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França/ Esporte

Escândalo de abusos sexuais na patinação derruba presidente da federação francesa

Presidente da Federação Francesa de Esportes no Gelo por 20 anos, Didier Gailhaguet pediu demissão neste sábado (08/02/2020).
Presidente da Federação Francesa de Esportes no Gelo por 20 anos, Didier Gailhaguet pediu demissão neste sábado (08/02/2020). FRANCK FIFE / AFP

Depois de resistir por 10 dias a sair do cargo desde a explosão de um escândalo de abusos sexuais de patinadoras adolescentes entre os anos 1970 e 1990, o presidente da Federação Francesa de Esportes no Gelo pediu demissão neste sábado. Didier Gailhaguet ocupava o posto há 20 anos.

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Numa reunião extraordinária do conselho nesta manhã, ele disse que “com uma preocupação de apaziguamento, tomei com reflexão, dignidade, mas sem amargura, a sábia a decisão de me demitir”. O anúncio ocorre quase uma semana após a ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu, pedir para ele deixar o cargo.

Gailhaguet, de 66 anos, ocupou a presidência da entidade desde 1998, à exceção do período entre 2004 e 2007. Ao se retirar, ele denunciou o que chamou de “ditadura ministerial”, em especial “a ameaça vergonhosa de descredenciamento” da federação, feita pela ministra. A atual presidente do conselho, Maryvonne Del Torchio, assume interinamente o posto na federação, abalada por um vasto escândalo que têm como alvo três técnicos de patinação.  

30 anos de silêncio revelados em livro de ex-campeã

Tudo começou com a publicação do livro da ex-campeã francesa de patinação Sarah Abitbol, no qual revelou ter sido estuprada por seu ex-treinador, Gilles Beyer, quando tinha entre 15 e 17 anos. Na sequência, outras ex-atletas acusaram mais técnicos de abusos sexuais.

O testemunho da ex-campeã deixou clara a falta de apoio e ações por parte de Gailhaguet, conduta criticada pela ministra dos Esportes ao pedir a sua demissão, alegando “uma responsabilidade moral e pessoal” do agora ex-presidente da federação diante do caso.

Maracineanu relembrou que já havia suspeitas sobre Beyer desde os anos 2000. Uma carta assinada por vários pais denunciava o comportamento inapropriado do treinador com as alunas, que deu origem a uma investigação e resultou na sua suspensão em 2001. Mesmo assim, ele continuou a frequentar o circuito esportivo francês, sem maiores entraves.

Com informações da AFP

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