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Igreja/Pedofilia

Vítimas de padres pedófilos dão queixa contra o papa no TPI

Vítimas de padres pedófilos protestam durante visita do papa ao Reino Unido.
Vítimas de padres pedófilos protestam durante visita do papa ao Reino Unido. Reuters

Uma associação de vítimas de padres pedófilos baseada nos Estados Unidos, a SNAP, encaminhou um pedido ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pedindo que a corte julgue o papa e outras autoridades do alto escalão da Igreja Católica por crimes contra a humanidade relacionados com o abuso sexual de menores.

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Em termos técnicos, uma associação não pode dar queixa no TPI, mas pode enviar um comunicado ao procurador do tribunal, o qual decide dar ou não continuidade ao processo. A associação SNAP conta com o apoio jurídico da ong de advocacia americana Center for Constitutional Rights.

No comunicado enviado ao TPI, a ong pede um reconhecimento da competência do tribunal para julgar os casos de pedofilia envolvendo membros da Igreja. A SNAP acusa as autoridades do Vaticano de "terem tolerado e tornado possível ocultar sistematicamente os crimes sexuais cometidos por membros da Igreja no mundo inteiro".

Além do papa, a ação visa três cardeais que exercem ou exerceram cargos de responsabilidade no primeiro escalão da Cúria: o secretário de Estado e número 2 na hierarquia do Vaticano, Tarcísio Bertone, seu antecessor Angelo Sodano, também italiano, e o prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, o americano William Levada, que ficou no lugar de Joseph Ratzinger quando ele foi eleito papa e passou a usar o nome de Bento 16.

Desde sua criação, em 2002, o procurador do TPI recebeu mais de 8 mil pedidos de investigação. O Vaticano, por sua vez, rejeitou ou fez vista grossa a queixas apresentadas por vítimas de padres pedófilos, recorrendo à estratégia de afastar os religiosos pedófilos das paróquias onde eles deram problema. O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, não comentou a denúncia.

No dossiê enviado ao TPI, a SNAP anexou 10 mil páginas de documentos relatando casos de pedofilia na Igreja. Membros da associação originários dos Estados Unidos, da Alemanha, Holanda e Bélgica, países atingidos por abusos de menores em larga escala, foram até Haia, sede do TPI, protocolar o comunicado e pedir que o papa e demais responsáveis da Igreja sejam julgados.

No auge das denúncias, o papa Bento 16 declarou que tinha vergonha dos padres pedófilos e chegou a pedir perdão às vítimas, pregando a tolerância zero contra os religiosos que insistissem nessa conduta criminosa. 

A SNAP não acredita no desejo de transparência da Igreja. Seus membros iniciaram uma turnê em capitais europeias para denunciar mais uma vez a omissão do Vaticano diante de padres pedófilos.

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