medalha na frente de quem estava torcendo. Essa é a linha de raciocínio. A gente luta, estamos fazendo nossa parte e é só aguardar os resultados”, afirma

“Se a gente ficar concentrando só nas dificuldades, a gente vai continuar reprimido e sempre na retaguarda. Se olharmos pelo lado positivo, temos que buscar novos objetivos, novos horizontes. A medalha pode vir com o trabalho que a gente faz. Temos que continuar no nosso trilho, no nosso foco, no nosso objetivo que a medalha é consequência”, conclui.

Ingrid Oliveira (à dir.) e Giovanna Pedroso terminaram em 8° na competição de saltos ornamentais na Rio 2016.
Ingrid Oliveira (à dir.) e Giovanna Pedroso terminaram em 8° na competição de saltos ornamentais na Rio 2016. REUTERS/Pilar Olivares


Futuro dos saltos ornamentais

Nos esportes aquáticos, o Brasil foi mal na natação, sem medalhas para Thiago Pereira nos 200m medley e nem para Bruno Fratus que ficou apenas em sexto nos 50m.

Mas da água poderão vir futuros campeões ou campeãs, como ficou demonstrado nos saltos ornamentais. Giovanna Pedroso e Ingrid Oliveira também ficaram em oitavo e último na prova de dupla disputada no Parque Maria Lenk. Saltaram brigadas, e foi o que mais se comentou. Cariocas, elas veem futuro da modalidade com otimismo com o legado dos Jogos.

“O legado dessas Olimpíadas vai ser muito bom, a começar por esse Parque Aquático, Maria Lenk. Haviam demolido o do Maracanã e a gente ficou sem ginásio para treinar, todo mundo que queria treinar tinha que ir para Brasília. Esse ginásio do Rio é de primeiro mundo vai deixar um legado muito positivo”, garante In Giovanna Pedroso

“Desde os Jogos Pan Americanos os saltos ornamentais vêm aparecendo mais e com as Olimpíadas a gente vai conseguir mais coisas e que tenha mais condições de treino para quem quiser fazer e para quem já faz”, diz Giovanna , de 17 anos e que participou de sua primeira Olimpíada

 Badminton

Até os Jogos Olímpicos, muita gente não conhecia o badminton, um esporte muito popular na Ásia que mistura tênis e uma espécie de jogo de peteca. Entre os representantes do Brasil, dois jovens atletas revelados pelo projeto social Miratus, surgido na comunidade Chacrinha, no Rio de Janeiro.

Ygor Coelho, de 19 anos, é um dos representantes do país. Ele se classificou pelo ranking, 28° entre 41 atletas. E essas Olimpiadas deram um grande empurrão para o esporte em que pretende seguir carreira.

“Graças aos Jogos Olímpicos, as pessoas estão vendo mais o badminton. Quando eu falo que jogo, elas já sabem o que é. Com certeza, está tendo um grande avanço”, afirma o jovem que vaio passar uma temporada de treinos na França a partir de setembro.

“Jogar em casa, com a torcida toda a favor, vibrando a cada toque, é incrível, realmente emocionante”, disse, entusiasmado com a acolhida do público pequeno, mas muito barulhento no Rio Centro, local da competição.

A brasileira Lohaynny Vicente durante sua partida na Rio 2016.
A brasileira Lohaynny Vicente durante sua partida na Rio 2016. REUTERS/Marcelo del Pozo

Também revelada pelo projeto Miratus, Lohaynny Vicente, encarou na estreia uma indiana, a terceira melhor do mundo. Uma grande experiência para a jovem de 20 anos, que tem recebido incentivo e se mudou para Campinas para treinar. Os Jogos do Rio, para ela, já fizeram história.

“Já contribuiu bastante. A Federação Mundial e a Confederação Brasileira estão fazendo muitos projetos nas ruas. Para nós a Olimpíada foi sensacional, contribuiu para muito para divulgar o esporte e para quem conheceu, colocar seus filhos, seja da comunidade ou de classe média, alta, independentemente de onde for”, diz, esperançosa de que a partir dos Jogos, a modalidade possa se popularizar.

 

 

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