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Futebol

Francesa se torna primeira mulher a arbitrar final da Supercopa da Europa

Stéphanie Frappart durante arbitragem de partida segunda divisão francesa, em 19 de abril de 2019.
Stéphanie Frappart durante arbitragem de partida segunda divisão francesa, em 19 de abril de 2019. FRANCK FIFE / AFP

O desafio de Stéphanie Frappart, vai, no entanto, muito além dos gramados. “Nós temos que provar física, técnica e taticamente que somos iguais aos homens. Não tenho medo disso. Nada muda para nós", declarou a juíza nesta quarta-feira (14), antes de entrar em campo para apitar a final da Supercopa da Europa entre o Liverpool e o Chelsea, em Istambul. Ao lado dos “blues” e dos “reds”, a juíza será uma das grandes atrações desta partida decisiva.

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A final entre o Liverpool e o Chelsea, vencedores respectivamente da Liga dos Campeões da UEFA e da Liga da Europa, será arbitrada durante a Supercopa da Europa pela francesa, a primeira mulher a apitar uma partida deste nível do futebol mundial.

"A Uefa optou por inovar nomeando Stéphanie Frappart para arbitrar a Supercopa 2019 em 14 de agosto", anunciou na sexta-feira (9) o órgão que governa o futebol europeu, através de um comunicado. "Frappart prova há muitos anos que é uma das melhores árbitras do mundo, não apenas no cenário europeu, mas também em escala global", disse Roberto Rosetti, árbitro chefe responsável pelo esporte na UEFA.

"Ela é capaz de liderar partidas de alto nível, como provou na final da Copa do Mundo Feminina deste ano, e espero que este jogo em Istambul traga ainda mais experiência para sua trajetória. Ela está no topo de sua carreira de arbitragem", acrescentou Rosetti.

A pioneira francesa de 35 anos, exigente e discreta, quebra todas as barreiras deste esporte, majoritariamente masculino, ao se tornar se a primeira mulher a liderar uma partida da Liga 1 (primeira divisão) da Copa da França, em abril, um empate entre os times franceses de Amiens e Estrasburgo (0-0), e depois outro empate entre Nice e Nantes (1-1) em maio, depois de cinco temporadas na segunda divisão.

Pioneira

Desde então, ela foi promovida aos gramados da Liga 1 do futebol francês, onde atuará em tempo integral. Desde a sua estreia na Liga 2, em 2014, a francesa conquistou um lugar ao sol, uma pioneira no meio do futebol, conhecido pelo machismo. "Ela tem muita diplomacia, e quando você é um treinador, homem, você fica sob pressão e irritado... É suficiente que ela dê uma olhada, um sorriso, um gesto... e tudo para", disse o treinador do time de Lille, Christophe Galtier, após a estreia de Frappart na Liga 1.

"Ela tem carisma, personalidade, ela usa as palavras certas, explica, ela é diplomata e podemos conversar com ela, ela não tenta se colocar à frente de todos. Seu objetivo é realmente o jogo”, disse, por sua vez, o meio-campista do Orléans, Pierre Bouby, que a apresenta como "a melhor juíza da Liga 2”.

Frappart se encontra na elite da arbitragem, seguindo os passos da alemã Bibiana Steinhaus, a primeira mulher a liderar uma partida da Bundesliga, e as de Nelly Viennot, que chegou a arbitrar na primeira divisão, mas como árbitro-assistente.

"Despertar vocações"

"Um dos meus papéis é também despertar vocações, dando o exemplo às meninas que quererem começar na arbitragem”, diz a francesa. “Eu levo isso a sério porque acho que abri as portas", analisa. Do ponto de vista da profissionalização do cargo, no entanto, muito caminho deve ser percorrido.

Única mulher capaz de sobreviver, em parte como árbitra, essa nativa de Herblay (na região de Val-d'Oise, ao norte de Paris) ainda trabalha três dias por semana em uma federação esportiva. "Uma espécie de semiprofissionalismo com um subsídio fixo mensal", afirma Pascal Garibian, chefe dos árbitros franceses.

Nos gramados turcos, em 14 de agosto, Stéphanie Frappart não estará sozinha: além de Clement Turpin, encarregado da assistência em vídeo à arbitragem (VAR), ela será assistida por duas outras mulheres, sua compatriota Manuela Nicolosi e a irlandesa Michelle O'Neill. O quarto árbitro oficial será um homem, o turco Cuneyt Cakir.

No entanto, Frappart não é a primeira mulher a arbitrar uma partida masculina da UEFA: a suíça Nicole Petignat apitou três jogos da fase de qualificação da Taça UEFA, entre 2004 e 2009. 

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