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Jogos Olímpicos de Tóquio: adiar ou não o evento por causa do coronavírus?

Crescem as pressões para o Japão e o COI adiarem os Jogos de 2020.
Crescem as pressões para o Japão e o COI adiarem os Jogos de 2020. Mladen ANTONOV / AFP

O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, admitiu nesta segunda-feira (23) que o adiamento das Olímpiadas de Tóquio é quase “inevitável”. O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou que vai estudar durante quatro semanas as consequências de um cancelamento dos Jogos antes de anunciar sua decisão. Organizadores e dirigentes estão cada vez mais pressionados pelos comitês nacionais e pelos próprios atletas.

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A decisão de adiar os Jogos de Tóquio “poderia ser inevitável”, se a pandemia do novo coronavírus tornar impossível a organização do evento de maneira segura, admitiu o premiê Shinzo Abe.

Diante do Parlamento japonês, o chefe de governo garantiu que seu país continua comprometido com a organização as Olimpíadas nas melhores condições, mas “caso isso se torne difícil”, ele vai estabelecer como prioridade a segurança dos atletas.

Apesar da propagação em escala mundial da pandemia da Covid-19 e das dúvidas crescentes sobre a realização das Olímpiadas de Tóquio, o governo japonês não havia manifestado oficialmente a possibilidade de cancelar o evento.

A mudança de postura aconteceu depois que o COI anunciou no domingo (22) sua decisão de se reunir durante quatro semanas e discutir com seus parceiros a eventual suspensão dos Jogos.

Jogos em 2021?

No meio esportivo, aumentam a pressão e os pedidos para o cancelamento do evento. Nesta segunda-feira, Sebastian Coe, presidente da Federação Internacional de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), enviou uma carta ao presidente do COI, Thomas Bach, pedindo a suspensão dos Jogos.

Os Comitês Olímpicos da Noruega e da Espanha, as duas influentes Federações americanas de natação e de atletismo, e muito atletas, que devido ao confinamento não conseguem treinar, também já expressaram suas opiniões e querem ser ouvidos.

Na manhã desta segunda-feira, o Canadá e a Austrália reforçaram o pedido de cancelamento das Olímpiadas. As autoridades canadenses disseram “ter tomado a difícil decisão de não enviar equipes" ao evento e solicitam o adiamento dos Jogos por um ano.

Os responsáveis pelo Comitê Olímpico Australiano consideram “claro” que os Jogos de Tóquio não podem acontecer como previsto e recomendaram aos atletas se prepararem para competir em 2021.

A Federação Francesa de Atletismo também fez um pedido no mesmo sentido. No sábado (20), o ministro francês da Saúde, Olivier Véran, disse estar pouco disposto “a enviar atletas hoje ao Japão ou pedir a eles para treinarem em boas condições”.

Decisão do COI em um mês

Ainda não é possível adiantar qual vai ser a decisão do COI sobre o assunto. Durante vários dias a palavra “adiamento” era considerada um tabu pela entidade. “Tudo acontece para uma abertura no dia 24 de julho”, indicava um de seus dirigentes. Os Jogos estavam programados para acontecer entre os dias 24 de julho e 9 de agosto.

Uma reunião extraordinária do Comitê Executivo neste domingo indicou uma mudança nos planos. O presidente do COI enviou uma carta aos atletas para informar que o adiamento dos Jogos está em estudo e uma decisão será anunciada dentro de quatro semanas. “Nós iniciamos discussões com todos os parceiros para avaliar o avanço rápido da situação sanitária e de seu impacto sobre os Jogos Olímpicos, incluindo a opção de um adiamento”, escreveu Bach.

Reações

Atletas e dirigentes reagiram ao anúncio do COI. Na França, a mensagem foi bem acolhida pela ministra dos Esportes, Roxana Maracineanu, que considerou “necessária” a oficialização das discussões pelo Comitê Olímpico Internacional. Ela fez um apelo para que a entidade tome sua decisão o mais rapidamente possível para “tranquilizar” os atletas.

Já a campeã mundial dos 200 metros, a britânica Dina Asher-Smith, mostrou irritação ao questionar os dirigentes por meio de uma postagem na sua conta em uma rede social: "Isso significa que os atletas terão ainda mais QUATRO semanas para encontrar meios de treinar, enquanto potencialmente colocam em risco a si mesmos, treinadores, staff e pessoas próximas, para se darem conta que vai ser adiado de qualquer maneira”.

O ex-atleta Carl Lewis sugeriu neste domingo que o evento aconteça em 2022 para os atletas terem "melhores condições" de se preparar para as competições.

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