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Futebol e outros esportes na Belarus: nada mudou com a epidemia do coronavírus

Partida de hóquei no gelo em Minsk, no dia 30/03/2020.
Partida de hóquei no gelo em Minsk, no dia 30/03/2020. REUTERS - VASILY FEDOSENKO

A Belarus, país de 9,5 milhões de habitantes no noroeste da Europa, entre a Polônia, a Ucrânia e a Rússia, é um dos poucos países do mundo onde quase nada mudou desde o começo da pandemia de coronavírus.

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A ex-república soviética, governada há 26 anos pelo ditador Alexander Loukashenko, mantém comércio, creches, escolas, universidades, fábricas, bares e restaurantes abertos, apesar dos 1.052 casos suspeitos de coronavírus. Apenas as pessoas com mais de 65 anos de idade são incitadas a ficar em casa.

O mundo praticamente parou pela gravidade da pandemia, mas a Belarus continua ignorando os riscos de propagação da Covid-19. O movimento no país é intenso, principalmente nos campeonatos esportivos de futebol, hóquei no gelo – modalidade muito popular entre os habitantes – e handebol. O fim do inverno marca o início da temporada das competições esportivas.

As equipes de futebol colocaram novamente as chuteiras há duas semanas. Imagens surpreendentes dos jogadores em campo circulam na Europa e no resto do mundo. Os torcedores bielorussos vão aos estádios munidos de máscaras de proteção, mas por decisão voluntária. Nas entradas das arquibancadas, os agentes de segurança apenas medem a temperatura dos torcedores, depois da tradicional revista para evitar o ingresso de foguetes ou objetos cortantes. A única "febre" autorizada é o fanatismo pelo futebol.

Os jogadores são obrigados a cumprir seus contratos, no único campeonato europeu em exibição. Mas a atmosfera é pesada. As regras de prevenção adotadas são paradoxais: em campo, o corpo a corpo continua valendo, mas do lado de fora nada de apertos de mão entre craques e torcedores.

Esperança de ganhar projeção internacional

No fim de semana, o clube Isloch, da capital Minsk, bateu o Smaliavitchi, equipe do centro do país, por 1 a 0. O gol foi marcado por Momo Yansané, jogador de 22 anos, nascido na Guiné. O atleta africano sonha que essa exposição mundial, no momento em que o futebol parou no resto do planeta, lhe abra as portas de campeonatos mais prestigiosos.

Além da Belarus, no mundo, apenas a Nicarágua e Mianmar mantêm seus campeonatos de futebol em tempos de coronavírus. A próxima rodada, no país europeu, está prevista para 3 de abril.

Para o ditador Loukashenko, a pandemia é "uma psicose" planetária. Ele afirma que seu país dispõe de meios para se proteger contra o vírus. Nos últimos dias, para combater a Covid-19, o líder autoritário elogiou os efeitos positivos para a saúde dos banhos a vapor, da vodca, do trabalho em cima de um trator e da prática do hóquei no gelo. No sábado, quando participou de um jogo de hóquei, Loukashenko afirmou: "O esporte é o melhor antivírus e uma pista de patinação é como uma geladeira; nenhum vírus resiste".

Com esses argumentos, combatidos por cientistas, ele tenta manter a frágil economia do país e evitar protestos. Na Belarus, as cerca de mil pessoas com sintomas da Covid-19 não são tratadas como "doentes"; são "casos em observação".

Com informações de agências e de Antoine Grognet, da RFI

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