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Esportes

França aposta em uma Copa do Mundo feminina de futebol histórica

Áudio 06:10
Equipe feminina da França enfrentou os Estados Unidos em amistoso no dia 19 de janeiro.
Equipe feminina da França enfrentou os Estados Unidos em amistoso no dia 19 de janeiro. Pascal Rossignol/AFP

A menos de um mês do ponta pé inicial da Copa do Mundo de Futebol Feminino a França já comemora. O evento promete ser o maior da história. Nunca o interesse pelo futebol feminino foi tão grande, um interesse que se concretiza no sucesso de venda de ingressos, de direitos de retransmissão dos jogos em todo o mundo e de credenciamento de jornalistas.

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A França organiza pela primeira vez o mundial feminino que acontece de 7 de junho a 7 de julho. A escolha do país foi feita em 2015. A comissão de organização contou com um orçamento de € 65 milhões (cerca de R$ 290 milhões) para preparar a competição e garante que já está tudo pronto.

Vinte e quatro seleções estão na disputa e nove cidades francesas (Paris, Lille, Nice, Montpellier, Rennes, Le Havre, Valenciennes, Reims e Grenoble) vão sediar os jogos. A abertura acontece em Paris, numa disputa entra a França e a Coreia do Sul. A final será em Lyon. O Brasil estreia no dia 9, em Grenoble, contra a Jamaica. Por medidas de segurança, não haverá fanzone nas cidades sedes.

Venda recorde de ingressos

Mais de 720 mil ingressos já foram vendidos e a expectativa é que se atinja a barra de um milhão, um recorde em Copas femininas que são realizadas desde 1991.

Para alguns jogos, como a abertura e a final, os ingressos já esgotaram. Os preços acessíveis, que variam em média de € 9 a € 45 euros (cerca R$ 40 a R$ 200) a chegam a no máximo a € 84 (R$ 384) na fase final, explicam em parte o sucesso de vendas.

Erwan Le Prévost, diretor do Comitê Organizador do Mundial na França, comemora o sucesso das vendas: “Tínhamos o objetivo de preencher 57% dos estádios, já considerando que os jogos da seleção francesa estariam todos lotados. Ou seja, os três jogos na primeira fase. Nós já temos sete jogos com lotação esgotada. Nosso objetivo era ambicioso e já foi ultrapassado. Atualmente, temos quase 800 mil ingressos vendidos, ou seja, mais de 150 mil ingressos vendidos além do esperado. E a cada dia vendemos entre três e cinco mil ingressos, o que é extraordinário. Temos agora a expectativa de passar de 1 milhão de torcedores nos estádios”.

Para atrair tantos torcedores, os organizadores apostaram em uma Copa voltada para as famílias, evitando ao máximo comparações com as competições do futebol masculino.

“Fizemos uma promessa: essa Copa do Mundo será familiar, com animações feitas para as famílias. É o que vai nos diferenciar de outros eventos que tem verdadeiros torcedores. Será para as famílias que irão passar um momento agradável, à tarde ou à noite, assistir jogos de alto nível, com as 24 melhores equipes do mundo de futebol feminino.  A promessa que fizemos é viver um evento familiar e popular, que será obviamente diferente de uma Copa de Mundo masculina ou da Eurocopa”, destaca Le Prévost.

O interesse confirma sobretudo a visibilidade crescente do esporte, que se profissionalizou, ganhou investimentos em vários países e evoluiu muito nos últimos anos. Uma pesquisa realizada no ano passado aponta que 43% dos fãs de futebol também gostam dos jogos das mulheres. Isso indica uma base potencial de 105 milhões de torcedores.

Para a jornalista Anne-Laure Bonnet, apresentadora do canal beIN Sports e especialista na cobertura de futebol, o interesse se justifica  pela própria evolução do futebol feminino.

“O futebol feminino está se desenvolvendo. No campeonato francês há cada vez mais pessoas assistindo, nos estádios ou pela televisão. No último jogo da equipe feminina do PSG, na Champions League, o estádio para cerca de 20 mil pessoas estava cheio”, comenta. “As pessoas começam a entender que é um futebol um pouco diferente, mas é futebol. A qualidade técnica existe, a qualidade dos jogos está crescendo, assim como a cobertura da mídia. Tudo isso faz com que o público se interesse cada vez mais”, garante.

Cobertura inédita da imprensa francesa

O entusiasmo da França com o evento pode ser medido também pela visibilidade conquistada na imprensa. Pela primeira vez, a convocação da seleção francesa, no dia 2 de maio, foi ao vivo em horário nobre pela TV, e foi assunto de destaque nas conversas.

Com todos os ingressos vendidos para os jogos da França na primeira fase, a pressão sobre as 23 jogadoras selecionadas é grande. Um ano após a conquista do Mundial masculino pela seleção francesa e com a memória ainda muito viva da consagração dos “Bleus” na Copa de 1998, a expectativa é que elas também façam bonito em casa, como anfitriãs.

Há o temor que uma eliminação precoce da seleção nacional diminua o interesse dos franceses pela competição. Mas não é essa a preocupação demonstrada pelos organizadores. O futebol feminino tem seus torcedores cativos. Até agora, a maioria dos ingressos para o público estrangeiro foi comprada por turistas dos Estados Unidos, a pátria do futebol feminino ao lado da Alemanha.

Aliás, as mudanças recentes no ranking da Fifa atestam a evolução do esporte. Se há anos americanas e alemãs se revezam na primeira posição e dominam com folga a modalidade, a diferença de pontos que as separam das outras colocadas começa a diminuir. Inglaterra, França, Canadá e Austrália cresceram muito e se aproximam das líderes. Já o Brasil, da artilheira da Copa do Mundo Feminina Marta, caiu da 7ª para a 10ª posição na última lista.

Corinne Diacre é a treinadora da seleção francesa feminina de futebol.
Corinne Diacre é a treinadora da seleção francesa feminina de futebol. CHARLY TRIBALLEAU / AFP

Participação brasileira

O Brasil participou de todas as sete edições do Mundial feminino realizadas até agora sem nunca ter conquistado um título, e contará com jogadoras experientes para brigar pelo título inédito. Eleita cinco vezes melhor jogadora do mundo, Marta entrou na convocação feita pelo técnico Vadão no dia 16 de maio.

Na fase preparatória, as jogadoras da seleção ficam em Portugal durante  15 dias, na região do Algarve, se aclimatando com o clima e o fuso horário. A chegada a Grenoble está prevista para o dia 6, três dias antes da estreia.

Como todas as outras seleções, o Brasil não terá um campo de base durante a competição, treinando em estádios reservados em cada uma das nove cidades sede. Os organizadores alegam que, ao contrário do torneio masculino, a Copa feminina ainda não tem estrutura e financiamento suficientes para patrocinar locais de concentração. Inclusive, para preservar a igualdade de tratamento entre as equipes, a seleção francesa foi privada do centro de treinamento de Clairefontaine, da Federação Francesa de Futebol.

A situação demonstra ainda a diferença na estrutura das competições entre as equipes masculinas e femininas. Para a jornalista Anne-Laure, apesar dos avanços, a paridade com o futebol masculino ainda está muito distante.

“A mentalidade está evoluindo muito devagar, não só no futebol, mas em todos os esportes. Entendo quando falam de público, interesse e marketing na hora de distribuir o mesmo dinheiro para equipes masculinas e femininas. Entendo quando falam que uma final de Champions League masculina vai atrair mais gente que a final feminina. Mas o governo e as empresas devem investir para haver uma igualdade”. diz, citando o exemplo das empresas envolvidas nas camisetas da seleção francesa de futebol. “Muitas marcas começam a entender que não há diferença entre o púbico feminino e masculino”, garante.

Retransmissões

Os direitos de retransmissão foram vendidos para vários países e em muitos lugares, como no Brasil, os jogos serão exibidos pela primeira vez pelas televisões abertas de maior audiência. Em 2015, 750 milhões de pessoas acompanharam o Mundial feminino pela TV.

Nesta edição 2019, a meta da Fifa é que o número de espectadores chegue a 1 bilhão, mais um recorde que indica que esta Copa do Mundo na França será realmente histórica.

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