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Esportes

Grand Slam de Paris: judocas relatam decepção e aprendizado com derrotas

Áudio 05:47
Sarah Menezes não subiu ao pódio em Paris na estreia de sua nova categoria, até 52 kg.
Sarah Menezes não subiu ao pódio em Paris na estreia de sua nova categoria, até 52 kg. Foto: RFI Brasil

Lágrimas de decepção, experiência de luta em nova categoria e adaptação às novas regras do judô marcaram a participação de três atletas brasileiras no Grand Slam de Paris de judô, disputado neste final de semana: Sarah Menezes, campeã olímpica em Londres, Yanka Pascoalino, que faz sua estreia na seleção brasileira adulta e Ticiana César, que compete pela Guiné-Bissau.

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Sarah Menezes chegou ao auge da carreira em 2012, quando se consagrou nas Olimpíadas de Londres com o ouro na categoria até 48 kg. Mas nos últimos anos, a judoca piauiense não brilhou como gostaria nos tatames internacionais.

No ano passado, decidiu trocar da categoria ‘ligeiro’ para a ‘meio-leve’, até 52 kg, depois do fracasso nas Olimpíadas do Rio de Janeiro. O Grand Slam de Paris é sua primeira competição de alto nível com a nova categoria.

No ano passado ela saiu da capital francesa com o bronze, e neste ano ficou perto, mas não subiu ao pódio. Perdeu a disputa do bronze na repescagem, mas não saiu totalmente decepcionada do tatame.

“Apesar de não ter subido ao pódio, para mim a competição foi boa. Tive uma boa percepção lutando. E agora é ter mais calma, e trabalhar para me adaptar com a força e o ritmo, que são diferentes. Aos poucos, os frutos virão", disse, confiante.

Sarah Menezes também comenta que o período é de adaptação às novas regras do judô. Não existe mais a pontuação yuko, um atleta só perde depois de três punições durante a luta, e o tempo de combate é o mesmo para todos, de quatro minutos, um a menos para os homens. As mudanças também dizem respeito ao posicionamento no tatame.

“A gente ainda está confuso. Tem o ponto do lado, que era o yuko, que não existe mais, agora é o waza-ari. Não tem mais a soma dos pontos para o ippon. O combate vai até o final, se não tiver ippon. Tem ainda questões de pegada, de pisar fora do tatame. São muitos detalhes e o tempo é muito curto para você raciocinar. Tem que trabalhar muito a repetição, para fluir normal durante a luta. Daqui uns quatro ou cinco meses, eu vou estar melhor adaptada”, prevê.

Antes mesmo da experiente Sarah Menezes, que está prestes a completar 27 anos, deixar o torneio, uma das mais novas atletas da seleção brasileira já havia deixado o Grand Slam. Yanka Pascoalino, da categoria ‘meio-médio’, estreou com vitória no torneio parisiense ao passar pela americana Hannah Martin. Mas, na seqüência, foi eliminada na segunda rodada pela francesa Margaux Pinot e saiu aos prantos do tatame.

“Tinha uma tática, como já havia treinado no Japão, mas não deu certo. Dei bobeira e acabei perdendo’, disse, com os olhos cheios de lágrimas. Campeã dos Jogos Pan-Americanos Junior de 2016, Yanka, que recém completou 20 anos, é uma das apostas do Brasil na renovação da equipe visando o ciclo olímpico de Tóquio.

A judoca Yanka Pascoalino estreou no Grand Slam de Judô de Paris com uma vitória e uma derrota.
A judoca Yanka Pascoalino estreou no Grand Slam de Judô de Paris com uma vitória e uma derrota. Foto: RFI Brasil

Seu próximo desafio é um torneio na Áustria que fará parte de sua evolução no judô alto nível, depois da participação no torneio farncês. “Como experiência é muito bom. Já não tenho mais medo em competir em um competir em um nível deste. Estou mais confiante e é passo a passo para chegar ao topo”, diz.

Brasileira compete pela Guiné-Bissau

No Grand Slam de Paris, a RFI Brasil encontrou também a judoca Taciana Lima, que compete agora pela Guiné Bissau. Em sua volta à uma competição internacional depois da participação dos Jogos do Rio, Taciana perdeu sua primeira luta contra uma chinesa, saiu muito decepcionada e contestando a decisão da arbitragem, mas com a cabeça erguida.

Nascida no Brasil, ela competiu pela seleção brasileira durante vários anos, mas teve sua carreira interrompida durante um ano após o teste positivo de uma substância proibida: furosemida. O doping foi flagrado durante a Copa do Mundo de 2011 em São Paulo.

Depois do caso, ela decidiu competir pelo país de origem de seu pai, que conheceu já quando era adulta. “Só o vi pela primeira vez aos 29 anos, assim completei minha história de vida”, comentou. O encontro a fez descobrir e se encantar pela nação africana. “Gostei muito do país, me chamou a atenção. Ele não tem muito poder esportivo, e pensei: posso fazer uma coisa por ele, então estou aqui”, disse.

Taciana afirma que é freqüente ter que responder questões sobre a localização do seu país de adoção, já que no meio do judô são poucos os competidores do continente. “Muito perguntam onde fica, se é uma ilha. Tenho que explicar tudo. Hoje mesmo, um árbitro me perguntou o que significa a sigla GBS”, disse, em referência às três letras do quimono que identificam o país do atleta.

Prestes a completar 33 anos, a judoca é pentacampeã africana, com títulos desde 2013. Este ano mudou seu nome para Taciana César, depois do casamento. Vivendo em Portugal, onde treina com a equipe do Sporting, ela se diz contente por ter liberdade de decidir sua agenda e participações em competições, graças também à ajuda fundamental da Federação Internacional de Judô.

“Tenho apoio da Federação Internacional, que é meu ‘pai, minha mãe e minha família’. Eles me apóiam nas competições. A Guiné Bissau também contribuiu, mas com pouco, não é um país que tem muito dinheiro para isso. Então é a Federação Internacional que me ajuda com tudo”, conta.

Apesar da satisfação de competir por uma nação africana, ela não esconde sua forte relação com o Brasil, onde treinou com a equipe do Sogipa. Mas sua relação profissional com o país é considerada uma “página virada”.

“Eu tenho muito carinho, óbvio, é o meu país. Mas já estou bastante acostumada a representar a Guiné Bissau. Sinto muita saudade do Brasil, apesar de estar morando em Portugal. Em relação ao judô, sim, é uma página virada. Estou muito feliz representando a Guiné Bissau. Tenho total autonomia e liberdade para junto com o meu treinador do Sporting planificarmos nossas competições e estágios. Isso para mim é melhor coisa”, afirma. “Já tenho 33 anos e sei muito bem o que quero”, conclui.

 

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