Acessar o conteúdo principal

Covid-19: Futebol é suspenso na França pela primeira vez desde os protestos de Maio de 68

Um jogo do campeonato de futebol francês entre o Red Star e o Saint-Etienne disputado em 28 de janeiro de 1968.
Um jogo do campeonato de futebol francês entre o Red Star e o Saint-Etienne disputado em 28 de janeiro de 1968. AFP/Archivos

Jogos cancelados, campeonato prolongado e complicações no calendário. O futebol internacional raramente teve tanto impacto quando diante da pandemia de coronavírus. Na França, a última vez que o esporte profissional teve que ser interrompido foi há mais de 50 anos, quando o país foi sacudido pelos famosos movimentos sociais que entraram para a história e ficaram conhecidos como “Maio de 68”.

Publicidade

Estádio Meinau, 19 de julho de 1968. O jogo Estrasburgo-Nimes, que teve de ser adiado para o auge do verão, mais parecia pré-temporada do que um final de campeonato. Mas foi a permanência na primeira divisão que a primeira dessas equipes conquistou ao vencer este jogo por 3-0.

"Era época de férias de verão. Quem reservou o ingressos teve que cancelá-los", Lembra Philippe Piat, que marcou um gol para Estrasburgo naquele dia.

"Mas o que guardo como lembrança é que nós, jogadores, queríamos jogar. Estava em jogo não cair para o segundo lugar", acrescenta o atual presidente do UNFP, o sindicato francês de jogadores.

A causa da interrupção do futebol francês, 52 anos atrás, foram os movimentos sociais que eclodiram na primavera (em maio) e paralisaram o país."Tudo foi suspenso. Na época as equipes normalmente se deslocavam de trem, mas nenhum transporte funcionava. Não havia como continuar o campeonato", explica Alfred Wahl, historiador do futebol, que dedicou um artigo a essa situação, num livro sobre o futebol no século XX.

Neste 2020, já houve jogos realizados a portas fechadas, sem público, antes de a França entrar no estágio 3 da pandemia de coronavírus. 

Ocupação da Federação

No dia 22 de maio, apenas três jogos do campeonato foram disputados, incluindo o do Saint-Etienne, que já havia garantido o título.

No mesmo dia, em Paris, várias dezenas de pessoas tomaram conta das instalações da Federação Francesa, pedindo "o retorno do futebol aos jogadores" e criticando "os interesses egoístas daqueles que se beneficiam com o esporte". A ocupação durou quatro dias, e a interrupção do campeonato durou trê semanas.

"Não apenas os jogos, mas também os treinos foram interrompidos", lembra Robert Nouzaret, meio-campista do Lyon na época.

"Os funcionários municipais não estavam trabalhando. A grama em Gerland (estádio) era muito alta porque ninguém a cortou", acrescentou o ex-jogador de futebol de 76 anos.

Mas os problemas não foram além. "A dificuldade era, além de jogar, ter gasolina. Estávamos indo para a Suíça. Mas o corte foi provisório, sabíamos que não duraria", disse o companheiro e capitão Fleury Di Nallo.

Em 12 de junho de 1968, o campeonato voltou a ser disputado. As finais, com duas equipes da primeira divisão enfrentando duas equipes da segunda divisão, aconteceram em julho.

E a temporada seguinte não começou até o primeiro fim de semana de setembro. Pouco a pouco, a normalidade se recuperou.

NewsletterReceba a newsletter diária RFI: noticiários, reportagens, entrevistas, análises, perfis, emissões, programas.

Página não encontrada

O conteúdo ao qual você tenta acessar não existe ou não está mais disponível.