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Bélgic/Crise

Bélgica bate recorde mundial de dias sem governo

A última manifestação em Bruxelas contra a falta de governo foi em 23 de janeiro de 2011
A última manifestação em Bruxelas contra a falta de governo foi em 23 de janeiro de 2011 Reuters

A Bélgica bate o recorde mundial de dias sem governo e, em sinal de protesto, estudantes convocam manifestações, batizadas de “Revolução das Batatas Fritas”. Nesta quinta-feira, quando o país contabiliza 249 dias sem um Executivo, cerca de 30 organizações estudantis programam diversas ações em Bruxelas, Louvain, Gand, Antuérpia e Liège.

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De Letícia Fonseca, correspondente da RFI em Bruxelas,

Esta será a segunda vez que os belgas exigem uma solução para a crise política que divide flamengos e francófonos do país. Em janeiro, a “Marcha da Vergonha” levou 35 mil pessoas às ruas para protestar contra a incompetência dos políticos. A Bélgica está sendo governada por um gabinete provisório desde abril do ano passado, quando o rei Alberto II aceitou a renúncia do então primeiro-ministro Yves Leterme.

Nesta quarta-feira, o rei Alberto II deu mais duas semanas para o mediador Didier Reynders tentar resolver o impasse político. O país está sem orçamento federal desde o início do ano por causa da falta de acordo entre os partidos. A briga entre flamengos e francófonos acirrou depois da vitória do partido separatista flamengo N-VA, nas últimas eleições legislativas, em junho do ano passado.

A longa duração da crise política começa a ter impacto na economia do país. A desconfiança nos mercados tem crescido, reformas importantes estão sendo adiadas, e, o risco da Bélgica vir a ser a próxima vítima da crise financeira na Europa tem aumentado. Alguns analistas creditam a dívida pública a 100% do PIB ao valor exagerado das alocações sociais e ao apoio de outros projetos fracassados.

Desde o início, a eterna briga entre os principais partidos da Bélgica tem sido fomentada pelos interesses econômicos. Os flamengos, que representam 60% dos 10 milhões de belgas, querem a autonomia de Flandres, ao norte, e parar de sustentar os francófonos. Já os francófonos, concentrados em Bruxelas e na região sul, a Valônia, procuram limitar tal descentralização com receio de perda de transferências financeiras, que poderia representar o início da dissolução do país.

 

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